Resenha - Histórias e Bicicletas - Oficina G3

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Resenha - Histórias e Bicicletas - Oficina G3

Por Marcos André Farias

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Posso estar sendo equivocado ao afirmar isso, talvez seja porque no álbum anterior –Depois Da Guerra- os solos compostos foram um tanto quanto rápidos de mais (ou sem tanta criatividade. Não eram ruins, mas já ouvi melhores). Talvez a proposta de “Histórias e Bicicletas (Reflexões Encontros e Esperança)” -no que tange a parte instrumental do trabalho- tenha permitido esse, digamos, “despertar” de Juninho Afram para a criatividade dos solos em questão” (não em todas as músicas, já que nem todas contém solos), já que no anterior o peso das guitarras e a rapidez de algumas faixas exigiram outra abordagem dos músicos.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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“Depois Da Guerra” (álbum de 2008) foi mais um dentre os vários divisores de águas que o Oficina G3 teve em sua carreira por estrear o seu quinto vocalista, Mauro Henrique, e por dar outra abordagem no som da banda, que continuaria com o rock progressivo do álbum anterior, mas abordaria o lado mais metal dos músicos.

“Histórias e Bicicletas”, apesar do título, não chega a ser um álbum melancólico. Ele, realmente, frisa mais o lado religioso da banda não tendo um foco específico no metal, mas se aproximando do rock progressivo de “Além do que os Olhos Podem Ver” (2005). Foi difícil achar uma palavra, ou qualquer outro rótulo, para classificar o trabalho mas eu diria que ele é um “Humanos” (álbum da banda de 2002) que deu certo. Quem já ouviu este último CD com o vocalista PG na banda sabe à que tipo de abordagem me refiro. O álbum de 2002 focou demais no som gospel e apesar de ter rendido no clássico “Até Quando” (Hoje em dia cantado por Jean Carlos [Teclados/Vocais Guturais]) mostra um Oficina G3 muito melodioso, talvez até meloso, o que não agradou a todos, embora tenha conseguido um disco de ouro pra banda. Em outras palavras, “Histórias e Bicicletas” traz a mesma abordagem de “Humanos” só que de uma forma bem mais original.

“HB” pode ser considerado também o álbum mais temático da banda tendo o foco no seu encarte direcionado à frases relacionadas a “Reflexões, Encontros e Esperança” e um texto bem interessante de Duca Tambasco no início dele. E, não necessariamente todas, mas a maioria das músicas segue essa ideia. Vale destacar também que o álbum e dedicado a Jackeline Dantas, a falecida esposa de Mauro Henrique no ano passado vítima de um câncer que têm, inclusive, uma das músicas do CD (Descanso) de sua autoria junto ao próprio Mauro Henrique.

Outros fatores que são validos pontuar são:

*Mauro Henrique abandona um pouco o seu drive para realmente mostrar sua voz. Nesse álbum pode realmente se ouvir até onde o vocalista pode chegar, e responde à algumas críticas.

*Os vocais guturais de Jean Carlos não aparecem na maioria das faixas, mas eles aparecem nos momentos certos das músicas. No momento em que elas precisam Jean ergue a voz dando o peso na medida da faixa.

*Teclados abandonam um pouco a violência de “DDG” (que por sinal ficou ótimo. Da pra confundir teclados e guitarras em certas faixas) mas dão, ainda assim, em arranjos incríveis mostrando o talento de Jean que não sei porque não é citado como um dos melhores do Brasil já que é o mais destacado da banda no seu instrumento e em palco.

* O baixo esta muito bem presente, com distorções sim, mas ele esta claramente lá. Nem muito rápido e nem lento mas com o essencial para a música do álbum.

O fato é que “Histórias e Bicicletas” para mim é um álbum bem original, que gerou algumas críticas por não seguir, à risca, a linha de extremo peso do “DDG”, revelando assim um problema do público do metal que é semelhante às frases de Salomão que foram eternizadas pela banda Fruto Sagrado em 2003; “A sanguessuga tem duas filhas. Dá e Dá”. O grande problema de você dar um álbum bom e pesado para o público, é que eles sempre vão pedir “Mais peso! Mais peso!” e nem sempre isso pode resultar em outro álbum bom, e o Oficina G3 acertou em segurar um pouco as rédeas e também em não nos deixar tão “órfãos” de distorções e da bateria rápida de Alexandre Aposan que faz seu “debut” como integrante oficial neste álbum.

Pra finalizar gostaria de destacar que eu ia fazer a resenha do CD apenas analisando faixa por faixa, mas estou evitando este clichê. Porém, não vou deixar de destacar -bem rápido para a resenha não ficar maior do que já esta- os pontos chaves de cada uma delas:

* ”Diz” tem uma rápida introdução, que tem relação com o título do álbum, (escute para saber) e apesar da ausência de solos têm sua pegada progressiva, pesada e um refrão forte (não pegajoso, mas forte).

* ”Água Viva” Mostra claramente o fator “Um Humanos que deu certo” tem uma levada interessante e lá está um dos solos de Juninho Afram que mencionei (vou usar esta frase mais de uma vez) finalizando com os teclados de Jean Carlos muito bem elaborados.

* ”Encontro” Outro solo de Juninho Afram já mencionado.

* ”Confiar” Tem uma onda parecida com a faixa “Incondicional” do álbum anterior. Os violões são tocados por Mauro Henrique e lá está outro solo de Juninho Afram também já mencionado.

* ”Não Ser” É a minha favorita. Mostra uma outra abordagem para uma música pesada. Pode se dizer que a letra é um tanto quanto sombria em alguns momentos (se tratando de Oficina G3) Se prestar atenção ela faz referências a queda de Lúcifer do paraíso em um certo momento da música. E Aqui estão os vocais guturais bem encaixados. Escute a música até o fim e vai realmente entender do que estou falando. Ausente de solo.

*”Compartilhar” tem outro grande solo de Juninho Afram e me faz suspeitar até se Dave Mustaine e o guitarrista do Oficina não frequentam a mesma igreja (sim, foi sarcasmo) uma boa faixa por sinal, outro destaque à Jean Carlos.

*”Descanço” deveria estar no álbum de 2008 já que carecia de boas baladas. Poderia entrar no lugar de “Continuar”, “Tua Mão” e até mesmo “Obediência”.

*”Aos Pés da Cruz “ é uma regravação de um clássico da música gospel composta por Kléber Lucas. Mais um solo de Juninho.

*”Sou Eu” É outra forma de dizer como “Humanos” poderia ter dado certo. Também ausente de solos.

*”Lágrimas” é outra aula de como “Humanos” teria dado certo. É uma das mais bonitas. Difícil de classificar como balada já que têm uma pegada envolvente. Destaco aqui Mauro Henrique que faz o mais simples de forma muito bem feita. Simplesmente cantar, e deixar a música levar a voz por si só. Ausente de solos mas você nem percebe, te garanto.

*”Save Me From Myself” uma regravação de Michael W. Smith com outro sensacional solo.

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