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Andromeda: Jóia rara recomendada para os amantes do Prog Metal

Resenha - Andromeda - Extension of the wish

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Por MATHEUS BERNARDES FERREIRA
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Extension of the Wish é o primeiro álbum da banda sueca de metal progressivo Andromeda. O som da banda se assemelha ao do Dream Theater em complexidade técnica, variações rítmicas freqüentes e a batida em tempos quebrados. Mas de modo algum eles parecem tentar imitar ou plagiar os mestres do prog metal. Andromeda possui identidade própria, com características únicas inconfundíveis.
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Guitarras gêmeas com distorções estranhas abrem The Words Unspoken com alguma referência ao Somewhere in Time do Maiden, porém, ao aparecerem os efeitos de teclado, percebe-se que a música apresenta influências bem mais sinistras. O tecladista Martin Hedin deve ter sido DJ de bailinhos dance durante sua adolescência no começo da década de 90, pois o que o cara espalhou efeitos de música eletrônica por toda parte não é brincadeira. O vocal cheio de efeitos de Mackrory só reforça essa idéia, soando a Mike Patton nos seus primeiros álbuns com o Faith no More, mas não tão enfadonho. Sua voz parece qualquer coisa menos metal, talvez um eletro-grunge ou anomalia similar. Com refrãos e a maioria dos riffs dançantes, a música parece se contrariar com passagens instrumentais de bateria quebrada e solos fritados. Marinheiros de primeira viagem terão dificuldade de entrar nessa música.

Crescendo of Thoughs abre com uma batida logo errada, um riff de guitarra sintético e um solo de teclado sinistraço, aferindo forte sugestão a outros mundos ou dimensões. Os versos e principalmente o refrão são melódicos e cativam à primeira ouvida. Aqui as passagens musicais estão bem mais organizadas e as alternâncias rítmicas melhor encaixadas. A música é enérgica do começo ao fim, não pára um instante. Diversão para toda hora

Em In The Deepest of Waters a porradaria come solta desde a fantástica introdução com riffs de guitarra e contrabaixo puxados do death metal. Lejon estava particularmente possesso nessa música, alternando diversas vezes a condução, mas sempre mantendo a pegada insana. Quando de súbito a música pára, ouve-se o surgir de um efeito de teclado alienígena que abre uma seção rítmica cadenciada, com versos cantados suave e friamente, fazendo um contraste é interessante com a porradaria. A música empolga do começo ao fim, principalmente na seção instrumental. Brilhante.

Versão Andromeda de YYZ e Ytse Jam, em Chameleon Carneval todos os instrumentistas têm a oportunidade de mostrar suas habilidades. A música é incontestável. Em nenhum momento soa maçante e não apresenta qualquer passagem despropositada com finalidade de encher lingüiça. A identidade musical da banda tem em Chameleon Carneval seu melhor exemplo.

Energia transborda na música mais agressiva do álbum, Starshooter Supreme. Não que os riffs sejam tão pesados, pois, juntos aos efeitos de teclado, em alguns momentos soam até alguma sinistra variação de Deep Purple. É no vocal que a música ganha seu aspecto trash/death. Mackrory rasga a voz bonito, demonstrando sua versatilidade e consegue um ótimo resultado. Lejon desce o braço a maior parte do tempo e dá show nas alternâncias de condução. A música toda soa um metal psicodélico supremo. Não é pra qualquer um.

Na mais expressiva composição da banda, Extension of the Wish, temos tudo o que uma música de prog metal deveria ter. A introdução é excelente, dando a impressão de se tratar de uma balada pelo começo em dedilhado acústico, mas a coisa só progride com a entrada dos outros instrumentos. O vocal sintético do Mackrory está genial, totalmente diferente da música anterior, soa como uma digna reinterpretação da banda Cynic. A longa progressão instrumental após o segundo refrão é de extremo bom gosto. Mesmo apresentando batida quebrada e excêntricos efeitos de sintetizador, a música permanece perfeitamente coesa. O trecho em dedilhado que começa em 8:50 é de arrepiar. Obra prima.

Arch Angel é uma música equilibrada e acessível, com todas as características apresentadas no decorrer deste álbum. Alguns riffs e efeitos dão um toque árabe à composição. Os vocais calmos e um tanto melancólicos se mesclam muito bem ao clima da música. Os caras atenuaram a pegada e adicionaram elementos espaciais e ambiente, criando maior fluência e uma sensação mais amistosa do que no restante do álbum.

Na época do lançamento de Extension of The Wish, Johan Reinholdz também estava envolvido na banda de death metal Non Exist, o que explica o excesso de riffs pesados e com distorções características do gênero. O estilo de Martin Hedin é muito parecido com o do tecladista do Dream Theater Jordan Rudess, o homem é endiabrado e abusa da criatividade. Os teclados atribuem ao Andromeda sua faceta progressiva e criam um ambiente único de rock espacial, repleto de excêntricos efeitos típicos da música eletrônica. Lejon domina a bateria e consegue resultados excepcionais tocando em tempos quebrados. Em momento algum os sons carregados das guitarras e do teclado soterram o contrabaixo de Gert Daun, que permanece sempre audível e somando ao conjunto sua pegada distorcida.

Agora, é no inusitado vocal de Lawrence Mackrory que este álbum tem o seu maior diferencial. À primeira ouvida sua voz é de se estranhar, mas com o passar das músicas podemos notar como ela se funde perfeitamente com os demais instrumentos e demonstra que é uma peça fundamental da composição. É difícil afirmar se a amplitude do espectro sonoro se deve a versatilidade de sua voz ou aos inúmeros efeitos de vocal. O que é evidente é que a banda não gostou nada do resultado final, como se tivessem se envergonhado da excentricidade de Mackrory. A decisão de não contratá-lo de forma permanente para ocupar os vocais da banda foi o maior erro que a banda cometeu, sem falar na atrocidade que foi a regração do álbum todo com o inexpressivo David Fremberg como novo vocalista. O desempenho que ele obteve foi inferior em todas as músicas justamente por cantar politicamente correto demais, tornando-se uma faceta séria e sóbria.

Minimizar a ênfase do vocal de modo algum valoriza o trabalho de Reinholdz, Hedin e Lejon, pelo contrário, empobrece o todo e expõe um egoísmo explicado apenas pela falta de maturidade da banda. Depois de toneladas de riffs, quebradeira e efeitos bizarros, Arch Angel fecha o álbum de modo inusitadamente profético, ditando o que Andromeda pretende ser quando crescer. Definitivamente algo diferente do que ouvimos aqui. Isso faz de Extension of the Wish uma obra única. Jóia rara recomendada para todos os amantes do prog metal.

Andromeda
Extension of the Wish, 2001
Prog Metal (Suécia)

Lista de músicas:

The Words Unspoken (5:28)
Crescendo of Thoughts (5:25)
In the Deepest of Waters (7:07)
Chameleon Carneval (5:00)
Star Shooter Supreme (5:18)
Star Shooter Supreme (5:18)
Arch Angel (5:55)

Tempo total: 44:18

Músicos:

Lawrence Mackrory / vocal
Johan Reinholdz / guitarra
Thomas Lejon / bateria
Martin Hedin / teclado
Gert Daun / baixo

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