Iron Maiden: Fear of the Dark é um álbum forte e único

Resenha - Fear Of The Dark - Iron Maiden

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Por Daniel de Paiva Cazzoli
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Em 11 de maio próximo, o álbum que marcou o fim da primeira passagem de BRUCE DICKINSON pela Donzela de Ferro completará 22 anos. Não é uma data simbólica, concordo. Mas sempre é tempo de dissertar um pouco sobre este trabalho que veio cercado de contratempos: a começar por suceder “No Prayer for the Dying”, primeiro com Janick Gers, o guitarrista que gravou o primeiro álbum solo de Bruce, mas que não foi bem “digerido” por ter substituído a referência Adrian Smith; a arte gráfica, à época criticada pela pouca inspiração, já sem Derek Riggs; a produção derradeira do lendário Martin Birch; e a já citada saída de Bruce.
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O formato vinil duplo veio em bom momento. Com 3 faixas em cada um dos 4 lados do LP, “Fear of the Dark” chegou no limiar da despedida do velho formato e a consagração do CD. As letras impressas com letra clara no fundo escuro do encarte encerraram o período romântico da era fonográfica da banda, já que no trabalho seguinte de estúdio, “The X Factor”, os fãs iriam definitivamente aderir à era digital.

Mas vamos ao que interessa: um mês antes do lançamento do LP (como é bom chamá-lo assim), mais precisamente em 13 de abril de 1992, “Be Quick or Be Dead” surgiu como primeiro single. Composta pela dupla Dickinson e Gers, essa música rápida e quase thrash metal abre o trabalho de forma agressiva, com a bateria explosiva de Nicko. Com uma abordagem lírica voltada para a corrupção e o jogo sujo de quem detém o poder, o desempenho de Bruce é um dos mais rasgados de sua carreira e é impossível ficar imune ao ataque sonoro perpetrado por essa faixa, que manteve o ritmo alucinante também no videoclipe exaustivamente exibido à época.

Também presenteada com um videoclipe, “From Here to Eternity”, o 2º single, chega com uma veia bem rock’n’roll, trazendo um pouco da linha mais despojada que a banda lançou mão no álbum anterior. Composta pelo eterno líder Steve Harris, sua letra aborda uma visão irônica e até otimista do inferno, fazendo inclusive uma alusão à Charlotte, a prostituta imortalizada no primeiro álbum.

Na sequência, a primeira obra-prima, novamente concebida por Harris. “Afraid to Shoot Strangers”, com seus quase 7 minutos, chega suave, com uma bela melodia de guitarras e a sempre firme sustentação do baixo. Já antecipando o esquema “início lento / peso e rapidez / fim lento” que configura a faixa-título, esta belíssima canção traz uma reflexão de alguém que está à espreita de cometer um crime, supostamente por esconder um ato justiceiro. Com letras de fácil assimilação, ela permanece poderosa até o fim. Não é à toa que na recente turnê que celebra o saudoso “Maiden England”, a banda optou por incluí-la no repertório, mesmo soando um pouco deslocada. Seu apelo ao vivo é inquestionável.

“Fear is the Key” retoma a parceria de Dickinson e Gers. À primeira audição, há 22 anos, não assimilei tão bem a proposta inovadora da canção. Seu formato pouco usual e suas mudanças de ritmo servem de base para uma letra um pouco confusa, com o medo e a incerteza dos tempos atuais como tema, mas que agrada pelo solo de guitarra bem sacado. A próxima é “Childhood’s End”, de Harris, que volta à duração abaixo de 5 minutos. Com seu ritmo marcante de baixo, é a primeira faixa menos inspirada do álbum, com refrão abaixo da média. Acaba se salvando pela letra, que faz uma análise bem interessante sobre o fim do período da inocência do ser humano e a situação caótica do meio ambiente.

O terceiro single, lançado em 16 de setembro e composto por Bruce e Janick, é “Wasting Love”. Uma autêntica balada e com apelo bastante comercial. Servindo como aperitivo da futura “Tears of the Dragon”, de seu primeiro álbum solo pós-Maiden, a canção traz uma interpretação bastante emocional de Bruce, embora apresente uma letra fraca e hoje seja uma tarefa um tanto cansativa ouvi-la até o acorde final. Valeu para mostrar à banda que eles nunca precisaram desse tipo de faixa de fácil aceitação radiofônica. Coincidência ou não, a banda resolveu gravá-la um ano após o METALLICA, em seu multiplatinado álbum autointitulado, ter conquistado o mundo com “The Unforgiven” e “Nothing Else Matters”. Mas no caso da banda inglesa, nem o videoclipe agradou.

