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Dream Theater: álbum auto intitulado é apoteótico

Resenha - Dream Theater - Dream Theater

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Por Guilherme Fernandes
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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O Dream Theater talvez seja a banda mais amada e odiada do planeta. Algumas pessoas gostam. Outras odeiam. Particularmente, gosto bastante das passagens intrincadas, levadas sinuosas e as insólitas combinações e tempos quebrados. Entretanto, detesto praticamente todas as baladas. Com exceção de "Hollow Years" e "Forsaken", a melação de suas músicas mais calmas me dá náuseas. Gosto do Dream Theater, mas não vejo nada de mais no "Images And Words". E gosto bastante do "Systematic Chaos".
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Quando Mike Portnoy foi enxotado do Dream Theater, confesso que senti um alívio. Sempre o achei grande demais para a banda. Petrucci também. Seu álbum solo, "Suspendend Animation" é melhor do que muitas peças de sua banda principal. Quando a banda, numa tentativa errônea de se autopromover, fez um reality show para escolher seu novo baterista, joguei meu ingresso da tour do "Octavarium", guardado com tanto esmero – foi a primeira vez que passei mal em shows, por ter lutado para ficar na grade. Épico –, fora. O Dream Theater não precisa de sensacionalismos. Sua música fala por si só. Eles nunca serão uma banda de arenas. Eles se preocupam em tocar seus instrumentos, por isso nunca serão.

Não é preciso ver o documentário "The Spirit Carrie On" mais de uma vez para deduzir que Mike Mangini seria o escolhido. Mangini é um baterista que beira a perfeição. É dócil. Não causa problemas. Não exige por holofotes. Diferente dos outros selecionados, era o membro perfeito para o Dream Theater.

Tão logo Mangini foi incorporado à banda, o insosso "A Dramatic Turn Of Events" foi lançado. Do álbum só podemos tirar uma conclusão: as programações de bateria de Petrucci são mais pobres do que mendigos na Etiópia. "Build Me Up, Break Me Down" salva a pele da banda. E Mangini, coitado, apenas executou o que John cuspiu. Uma cuspida muito mal feita, diga-se.

Em 2013, o Dream Theater lançou um novo álbum, autointitulado. O primeiro a contar com Mangini no processo de composição. Se existe alguma forma de obterem-se orgasmos, talvez esse álbum seja o caminho. Não é perfeito. Enquanto um álbum do Dream Theater contiver baladas melosas, nunca será perfeito. Talvez eles toquem tão bem que não queiram chegar à perfeição. Quem sou eu para julga-los?

Depois de uma introdução, para dizer o mínimo, broxante, o álbum de fato começa. Não se deixe enganar por introduções. Tirando as introduções dos álbuns do The Black Dahlia Murder e do As Blood Runs Back, eu sempre pulo as introduções a partir da segunda audição. “The Enemy Inside”, primeiro single, é frenética. Se perde na qualidade acima da média do álbum, mas ainda assim é frenética. Uma bela estratégia do Dream Theater. Melhor que um reality-show de mentira. “The Looking Glass” dá uma acalmada nos ânimos. Uma ótima faixa. Possivelmente, seu lugar no tracklist foi muito bem pensado. Se, após de “The Enemy Inside”, “Enigma Machine” fosse à faixa seguinte, facilmente o álbum seria um dos melhores de 2013. E o Dream Theater não busca a perfeição.

Desde 2003 a banda não compunha uma faixa sem voz. A ultima foi “Stream of Consciousness”, do “Train of Thought”. Com “Enigma Machine”, Mike Mangini finalmente entrou na banda. E não sairá mais. Portnoy será, em breve, o segundo melhor baterista do Dream Theater. Depois do “Six Degrees Of Inner Turbulence”, começou a fazer as coisas no piloto automático. Seu piloto automático é muito bom, mas não era eterno. Sua participação no Avenged Sevenfold foi mais relevante que no “Black Clouds & Silver Linings”. Mangini não. Foi um ótimo empregado em “A Dramatic...”. Agora, dono das baquetas, com certeza fará história dentro da banda.

“The Bigger Picture” é uma boa música. “Behind The Veil’, mais uma obra-prima. “Surrender To Reason”, meio modorrenta, mas uma ótima faixa, quando engata. “Along For The Ride” é uma balada. E eu odeio as baladas do Dream Theater. Algo me diz que eles também odeiam. Tocam como se o mundo inteiro fosse dormir com a sua execução. E eu quase dormi, não fosse, em seguida, a épica “Illumination Theory”.

Dividida em cinco partes – a saber, I. Paradoxe de la Lumière Noire, II. Live, Die, Kill, III. The Embracing Circle, IV. The Pursuit of Truth, V. Surrender, Trust & Passion – “Illumination Theory” quase deu nome ao álbum. Se tivesse dado, todos os fãs iriam diretamente à faixa e esqueceria todas as outras. Muitos fizeram isso em “Octavarium”. Eu fiz isso em “Octavarium”. Só escutei o álbum completo dois dias depois de ouvir incessantemente a faixa título. Ainda bem que Dream Theater aprende com seus próprios erros.

O que falar de “Illumination Theory”? Poderia escrever um livro, que não conseguiria descrever sequer um parágrafo dela. Já que não irei conseguir, é melhor que você escute-a. Talvez seja os 22:17 minutos mais bem gastos de sua semana. Escute-a. Antes, escute o álbum completo. O Dream Theater está de volta. O espírito de seus detratores pode descansar em paz. Pelo menos até o próximo lançamento da banda.

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