Resenha - Apocryphon - Sword

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Resenha - Apocryphon - Sword


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Essa resenha vai para os headbangers que dizem que o heavy metal está morto e enterrado. Preferindo ouvir os velhos clássicos de sempre.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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THE SWORD é uma banda de heavy metal com elementos do doom metal e hard rock setentista, formada em 2003 na cidade do estado norte-americano do Texas, Austin. O primeiro disco da banda "Age of Winters" de 2006 agradou tanto James Hetfield como Lars Ulrich, ambos membros fundadores do Metallica, figurando na lista pessoal de cada um, como um dos melhores álbuns lançados naquele ano. Em séquito lançaram "Gods of the Earth" em 2008 e "Warp Riders" em 2010, o que consolidou a banda como um dos grandes expoentes da nova geração do heavy metal.

Em 22 de outubro de 2012, o grupo lança seu quarto álbum, titulado "Apocryphon", mostrando a estabilidade criativa do grupo – provando que seria possível manter o nível de qualidade das composições, mesmo tendo a pressão de superar o sucesso do terceiro álbum "Warp Riders". A produção de "Apocryphon" ficou no encargo de J. Robbins, produtor que já trabalhou com bandas independentes americanas como Murder by Death, como também com os brasileiros da banda Debate.

"The Veil of Isis" começa com uma guitarra que logo nos primeiros segundos aparece em dueto com outra guitarra, lembrando as "twins guitars" de bandas como Thin Lizzy, Wishbone Ash, e Iron Maiden A voz de John Cronise, em poucos segundos surpreende por uma ligeira semelhança com a voz do nosso eterno "madman" Ozzy Osbourne em sua melhor fase lá no fim dos anos 1970, início dos anos 1980 – porém deve-se ressaltar que a voz de John Cronise tem suas peculiaridades. O riff da música é matador, tornando-se impossível não chacoalhar a cabeça a cada palhetada dos guitarristas John Cronise e Kyle Shutt. O refrão tem um gosto vintage como das bandas clássicas do hard rock dos anos 1970.

"Cloak of Feathers" é outra música que parece ter saído de algum disco perdido dos anos de 1970. A princípio, a música é conduzida por um andamento acelerado comandado pelas baquetas Santiago Vela III, porém, com a entrada da voz, o riff passa a ser cada vez mais marcado, dando mais brilho e destaque a linha melódica da voz de Cronise. Fica o destaque também para as velozes "viradas" de bateria de Vela III. Mais uma vez as guitarras em sincronia em passagens melódicas são características.

Nada mais envolvente do que um riff de guitarra elaborado e executado para duas guitarras, e é assim que "Arcane Montane" se apresenta. Do disco é a que mais foge dos padrões (dentro da construção central) do hard/doom dos anos 1970, mostrando uma levada mais funk metal, porém com toda a classe e estilo de um som clássico. Um interlúdio com um clima "Black Sabbath com anfetaminas" cria o clima para o início do solo, onde é desenvolvido em cima de bases e riffs que certamente fazem com que Tony Iommi durma tranquilo quanto à sua missão de influenciar outros guitarristas mundo afora.

"The Hidden Masters" começa com um riff totalmente baseado na escala pentatônica, a formula já foi usada em outras músicas de outras bandas, e nesta "The Hidden Maters" também prova que a fórmula funciona. O vocal lembra um pouco o trabalho de Al Cisneros na minibanda OM, mas os duetos criados com a voz de Cronise dão um tom mais agressivo do que a voz de Cisneros. Há na canção um excelente trabalho da dupla de guitarristas Cronise/Shutt. "The Hidden Masters" é um clássico do doom/heavy metal contemporâneo.

"Dying Earth" começa com uma melodia executada por Bryan Richie, baixista e tecladista da banda – o som é de algo sintetizado tal como um Moog Synth. Depois de um interlúdio executado por um riff conciso, o vocal é acompanhado por um riff de guitarra com palhetadas rápidas e lineares – fica o destaque para o trabalho do baixista Richie, que pelos meus ouvidos parece executar as linhas melódicas graves sem o uso de palhetas. É impossível o solo de Shutt não lhe levar diretamente para os anos 1980 – certo que o THE SWORD existisse naquela época, seria uma grande banda. O dueto final entre as guitarras é muito bem construído, até culminar num riff certeiro, mostrando toda a evolução da música. Mais uma vez o trabalho solo das guitarras deve ser destacado como de muito bom gosto.

