Black Sabbath: "estes dias estão próximos do fim!"

Resenha - 13 - Black Sabbath

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Por João Paulo Linhares Gonçalves
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Durante o ano de 2012, tivemos algumas novelas envolvendo o Black Sabbath: primeiro, a disputa com o baterista Bill Ward, que não aceitou os termos oferecidos a ele para a reunião. Mais dramática, porém, foi a revelação de que Tony Iommi tinha sido diagnosticado com linfoma. Esta última acabou minando um pouco a reunião, se revelando um fator limitador para a banda, que se viu obrigada a fazer poucos shows - ano passado, foram apenas três, em grandes festivais como Download, na Inglaterra, e Lollapalooza, nos EUA (para as demais datas que foram anunciadas, rolou um show com Ozzy e seus amigos...). Iommi partiu para tratar sua doença e, quando podia, se reunia com os demais integrantes para adiantar a composição e gravação do novo álbum. Com produtor decidido, o barbudão Rick Rubin, faltava definir quem seria o baterista. Com Ward fora da jogada, muita gente quis (e achou) que Vinny Appice assumisse as baquetas, já que ele vinha tocando com Iommi e Butler no Heaven & Hell, mas Rubin acabou indicando Brad Wilk, do Rage Against The Machine. No comecinho deste ano, o nome do álbum e a participação de Brad foram anunciadas. Em abril, surgiu o primeiro single, "God Is Dead?", e aos poucos outras faixas foram reveladas conforme foram tocadas ao vivo nos shows da banda na Oceania. O álbum saiu no começo de junho e foi direto para o primeiro lugar das paradas americana e inglesa, um feito que a banda não fazia desde "Paranoid" (na Inglaterra - a banda nunca tinha conseguido o primeiro lugar nos EUA).
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Muita gente já teceu sua opinião sobre este álbum. Na ânsia de falar logo, não devem nem escutar o álbum direito... Eu sempre solto a minha um pouco depois, escuto umas seis, oito, dez vezes. Tento me acostumar com o disco, perceber suas qualidades e defeitos. E um defeito que me chamou a atenção nada tem a ver com composições ou performances dos músicos. Tem a ver com a famosa masterização em níveis muito altos, dando a impressão que o som está distorcido, a tal compressão que ficou famosa quando do lançamento de "Death Magnetic", do Metallica. Pois é, mesmo produtor...

Polêmicas a parte, o álbum tem grandes qualidades. Logo na abertura, "End Of The Beginning" traz aqueles riffs de primeira de Tony Iommi, e um pouco de lembranças da primeira música do primeiro álbum da banda - sim, lembra "Black Sabbath" em seu começo, nenhum problema, vamos permitir os nossos heróis se auto-imitarem um pouco (no final, a canção toma um rumo meio que parecendo com "Dirty Women"...). E conforme você escuta a canção, mais ela fica na sua cabeça, os versos e a voz de Ozzy cantando. É, Ozzy se saiu bem neste disco, cheguei a ficar com receio de sua performance... "God Is Dead?", o primeiro single do álbum, é outra muito boa, uma de minhas preferidas, a letra trazendo a polêmica religiosa, Geezer sempre nos presenteando com essas letras - e com uma performance incrível de baixo também! Aquele comecinho com o dedilhado e o peso entrando depois, realmente me ganharam. E assim, com essas duas canções, se passaram mais de 16 minutos. A terceira, "Loner", é talvez a melhor do disco, mais curta e direta, riff certeiro, esta tem tudo para se transformar em um clássico. "Zeitgeist" é a lentinha, meio acústica, os álbuns antigos do Sabbath sempre tinham esse momento mais calmo, e essa seria a "Planet Caravan" do século 21.

"Age Of Reason" é outra mais longa, começa com Iommi escancarando em mais um belo riff, e dá uma quebrada no meio, pra depois crescer - essa crescida melhora bastante a canção. "Live Forever" acelera um pouco e me agrada mais, uma levada muito boa, outro destaque do álbum. E acabo de perceber que estou preferindo as canções mais curtas, que são minoria no álbum... "Damaged Soul" é mais arrastada, sonoridade da guitarra meio suja, a que menos gostei do disco. Fechando o álbum, "Dear Father", mais direta e dentro da proposta do álbum, o finalzinho totalmente clássico desta canção fecha muito bem este novo trabalho da banda. Até colocaram a introdução de "Black Sabbath" fechando o álbum, uma boa referência, ficou legal.

Não me pergunte se este álbum é tão bom quanto os clássicos dos anos 70 - escuto aqueles clássicos há tanto tempo que seria injusto com esse novo petardo. Posso afirmar, sim, que se trata de um genuíno produto do Black Sabbath, com Ozzy Osbourne nos vocais depois de 35 anos, e que eu gostei muito. Diante de todas as circunstâncias, o resultado ficou excelente. Deixemos o tempo nos responder qual será sua posição diante da rica história da banda. Por agora, apenas curta este belo disco e aproveite enquanto os criadores do heavy metal ainda estão na ativa - estes dias estão próximos do fim!

Relação das músicas do álbum:
1 - "End Of The Beginning"
2 - "God Is Dead?"
3 - "Loner"
4 - "Zeitgeist"
5 - "Age Of Reason"
6 - "Live Forever"
7 - "Damaged Soul"
8 - "Dear Father"

Vale um parágrafo aqui sobre as quatro faixas bônus: "Methademic" foi a que mais me agradou, com levada mais acelerada e duração mais curta. Particularmente, eu a colocaria no disco principal, no lugar de "Damaged Soul", bem melhor. "Peace Of Mind" e "Pariah" são boas canções, talvez um degrau abaixo das demais. Mas, sinceramente, essa versão deluxe vir com dois discos só por causa dessas três canções que, juntas, somam uns 15 minutos é sacanagem... A quarta faixa bônus é "Naiveté In Black", e é exclusividade da versão vendida pela rede Best Buy, dos EUA. Também tem levada mais acelerada, e tem qualidade próxima a "Methademic". Pelo visto, o produtor Rick Rubin preferiu as canções mais longas e arrastadas - estas mais rápidas foram preteridas e jogadas pro segundo disco...

Alguns vídeos:
"End Of The Beginning":

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"God Is Dead?":

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"Loner":

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"Methademic":

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"Naiveté In Black", a faixa bônus exclusiva da Best Buy:

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Um abraço para vocês, com muito metal na veia! Até a próxima!!

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Sobre João Paulo Linhares Gonçalves

Roqueiro convicto, de carteirinha, desde os treze anos de idade. Já tive diversas bandas preferidas: de Iron Maiden, Metallica e Black Sabbath a The Who, Pink Floyd e Rolling Stones. O heavy metal sempre me atraiu muito, mas o rock praticado nos anos 60 e 70 é fascinante e estou sempre escutando. De vez em quando, dou chance ao punk, rock alternativo, blues, até ao jazz e MPB, pra variar.

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