Buckethead, Dickerson, Brain: disco definitivamente indispensável

Resenha - Dragons of Eden - Buckethead, Dickerson, Brain

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Por Bruno Blues
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Durante o ano de 2008, o guitarrista BUCKETHEAD, o produtor e tecladista TRAVIS DICKERSON, e o baterista BRYAN "BRAIN" MANTIA, reuniram-se para empreender novo material musical - mais um novo trabalho de composições de músicos consagrados entre a safra milnovencetista.
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BUCKETHEAD é um guitarrista norte-americano virtuoso que surge na cena rockeira em no início da década de 1990, com seu debut álbum em 1992. Ao longo de sua carreira, trabalhou com inúmeros renomados artistas tais como, GUNS N' ROSES, PRIMUS, SERJ TANKIAN, além de uma invejável carreira solo ultrapassando a marca de 40 álbuns lançados em pouco mais de duas décadas.

TRAVIS DICKERSON é um tecladista e produtor norte-americano que em quase 20 anos de carreira, trabalhou com o ator/cantor novaiorquino VIGGO MORTENSEN (trilogia Senhor dos Anéis), além de trabalhos com BUCKETHEAD, COBRA STRIKE, CORNBUGS, entre outros.

BRYAN "BRAIN" MANTIA é um requisitado baterista de estúdio e de turnês norte-americano. Prestou seus serviços rítmicos à bandas como GUNS N' ROSES, PRAXIS, GODFLESH, PRIMUS, entre outros.

Quando tive contato com este álbum à primeira vez, foi um daqueles discos nos quais você simplesmente fica obcecado. Existem alguns discos no hall dos mais ouvidos por mim, e "The Dragons of Eden" é um desses - torna-se clássico já durante a primeira audição. É um item básico na discografia de qualquer guitarrista que preza por boas influências no seu vocabulário das seis cordas. E fica a ressalva de que não somente o guitarrista desempenha um excelente trabalho, tanto as linhas de bateria, teclado, e baixo são criativas, além do mais, a produção do disco é impecável.

Ao começar a esboçar esta resenha, deparei-me com a informação na qual o disco é conceitual - e eu explicarei o porquê. Ao que tudo indica, "The Dragons of Eden" pode ser considerado uma trilha sonora para a leitura de um livro de autoria do cosmólogo e escritor norte-americano Carl Sagan, lançado em 1977. O título do disco e de algumas das músicas faz menção a alguns capítulos do livro. The Dragons of Eden (Os Dragões do Éden, no Brasil e em Portugal) é um livro de Carl Sagan publicado em 1977, vencedor do prêmio Pulitzer daquele ano.

Conforme o site pt.wikipedia.org, "nessa obra são combinados os campos de antropologia, biologia evolucionária, psicologia e ciência da computação para dar uma perspectiva balanceada de como a inteligência humana evoluiu. Sagan procura mostrar que a razão da massa cerebral sobre a massa corpórea é um indicador extremamente bom, com os humanos tendo a maior, seguidos pelos golfinhos Ela não funciona, entretanto, na parte extremamente pequena da escala, pois um mínimo tamanho de cérebro é necessário para dar suporte à vida. Criaturas pequenas (formigas, em particular) ocupam posições desproporcionalmente altas na lista."

Feitas as considerações gerais do assunto, vamos a resenha do disco.

Uma característica marcante logo nos primeiros segundos de música, que não se trata de um disco com passagens virtuosísticas, mas sim (pelo menos pra mim que não conhecia muito do trabalho de todos) de um disco extremamente pontuado, limpo, dançante em alguns aspectos do groove, bem como uma capacidade melódica impressionante - principalmente de Buckethead que tem por características seu som dissonante e "robótico", além de tocar dezenas de notas por segundo. Fiquei muito surpreso quando terminei de ouvir as músicas pela primeira vez. Por se tratar de uma temática "sideral" o disco chega a beirar o "zen" em alguns momentos, mas o balanço é algo característico, tornando o som "pra cima". Os sentimentos mais puros de serenidade se encontram com o pulsar do coração, uma mistura interessantíssima. A participação do violoncelista Cameron Stone cria uma atmosfera singular dando um toque especial nas composições nas quais participa.

"The Cosmic Calendar" é primeira música do disco e começa com uma bateria marcando um groove que logo de início faz nosso corpo pulsar junto com a música. Uma guitarra contida marca o compasso enquanto o violoncelo desenvolve uma melodia sublime de abertura harmonizando com piano. Um fiff carregado na guitarra de Buckethead cria a tensão necessária para o início de um diálogo entre os solos de guitarra e sintetizador. Solos melódicos intercalados por passagens rápidas dão o tom nos discursos de cada um dos dois instrumentos conduzidos pela harmonia das outras teclas, da bateria, e o violoncelo.

"The Brain and the Chariot" começa com um um groove impossível de não mexer alguma parte do corpo, a bateria, o baixo sintetizado, a guitarra em wah wah, e o órgão criam as intenções necessárias para mais um diálogo entre Buckethead e Dickerson, só que desda vez ele utiliza-se de um piano muito bem mixado para "conversar" com Buckethead. Nesta música Buckethead mostra porque é considera dum dos maiores da guitarra, seus solos mostram-se um pouco mais rápidos porém com melodía incrível - Dickerson não fica atras no virtuosismo mostrando que é um dos grandes das teclas tal como lordes ingleses. O trabalho rítmico pontuado de "Brain" Mantia colore as passagens dobrando a espinha dorsal de qualquer um.