Steve Harris compôs “The Fugitive”. Musicalmente, é um trabalho menor do líder, com estrofes de poucas variações. Liricamente, é bem envolvente e certamente daria um ótimo roteiro de filme. A quase hard rock “Chains of Misery” vem logo depois, com Bruce dividindo a autoria com Dave Murray. Seu ritmo é contagiante e conta com uma performance irrepreensível de Dickinson, tanto nas estrofes propositalmente “largadas”, quanto no refrão bem alegre. A letra não agrada, mas tampouco desmerece o bom trabalho da música.

“The Apparition” é de longe a mais fraca do álbum. Mesmo no interlúdio, com a breve mudança de andamento, a canção se perde em uma repetição de notas. A letra também não a salva. Ainda bem que, na sequência, vem a música que, na humilde opinião deste redator, é uma das mais injustiçadas de toda a carreira da banda. Novamente contando com Dickinson e Murray como autores, “Judas Be My Guide” é simplesmente espetacular. Desde o seu começo, com um tema crescente que desemboca em um solo maravilhoso, passando pelos versos cantados à perfeição, essa pérola ainda conta com um refrão de arrepiar. O solo do meio é inspiradíssimo. Pena que a banda nunca a tocou em shows.

A penúltima música é novamente uma peça de rock’n’roll, ainda trazendo resquícios do álbum anterior. Harris, em parceria com Gers, novamente brinda o ouvinte com uma faixa bem descontraída e com letra deliciosamente irônica. O primeiro verso “O rebelde de ontem, tolo de amanhã” (The rebel of yesterday, tomorrow’s fool) já mostra a irreverência lírica.

Por fim, a faixa-título, que merece uma análise cuidadosa. O sucesso foi tão estrondoso que, quase um ano após o lançamento do álbum, uma versão ao vivo extraída de “A Real Live Dead One” foi lançada como single, chegando ao 5º lugar no Reino Unido. É a típica canção que nasceu para ser executada em grandes arenas. Ela traz todos os elementos típicos da Donzela: a introdução épica e pomposa, feita para cantar junto; o início sombrio e lento, invocando a clássica “Hallowed Be Thy Name”; as estrofes magistralmente interpretadas por Bruce; o refrão que a fez definitivamente se tornar atemporal e presença obrigatória desde que foi composta; e a duração longa, tipicamente Harris. Além dos atributos listados, ainda narra um típico roteiro de história em quadrinhos – o que efetivamente viria a se tornar algum tempo depois. Não haveria outra para fechar o LP, CD, ou seja lá qual for o formato. Foi a última canção composta pela banda que mereceu receber o rótulo de “clássica”. Ótimas músicas viriam a ser compostas nos seis álbuns futuros, mesmo com Blaze Bayley, mas é notório que nenhuma se tornou obrigatória nas turnês vindouras.

“Fear of the Dark” é um álbum forte e único, que mostra uma banda entrosada. A ordem das faixas é um grande trunfo, pois não tem como ser fraco um disco que abre com uma paulada certeira e encerra com uma obra-prima que rivaliza com os maiores momentos da história da banda e deste gênero musical.

Faixas:
1. "Be Quick or Be Dead" (3:24)
2. "From Here to Eternity" (3:38)
3. "Afraid to Shoot Strangers" (6:56)
4. "Fear Is the Key" (5:35)
5. "Childhood's End" (4:40)
6. "Wasting Love" (5:50)
7. "The Fugitive" (4:54)
8. "Chains of Misery" (3:37)
9. "The Apparition" (3:54)
10. "Judas Be My Guide" (3:08)
11. "Weekend Warrior" (5:39)
12. "Fear of the Dark" (7:16)

Formação:
Bruce Dickinson - vocal
Janick Gers - guitarra
Dave Murray - guitarra
Steve Harris - baixo
Nicko McBrain - bateria

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Sobre Daniel de Paiva Cazzoli

Daniel é bancário, professor de Inglês e Português, fanático por Rock´n´Roll em quase todas as suas vertentes, tendo como início de tudo o quarteto fabuloso de Liverpool.

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