O início de "Execrator" tem um andamento rápido, até culminar em um riff de entortar a espinha dorsal de qualquer headbanger que se preze. Um sintetizador discreto cria uma atmosfera rica para a música, trazendo uma outra preparação para o riff central da música. O final da música torna-se caótico com a execução veloz do baterista Santiago Vela III, alinhada com os riffs e a linha melódica criada pelos guitarristas.

"Seven Sisters" traz a tona o velho espírito das composições do Black Sabbath. Vale dizer que mesmo a banda assumindo publicamente a devoção pelo quarteto inglês, as composições do THE SWORD tem suas características próprias. Essa canção tem um andamento mais lento, e aliado aos riffs obscuros das guitarras, cria a atmosfera perfeita para a voz de Cronise se encaixar com perfeição.

"Hawks & Serpents" começa com um riff de guitarra dominando o início da música. Segundo depois a música toma suas proporções de completude, as guitarras são acompanhadas pelo contrabaixo pulsante de Richie, e pela bateria marcada de Vela III. O vocal bem comprimido na mixagem e na masterização, criou o clima perfeito para a caracterização da música. Mais uma vez um trabalho louvável da dupla de guitarras, e da cozinha do grupo. O início do solo é matador, uma bela seção de "shredding" até terminar numa execução mais melódica e cheia de sentimentos, o guitarrista acerta em colocar os "bends" nos exatos momentos.

"Eyes of Stormwitch" começa com a guitarra e o efeito característico do tremolo, mas assim que o a banda complementa o som, entram em cena os riffs marcados característicos do som do THE SWORD, nessa música o trabalho duetado das guitarras é mais que evidente, criando um peso descomunal, até que na metade da canção, um momento de interlúdio para o solo, nos faz respirar e aguardar ansiosamente as linhas melódicas da guitarra solo. A voz retorna com mais agressividade, demonstrando que a música tem seu desenvolvimento constante.

"Apocryphon" é a música que inicialmente destoa das outras composições do álbum, pois começa com um sintetizador a lá "We Won't Get Fooled Again" e "Who Are You", ambas canções do grupo inglês The Who – engraçado que em se tratando de sintetizadores seria mais previsível se Richie optasse por uma sonoridade mais influenciada por Spock Wall (leia-se Rick Wakeman) em suas contribuições em discos do Black Sabbath como "Sabbath Bloody Sabbath" e "Sabotage". Alguns poderiam dizer que "Apocryphon" é uma excelente música para se abrir um álbum, mas confesso que o fato de colocarem ela como última canção do disco, me fará aguardar mais algum tempo por novo trabalho do grupo.

Para quem acompanha os lançamentos do mundo do rock/metal, o álbum "Apocryphon" é uma boa pedida para saciar a vontade das pessoas que são saudosistas, porém, que não pararam no tempo vivendo de velhas canções.

Uma curiosidade do disco "Apocryphon" é que em versões de luxo, o álbum conta com algumas músicas registradas em shows, bem como um cover de "Cheap Sunglasses" do trio ZZ Top.

Tracklist:

"The Veil of Isis"
"Cloack of Feathers"
"Arcane Montane"
"The Hidden Masters"
"Dying Earth"
"Execrator"
"Seven Sisters"
"Hawks & Serpents"
"Eyes of the Stormwitch"
"Apocryphon"

Integrantes:

John D. Cronise – vocal/guitarra
Kyle Shutt – guitarra
Bryan Richie – contrabaixo/sintetizador
Santiago "Jimmy" Vela III – bateria

Ric Rocker – contrabaixo

Produzido por J. Robbins e The Sword

Lançado em 22 de outubro de 2012 pela Razor & Tie Records.

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Sobre Bruno Blues

Bruno Blues, nascido em 12 de agosto de 1986. Se envolveu com música desde cedo enquanto o dublava a banda de baile no bar dos pais. Amante de Rock and Roll aos 13 anos, guitarrista aos 15. Adulto, além de músico, tornou-se professor de Filosofia e Sociologia. Além da música, é fã do cinema - Herzog, Linklater, Tarantino. Nas horas vagas é Condutor de Turismo de Aventura - adora uma cachoeira, uma corda, e a adrenalina. De música, curte de Django Reinhardt à Slayer - só separa, dentro de teu julgamento, a música boa da música ruim.

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