Resenha - 13 - Black Sabbath

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Resenha - 13 - Black Sabbath


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No quesito “expectativas antecipadas”, acho que nenhum disco lançado em 2013 vai superar “13”, o aguardado álbum de inéditas do Black Sabbath, o 19º de sua carreira, o primeiro lançamento completo de inéditas com Ozzy Osbourne nos vocais desde “Never Say Die!” (1978). Estamos falando do retorno dos chamados “pais do heavy metal” e, portanto, era de se esperar que a maior parte dos fãs tivesse colocando uma carga enorme sobre o lançamento do álbum, erguendo a barra de qualidade no mesmo nível de um “Master of Reality”, “Vol.4” ou “Sabbath Bloody Sabbath”. Pode não ser lá muito justo com o artista, mas é natural, afinal, que os ouvintes tenham esperanças de que um novo clássico está para nascer. Outra fatia de fãs, no entanto, tentou relativizar o retorno, dizendo que a fragilidade vocal de Ozzy ou a ausência do baterista original, Bill Ward, jamais permitiram que saísse coisa boa daí. Interessante constatar, todavia, que ambos os lados estavam errados. “13” não é um clássico, não é histórico, extraordinário. Mas a reunião destes cavalheiros ainda tem uma boa química, ainda é capaz de causar uma mistura explosiva, vigorosa, cheia de estilo. Pode não ser o melhor Black Sabbath. Mas ainda é um Black Sabbath de qualidade. E isso, senhoras e senhores, já é muita lenha para queimar.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Assim que o primeiro single, “God Is Dead?”, pintou na web, não faltaram comentários do tipo “mas isso se parece muito mais com a carreira-solo do Ozzy do que com o Black Sabbath!”. Não acho a comparação justa, nem de longe: afinal, ao longo da faixa, vibra de maneira inconfundível aquele baixo de tonalidade tétrica de Geezer Butler. Mas juro que entendo, pelo menos em parte, o incômodo causado pela voz do frontman original do grupo. Enquanto, no retorno do Sabbath sob a alcunha de Heaven & Hell, o cantor Ronnie James Dio provou estar quase que no ápice de sua extensão vocal, aqui vemos um Ozzy longe de seus dias de glória, um tanto monocórdico, interpretando pouco. Mas é preciso fazer justiça: mesmo limitado, o tom que ele dá para as canções deste Black Sabbath é mais sombrio e soturno do que aquele que se ouve em seus últimos discos-solo. O motivo é claro: enquanto bolachas como a recente “Scream” colocam o Sr.Osbourne para cantar sobre canções propositalmente mais breves e quase histéricas, falando a língua do rock pesado praticado pelos jovens bangers de hoje, aqui ele é “obrigado” a seguir um andamento mais tenso e denso, parecendo menos maníaco e mais macabro. Menos Freddy Krueger e mais Hannibal Lecter, por assim dizer.

“13” é pródigo em canções longas, nas quais Butler e principalmente o magistral Tony Iommi (em plena luta contra o câncer, leia-se) têm espaço de sobra para brilhar, improvisando no blues satânico “Damaged Soul”, socando a paulada na vigorosa “Age of Reason” (verdadeira aula de peso!) ou mesmo derretendo-se em psicodelia acústica anos 70 na deliciosa “Zeitgeist”, que alguns já se apressaram em chamar de “a nova Planet Caravan”. Seria lindo ter Ward nas baquetas? Mas é claro que sim, teria sido o sonho molhado de qualquer fanático pelo Sabbath. Mas existe uma coisa no mundo chamada “dinheiro”, um amontoado de pedaços de papel que acabaram afastando o músico desta reunião, não importando do lado de quem você está ou mesmo quem está certo de verdade. O fato é que, mesmo sem se acertar com Ward, os outros 3/4 da banda resolveram seguir em frente. Para substitui-lo, Ozzy pensou em seu próprio comandante da bateria, Tommy Clufetos. Mas algo ainda não esclarecido aconteceu no estúdio de gravação. Há quem diga que foi o produtor Rick Rubin que aconteceu – e Brad Wilk, do Rage Against the Machine, foi convocado para tocar ao lado dos mestres. Ouvi-lo sentando o braço com os caras do RATM pode passar a impressão errada sobre as suas habilidades. Quem acompanhou a sua performance com o Audioslave já sabia de seu lado mais melódico, cheio de groove, ajudando a dar peso e personalidade à cozinha comandada pelas cordas de Geezer. Funcionou muito bem.

Há ainda que se dedicar um parágrafo especialmente para a produção de Rubin, produtor controverso cuja mão pesada já passou por nomes diversos como Slayer, Red Hot Chili Peppers, System of a Down, Limp Bizkit, Weezer, Dixie Chicks, Shakira e o recente “Death Magnetic”, do Metallica. No início do projeto, Rubin deixou claro que queria ver o Sabbath soando como o bom e velho Sabbath dos primeiros álbuns, dando-lhes como lição de casa a missão de estudarem a si mesmos em suas versões mais jovens. Há quem reclame, no entanto, que para o Sabbath soar mais old fashioned, seria necessário que o produtor pesasse um pouco menos, fazendo as faixas soarem menos “limpinhas”, registrando-as com um ar sujo e natural, muito mais de estúdio. Os audiófilos argumentam ainda que ele exagerou demais na compressão, colocando o volume da masterização lá em cima e quase distorcendo (negativamente, veja) as guitarras de Iommi e a bateria de Wilk. Com todo o respeito a ambas as correntes, sou obrigado a dizer que, tenha feito Rubin o que fez, ele jamais conseguiria apagar a mágica que “13” emana quando você aperta o “play”.

“13” é um álbum muito bom. Um dos grandes lançamentos do ano. Mostra lindamente um trio de músicos veteranos ainda em excelente forma (em especial no que tange a Iommi e Butler), executando novas canções que podem ser descritas de maneira resumida como “dignas”. Estão longe de ser uma tentativa vergonhosa de reunião: são músicas inteligentes, maduras e, principalmente, com arranjos de ótimo gosto e com ares de modernidade, que se enquadram na discografia recente do Sabbath sem pedantismo. Estes senhores britânicos não vieram dispostos a fazer uma mera cópia de seu passado – vieram, isso sim, provar que continuam sendo relevantes para o cenário da música pesada. E provaram.

Tracklist:
End of the Beginning
God Is Dead?
Loner
Zeitgeist
Age of Reason
Live Forever
Damaged Soul
Dear Father

Line-up:
Ozzy Osbourne – Vocal
Tony Iommi – Guitarra
Geezer Butler – Baixo
Brad Wilk – Bateria

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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