Resenha - Super Collider - Megadeth

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Resenha - Super Collider - Megadeth

Por Lucas Dantas

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Você quer thrash metal? Então tem um monte de discos para você nas lojas por aí. Mas se você quiser um ótimo disco de rock/heavy, Super Collider é uma excelente pedida. Depois da faixa-título que torceu muitos narizes, o resto do CD mostra que o Megadeth ainda é uma das principais bandas do gênero e que Mustaine sabe fazer música diferente do usual.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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O novo disco do Megadeth veio recheado de muita expectativa. Com Slayer fora de combate momentaneamente, Metallica lançando filme e o Anthrax em turnê, a banda de Mustaine foi a única do Big Four a apresentar um novo trabalho (e ainda deverá a ser por muito tempo, dadas as previsões). E Super Collider mostra um Megadeth seguindo a linha dos últimos álbuns, c om ótimos momentos e algumas músicas que parecem preencher espaço no cd. Não que isso as torne fracas, muito pelo contrário, mas em termos de material para se aproveitar ao vivo, esse cd não deverá fornecer muita coisa. Endgame, o melhor desde a "volta" com o System Has Failed, teve sete de suas 11 músicas utilizadas em shows. Já o TH1RT3EN contou com apenas quatro de 13. E tenho para mim que um cd onde a maioria do material não "serve" para shows, não deixa uma marca tão forte, mesmo sendo muito bom (como é o Youthanasia).

Antes de falar das músicas, vale ressaltar uns pontos do cd como um todo. Primeiro a afinação. Algumas pessoas podem estranhar, mas a banda desceu um tom nas guitarras e o som ficou bem mais pesado. Claro que em músicas novas isso não faz muita diferença, mas pega os vídeos com eles tocando as antigas e vocês perceberão a mudança. Talvez tenham feito isso por conta da voz de Mustaine, e de fato não temos nesse cd aqueles gritos clássicos do Megadeth. Os "snarls" característicos ainda estão lá, mas Mustaine nunca foi um grande cantor. Não seria agora aos 51 que ele viraria um Bruce Dickinson...

Outro ponto é mais precisamente o guitarrista Chris Broderick. Que ele toca muito, isso até um surdo sabe. Mas já é o seu terceiro disco com o Megadeth e ele não apresentou nenhum solo marcante, daqueles memoráveis. Técnica, ele tem de sobra, mas para tocar rápido e fazer a mão parecer ter uns 20 dedos a mais. Só que a melodia dos solos, isso ele ainda não mostrou. Nenhuma linha marcante. Não quero comparar com Marty e suas guitarras que choravam nos clássicos. Broderick tem um estilo diferente, mas nesse terceiro disco ele se mostrou mais uma vez um cara que toca muito bem e rápido.

Super Collider abre com a poderosa Kingmaker, que aliviou boa parte dos fãs que não curtiu a faixa-título. Direta e reta, logo foi comparada a Children of The Grave (precisa dizer de quem?) pela linha de vocal. O riff também lembra bastante Judas Priest, de quem Mustaine é muito fã. Uma ótima música para abrir o cd e pelos vídeos que rolam por aí, sai muito bem ao vivo.

Na sequência vem a polêmica Super Collider. Arrastada, vocal puxado, solos sem criatividade, letra simples, nada a ver com o que o título propõe. Ao invés de partículas, átomos, velocidade e explosão, uma música sobre um conselho pruma pessoa que tá xatiada e outra dizendo "vem na minha que eu te ajudo".

Burn traz de volta o cd pro heavy metal. A base cadenciada é muito parecido com o que a banda vem fazendo ao longo dos anos, lembrando Burnt Ice, do United Abominations. Refrão um pouco clichê.

Built for War é daquelas que precisa ser tocada ao vivo. Muito Megadeth, principalmente nessa nova fase. Tem um clássico "ooooooo" para a galera cantar e a bateria nos bumbos duplos dá uma bela velocidade. Um dos melhores momentos do CD, com certeza.

Off The Edge é um hard que também segue a linha atual do Megadeth. Me lembrou Tears in a Vial, do System Has Failed, com uma base daquelas que é impossível ouvir sem mexer a cabeça. O duelo de solos também é interessante.

A seguinte é Dance In The Rain, que a primeira vez que ouvi me soou estranha, mas depois fui acostumando e hoje estou completamente alucinado pela música. A forma como vai crescendo até o refrão é espetacular. Sombria, com um fundo lindo e a voz se encaixou perfeitamente. Tomara que toquem ao vivo. Não é para agitar, é música para se ouvir e observar a execução de uma sequência de riffs que poucas pessoas sabem fazer. E na porradaria final, aí sim, cair dentro da roda.

As três músicas seguintes são o que falei lá em cima sobre "preencher espaço". Beggining of Sorrow definitivamente não tem cara de Megadeth. Refrão cansativo, música arrastada, achei fraca. The Blackest Crow também parte para uma linha diferente, gostosa de ouvir, mas nada marcante. E Forget To Remember pode perfeitamente ser tocada nas rádios. Não que isso seja pejorativo. Não é, pelo contrário. Rock do bom, riff clássico, refrão pegajoso e tocando depois dessas duas, ganha um aumento de qualidade considerável. Acredito que deverá figurar nos shows, pois tem cara de funcionar ao vivo. Mesmo assim, não é dos momentos mais fortes de Super Collider.

Don't Turn Your Back era uma das mais esperadas do cd e o riff inicial explica porque. Temos aí uma música porrada, como os fãs gostam. É a menor música do cd, e simples como às vezes tem que ser. Riff, refrão, solo, riff, refrão, solo... Tudo com uma bateria soltando os bumbos no fundo. Ótima faixa!

E o cd finaliza com um cover bem, mas BEM hard rock de Cold Sweat, do Thin Lizzy. Independentemente dos motivos de enfiar um cover no cd, a música ficou ótima e fecha muito bem o Super Collider.

Resumindo, Super Collider não será um dos maiores álbuns do Megadeth. Fica bem atrás do maravilhoso Endgame e do United Abominations, só para citar os últimos. Mas é mais direto, agradável e fácil de ouvir que o TH1RT3EN. É recomendado para quem gosta de rock/heavy muito bem feito. Mas se você for daqueles fanáticos "só quero porradão Holy Wars para sempre", tá cheio de vídeo no You Tube para te satisfazer.

E só para completar, isso é minha opinião. Ninguém precisa concordar e cada um ouve de uma forma. Só dispenso debate com fanático que nunca vê defeito. Aí não tem como conversar.

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