Resenha - 13 - Black Sabbath

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Resenha - 13 - Black Sabbath


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Fazer uma análise imparcial e puramente técnica acerca de “13” não é uma tarefa fácil, até porque estamos falando do disco mais esperado da história do heavy metal. Desde que o estilo foi forjado, no início dos anos 70, por esse mesmo grupo, nunca um álbum foi tão aguardado como esse, que marca o retorno de Ozzy para um disco totalmente inédito, juntamente com seus antigos parceiros Geezer Butler e Tony Iommi. E não só, pois desde 1995, ou seja, há 18 anos (quando lançaram “Forbidden”), o BLACK SABBATH não lançava um disco inédito (não vamos contar o álbum do HEAVEN AND HELL, certo?!).

Nota: 7

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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E, como era de se esperar, “13” não traz nada de novo, até porque não era esse o intuito da banda quando se reuniu para gravar um novo disco. Também como era de se esperar, o disco também não contém nenhuma faixa magistral, daquelas que surgem para se tornar clássicos imediatos da banda.

Ou seja, o que o trio principal buscou com esse novo lançamento foi presentear os fãs, que há mais de 34 anos clamam por um novo álbum com a formação considera clássica do SABBATH (embora tal “sonho” não tenha sido realizado por completo, já que Bill Ward foi excluído do projeto, supostamente por não estar mais apto a tocar seu instrumento em alto nível).

Assim, todas as 11 faixas apresentadas (incluídos as 3 bônus da versão deluxe) remetem ao glorioso passado da banda, trazendo os riffs magistrais do mestre Iommi, o baixo pesadão e marcante de Geezer (um dos pontos altos do álbum), e as linhas características de Ozzy, que apesar de não ser um cantor dos mais técnicos, possuí uma das vozes mais marcantes da história da música, mesmo sem a potencia vocal de outrora. O baterista Brad Wilk (RAGE AGAINST THE MACHINE) também não compromete, embora fique claro que não possui o mesmo talento do mestre Ward, não sendo de tanto destaque. Alias, qualquer baterista que os caras tivessem escolhido, e que tivesse o mínimo de talento, conseguiria tocar as faixas, que não exigem um grau mais elevado de técnica (ainda mais hoje, com todas as tecnologias e facilidades possíveis em estúdio).

Mas, que fique claro: “13” não é um disco tão impactante ou desbravador como muitos esperavam, mas também não chega a decepcionar os fãs.

Nessa toada, a maioria das faixas de “13” seguem esse padrão básico e direto, com arranjos simples e melodias fáceis. Muitos querem comparar o álbum com “The Devil You Known”, do HEAVEN AND HELL. Porém, este, que marca a despedida do saudoso mestre DIO, sem dúvida, é um disco muito superior, com músicas mais inspiradas, e sendo bem mais cativante. Inclusive, as próprias faixas inéditas apresentadas pela banda no álbum “Reunion”, de 1998, com Ozzy nos vocais (“Psycho Man” e “Selling My Soul”) são bem mais atrativas que qualquer uma das presentes em “13”.

Já na faixa de abertura, “End of the Beginning”, já percebemos claramente que a banda focou em produzir uma sonoridade totalmente voltada a seus primórdios, com climas sombrios e estruturas simples que remetem à clássica “Black Sabbath”, apesar de não ter o mesmo impacto desta.

A já conhecida “God is Dead” também tem um clima carregado e arrastado, repleta de melancolia, com uma letra pessimista, e remetendo também ao primeiro disco autointitulado da banda, enquanto em “Loner” as coisas começam a esquentar, em especial graças aos riffs magistrais de Iommi e Butler (um absurdo o peso do baixo nessa faixa), embora novamente remeta a outra canção clássica da banda, no caso, “N.IB.”.

Na sequência, o disco oscila novamente com a terrível, “Zeitgeist” uma balada piegas, que não é nem densa, nem emocional, sendo facilmente a pior faixa do trabalho, que logo em seguida, com “Age of Reason”, mostra novamente sua força, com alguns dos melhores solos de guitarra do álbum.

As demais, “Live Forever”, “Damaged Soul” e “Dear Father” mantém a pegada mais tradicional da banda, sem maiores destaques, salvo os riffs de Tony Iommi (em especial em “Dear Father”), que mesmo com todos os problemas pelos quais vem passando, ainda consegue mostrar toda sua genialidade.

Todavia, as 03 faixa bônus da versão especial do álbum acabam chamando a atenção, e podem ser consideradas como as mais interessantes do registro. “Methademic” é mais rápida e diversificada, e remete ao SABBATH dos anos 80, com o mestre Dio à frente. “Peace of Mind” é mais arrastada e tenebrosa, com ótimos riffs, assim como “Pariah”, que tem um clima mais voltado ao “hardão” setentista. Sinceramente não entendi o por quê destas 03 faixas terem ficado de fora do set list oficial do disco.

Por fim, quanto à produção do álbum, feita pelo polêmico Rick Rubin, fica claro que foi feita propositadamente para soar retro, fazendo jus à sonoridade proposta pela banda. Destaco, em especial, o som do baixo, que ficou muito bem timbrado e pesado. Apenas no tocante às guitarras do mestre Iommi acredito que um pouco mais de “sujeira” em alguns momentos faria o álbum soar ainda melhor e mais pesado, mas nada que comprometa.

Portanto, amigo leitor, fica claro que o BLACK SABBATH buscou aqui presentear seus fãs, sem maiores pretensões (até porque todos os membros são músicos consagrados e milionários), e só por essa atitude e respeito, nessa altura de suas vidas, produzindo música de qualidade, já merecem nosso respeito. Não esperem por algo tão impactante ou que irá mudar os rumos da música pesada, mas apenas por boa música, feita pelos precursores do estilo.

13 – Black Sabbath
(2013 –Nacional)

Formação:
Ozzy Osbourne - Vocals
Tony Iommi - Guitars
Geezer Butler - Bass
Brad Wilk - Drums

Track List:

CD 1:
1. End of the Beginning
2. God Is Dead?
3. Loner
4. Zeitgeist
5. Age of Reason
6. Live Forever
7. Damaged Soul
8. Dear Father

CD 2:
9. Methademic
10. Peace of Mind
11. Pariah

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Sobre Junior Frascá

Junior Frascá, casado, é advogado, e estudante. Além disso é guitarrista, compositor e fundador da banda de heavy metal tradicional Mud Lake. É apaixonado por heavy metal em todas as suas vertentes (em especial thrash e power metal) desde seus 15 anos, e é grande colecionador de álbuns do estilo. Também é fã de filmes de terror e séries americanas, e faz parte da equipe da revista digital Hell Divine.

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