"The Abstractions o Eden" inicia com uma levada de bateria que pode bem ser aplicada à alguma música do grupo inglês Ozric Tentacles, ou de alguma suave eletrônica - o trabalho magistral de chimbal de Bryan Mantia é rapidamente notado e leva destaque. As conversações entre Buckethead e Travis Dickerson continuam, mas desta vez a guitara é límpida, suave, dedilhada, com um lirismo incrível mesmo nas passagens mais agressivas e sentimentais; os solos de Dickerson nos fazem viajar para outra galáxia ou coisa parecida.

"Tales of Dim Eden" é uma música que logo nos primeiros segundo lhe fará menção a uma famosa música do conjunto inglês Led Zeppelin, devido ao riff de guitarra ligeiramente semelhante. Porém, o trabalho do sintetizador, do piano, da bateria (milhares de vezes mais suave do que a de Bonham), e do violoncelo mostram as nítidas diferenças entre as canções. Nesta música existe um um solo intenso interpretado pelo violoncelo, que traz destaque para sua composição. O final de grande intensidade, termina com um suspiro - um sopro final.

"Lovers and Madmen" é uma música agitada. Um riff de guitarra marcante acompanha o dueto do sintetizador com o orgão tubular, até que no ápice da música cria-se uma tensão entre todos os instrumentos que culmina com um um solo de órgão de Dickerson seguido de um solo, puro, claro e cristalino, e veloz da guitarra de Buckethead. A segunda parte da música é caracterizada pelo diálogo estabelecido entre os solos de guitarra, órgão, e sintetizador. Os urros da guitarra em wah wah de Buckethead provocam arrepios.

"Future Evolution" é uma música que nos faz imaginar o que seria o grupo britânico The Verve se tivesse suas composições mais aceleradas. É a música em que há a participação de mais destaque de Cameron Stone, fazendo com que seja impossível não associar com "Bittersweet Symphony" do grupo inglês, porém os arranjos das cordas do violoncelo são mais elaborados, criando a distinção evidente. O tema de violoncelo que antecede o solo de Buckethead o fará assoviar. Uma canção que por mais que tenha um andamento de certo acentuado, as linhas melódicas do violoncelo nos fazem relaxar enquanto as ouvimos. Mesmo os solos sentimentais, dotados de certa agressividade da guitarra nos deixam em estado de relaxamento.

"Draco" é a penúltima música do album, e bem rock and roll. Inicialmente é pontuada por um riff matador de guitarra acompanhado de uma harmonização com o órgão, depois segue-se uma variação da base da música onde a bateria toma proporções de muita firmeza e sutileza ao mesmo tempo, um dedilhado da guitarra é sobreposto por um solo de piano que posteriormente passa a ter um diálogo com o baixo de Buckethead, criando uma sequência de harmonias definitivamente muito bonita. Pra fechar mais um solo claro como o fundo do mar na barreira de corais australiana.

"Knowledge is Destiny" fecha o álbum numa levada funk rock muito bem pontuada. Nessa música percebe-se o bom gosto que Buckethead tem por regular os timbres de sua guitarra, a distorção de sua guitarra é extremamente vintage, lembrando o auge do rock clássico setentista. É o instrumento que tem mais destaque, mas que dialoga de forma consciente com os outros instrumentos. Os momentos de guitarra com wah wah e baixo funkeado, certamente fazem Jimi Hendrix sentir-se satisfeito por cumprir sua missão no planeta Terra. Vale lembrar que Buckethead flerta várias vezes com a linguagem jazzística na interpretação do solo. A faixa fecha com grande estilo o trabalho do trio norte-americano.

Disco definitivamente indispensável.

Tracklist:
1 The Cosmic Calendar
2 The Brain and the Chariot
3 The Abstractions of Beasts
4 Tales of Dim Eden
5 Lovers and Madmen
6 Future Evolution
7 Draco
8 Knowledge is Destiny

Buckethead: guitarra, baixo
Travis Dickerson: piano, órgão, sintetizador
Bryan "Brain" Mantia: Bateria

"The Brain and the Hariot", "Lovers and Madmen", "Future Evolution" foram compostas por Travis Dickerson.
"The Cosmic Calendar", "Knowledge is Destiny", foram compostas por Buckethead
"The Abstractions of Beasts", "Tales of Dim Eden" "Draco" foram compostas por Buckethead e Travis Dickerson

Lançado em 17 de setembro de 2008 pela gravadora TDRS Music, de propriedade de Dickerson.

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Sobre Bruno Blues

Bruno Blues, nascido em 12 de agosto de 1986. Se envolveu com música desde cedo enquanto o dublava a banda de baile no bar dos pais. Amante de Rock and Roll aos 13 anos, guitarrista aos 15. Adulto, além de músico, tornou-se professor de Filosofia e Sociologia. Além da música, é fã do cinema - Herzog, Linklater, Tarantino. Nas horas vagas é Condutor de Turismo de Aventura - adora uma cachoeira, uma corda, e a adrenalina. De música, curte de Django Reinhardt à Slayer - só separa, dentro de teu julgamento, a música boa da música ruim.

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