Aerosmith: Vale a pena conferir o "Done With Mirrors"

Resenha - Done With Mirrors - Aerosmith

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Por Ronan Veloso
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Em 1985 a banda retorna com sua formação original para a gravação do Done With Mirros, considerado por muitos como um álbum dispensável. Mas vale a pena conferir com mais cautela, pois se trata de um trabalho bastante significativo para o Aerosmith e digno de seus melhores momentos.
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Depois do lançamento de Night In The Ruts (1979), Joe Perry e Brad Whitford, deixam a banda e se aventuraram em carreiras solos. Para seus lugares entraram Jimmy Crespo e Rick Dufay, que culminou no lançamento de Rock In A Hard Place (1982). Este último álbum soa tão bizarro para a banda, público e critica que foi praticamente esquecido e nenhuma das músicas são executadas ao vivo, até hoje!

Em 1985 estavam todos muito ansiosos para o retorno da formação original da banda. O Aerosmith trocou de gravadora, saindo da Columbia e assinando um contrato com a Geffen. Abandonaram a produção de Jack Douglas e contrataram para produzir o álbum Ted Templamen, que era o responsável pelo estrondoso sucesso do Van Halen no final dos anos 70 até meados dos anos 80.

A expectativa para este novo lançamento era grande, porém o álbum parece não ter agradado nem a crítica, nem aos fãs. Foi um verdadeiro fracasso comercial! Mas foi um álbum injustiçado! Vamos analisar detalhadamente:

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O mercado do rock mundial estava sofrendo transformações importantes nesta época. O rock nos anos 70 estava cada vez mais perdendo sua força e originalidade. Em contrapartida bandas do Glam Metal ou Hair Metal, lotavam arenas e tinham todo o destaque!

O Aerosmith por sua vez estava tentando se reinventar, para sobreviver em um mercado cada vez mais competitivo e lançaram um disco “em cima do muro”.

Não abandonaram completamente suas origens que em outrora tinha os transformado na maior banda da América, e precisavam encontrar algum tempero para competir com Bon Jovi, Van Halen, Def Leppard, etc.

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Vamos conhecer melhor Done With Mirros:

1 - Let The Music Do The Talking: Esta música foi retirada do 1º trabalho solo de Joe Perry, com arranjo e letra alternados, esta música é digna do melhor momento de Done With Mirros, um rock de arena direto, com um refrão que entra em sua cabeça. Um riff poderoso de Joe Perry, e finalmente a voz rouca de Steven Tyler estava em seu melhor momento. Esta foi a única música que ganhou um vídeo clip.

2 – My Fist Your Face: Esta mantém a pegada inicial do álbum. Os instrumentos todos muito bem executados, um baixo alto e poderoso tornam a faixa bem interessante.

3 – Shame On You: A partir desta as coisas começam a ficar mais devagar. Apesar disto esta música é cheia de “groving”, lembrando com bons olhos “Hey Hey What Can I Do” do Led Zeppelin.

4 – The Reason The Dog: Aqui nota-se claramente a influência de Ted Templamen, levando a banda para ingredientes que deram certo com o Van Halen. Mais uma vez vale a pena lembrar que todos os instrumentos são muito bem tocados, sem excessos e extravagâncias, mas com uma preocupação exagerada em não errar a medida novamente.

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5 – Shela: Com uma introdução de bateria, bem própria das bandas dos anos 80, esta música distância o Aerosmith das suas raízes, porém já indica o que está por vir anos mais tarde no multiplatinado Permanent Vacation.

6 – Gypsy Roots: Mais uma vez a banda tenta se encontrar através de um som mais gingado, que só pôde ser aperfeiçoado em 1993 em “Eat The Rich” do Get A Grip. O interessante é perceber uma banda tentando ressurgir das cinzas, ainda traumatizada pelas nuvens negras de Rock In A Hard Place e de todo o período obscuro das drogas.

7 – She’s On Fire: Aqui retomam a excelente qualidade do início do álbum. Um trabalho de vocal perfeito de Steven, e uma guitarra acústica soando como um Aerosmith rejuvenescido. Esta música ganhou um vídeo clipe anos mais tarde, no lançamento da Videografia Big One’s.

8 – The Hop: Embora com uma criatividade limitada pela nuvem negra que ainda não tinha se dissipado completamente, esta faixa não chega a manchar Done With Mirrors.

9 – Darkness: Talvez a pior música do álbum, pouco convincente, mas mais uma vez muito bem executada.
Certa vez, Joe Perry comentou que o pior álbum do Aerosmith é justamente Done With Mirrors, mas discordo dele!

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Este álbum não repercutiu como nenhum dos sucessos dos anos 70, e também como seus posteriores no final dos anos 80, porém foi um divisor de águas para a banda. Foi justamente através desde registro que os fãs e crítica se prepararam para receber o Permanent Vacation e posteriormente o aclamado Pump. Talvez se não fosse por este álbum, o Aerosmith estaria fadado ao fracasso, como aconteceu com Axl Rose e seu Guns N’ Roses, após o lançamento do inspirado, porém fracassado Chinese Democracy.

Sem esquecer que Michael Anthony do Van Halen, havia dito certa vez que o Van Halen era uma banda que sempre vendeu milhões de álbuns, porém não tinha singles de sucesso. Talvez tenha sido isso que Ted Templamen tenha tentado fazer na produção deste álbum.

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