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Avenged Sevenfold: Lição de casa feita com competência

Resenha - Hail to the King - Avenged Sevenfold

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Por Gustavo Dezan
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Acompanho o trabalho do AVENGED SEVENFOLD desde o terceiro álbum, “City of Evil”, de 2005. Naquela oportunidade, me chamou a atenção o instrumental que flertava com o power metal tocado por uma banda dos Estados Unidos, país em que o estilo é desprezado. O som dos caras foi então amadurecendo com os trabalhos sucessores, o álbum autointitulado (2007), no auge da criatividade, e “Nightmare (2010)”, o mais pesado, até o recém-lançado “Hail to the King” (2013).
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A expectativa em torno do álbum era grande, por ser o primeiro sem a participação do falecido baterista The Rev na composição. Em 2012 a banda soltou a boa “Carry On”, escrita para o jogo “Call of Duty: Black Ops 2”, que acabou não entrando no disco, mas que já mostrava o novo direcionamento da banda: beber (e muito) da água dos deuses do metal. Para a surpresa de muitos, a música lembra em vários momentos “March of Time” e “Eagle Fly Free”, dois clássicos do HELLOWEEN, banda praticamente desconhecida pelos norte-americanos em geral.

Neste ínterim, os membros da banda deram entrevistas afirmando que “estudaram os clássicos do rock”, e a tendência se confirmou em “Hail to the King”. Mais cadenciado do que os trabalhos anteriores, o álbum apresenta uma banda pesada e madura, porém, com um certo distúrbio de personalidade. Coincidências ou não, referências não faltam a alguns dos maiores clássicos do gênero.

O disco abre com “Shepherd of Fire”, uma música que lembra em muito a construção de “Enter Sandman”, do METALLICA, com uma injeção de melodia e algumas orquestrações soturnas bem características do AVENGED SEVENFOLD. Então a faixa título surge com um riff que remete a “Thunderstruck”, do AC/DC, mas que logo se torna uma música com bastante pegada e notáveis duetos de guitarra, mais uma marca da banda. Esta canção, inclusive, traz um belíssimo solo da guitarra de Synyster Gates, cujo talento é indiscutível.

“Doing Time” é uma faixa mais pancada, que parece um medley de GUNS N´ROSES com uma pitada de VELVET REVOLVER, que mostra uma maior versatilidade do vocalista M. Shadows. A influência de Axl Rose, SLASH e companhia sobre a banda é notória desde o início da carreira nos trejeitos do vocalista e no timbre e técnica das guitarras.

“This Means War”, como já foi muito falado, traz uma semelhança assustadora com “Sad But True”, do METALLICA. A diferença fica por conta da melodia empolgante responsável pelo melhor “bridge” e refrão do álbum, que fica na cabeça. O trabalho das guitarras também é marcante, com mais um grandioso dueto entre Gates e Zacky Vengeance. Com corais e orquestras, “Requiem” mescla “Kashmir”, do LED ZEPPELIN, com um pouco mais de peso e uma atmosfera dark. A esta altura, a bateria cadenciada e arrastada pode mostrar os primeiros sinais de cansaço aos fãs mais antigos.

Com uma introdução dedilhada no melhor estilo METALLICA antigo, “Crimson Day” é uma bela power balada, com um ótimo refrão e um solo de Synyster Gates, mais uma vez inspiradíssimo no SLASH. Já “Heretic”, embora uma boa música, é indefensável. Dá quase para ouvir Dave Mustaine, do MEGADETH, cantando “Symphony of Destruction”. Mesma construção, mesma pegada. Ao menos, nessa música o baterista Arin Ilejay começa a se soltar.

A sequência, “Coming Home”, finalmente acelera o play. Embora tenha uma melodia familiar, não consegui identificar de onde vem, mas parece ter saído de um álbum do IRON MAIDEN. De qualquer forma, é uma boa música, mas passa um pouco a impressão de que está mais para preencher o álbum. Em seguida, entretanto, surge “Planets”, talvez a mais original do disco, que traz todas as características marcantes da banda. Dois pedais, melodias sombrias, orquestrações e Shadows rasgando nos vocais. “Acid Rain” fecha o CD com uma balada grandiosa, com direito a piano e orquestra.

Cópias, coincidências, influências ou homenagens, “Hail to the King” apresenta semelhanças inegáveis que, no saldo final, não comprometem a qualidade do trabalho. Pelo contrário. As criaturas tendem a superar seus criadores porque é muito mais fácil fazer algo novo descartando o que não funcionou no antigo. Vemos exemplos em séries, nos remakes de cinema e na música. Se a originalidade está em cheque, ao menos não se pode negar que a banda é talentosa, competente e fez a lição de casa corretamente, gravando um disco de rock pesado, direto, melódico e sem frescura.

TRACKLIST:

1. Shepherd of Fire – 5:18
2. Hail to the King – 5:02
3. Doing Time – 3:30
4. This Means War – 6:09
5. Requiem – 4:24
6. Crimson Day – 5:00
7. Heretic – 4:53
8. Coming Home – 6:20
9. Planets – 5:58
10. Acid Rain – 6:44

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