Resenha - Roxy & Elsewhere - Frank Zappa / Mothers

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Resenha - Roxy & Elsewhere - Frank Zappa / Mothers


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Hoje tentarei me expressar o melhor que eu puder e escrever com muito cuidado. Mas por que escrever com cuidado? Por que quando se trata de falar a respeito de um gênio do calibre de Frank Zappa, oque você deve ter de sobra na manga são as palavras certas e dignas. Só para começar, para se ter uma pitada de ideia sobre a genialidade deste cara, sabe como ele compunha suas músicas? Ele criava a música toda antes de se quer relar a mão na guitarra através de partituras. Não só isso, Zappa também tinha o hábito de tirar sarro com uma cacetada de coisas envolvendo astros hollywoodianos, bandas pop que faziam sucesso na época como por exemplo o Bee Gees até deputados, governadores e outras ilustres figuras da política americana. O cara até cogitou a presidência dos E.U.A. acredite se quiser. Era inteligente e pensava muito, mas muito a frente de seu tempo.

Nota: 10

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Eu amo diversos álbuns de Zappa como 'Freak Out!' ao qual já resenhei aqui para o Whiplash, o maravilhoso 'One Size Fits All', mas oque realmente me chocou tamanha genialidade, espontaneidade e irreverência foi o tesouro em forma de disco que atende por 'Roxy & Elsewhere'. Esse diamante platinado, foi concebido entre os anos de 1973 e 1974 com diversas gravações, jams, improvisos, interação com o público e muita bizarrice no Roxy Theatre - Hollywood, California e no Edinboro State College - Edinboro, Pennsylvania além de trechos gravados em Chicago. Zappa foi um grande arquiteto no que se diz sobre edição de som e gravou trechos de concertos diferentes na mesma canção, por exemplo o solo de "More Trouble Every Day" que contém partes no Roxy Theatre e Chicago. Essa técnica seria usada e abusada por ele em muitos trabalhos de estúdio e ao vivo de sua discografia.

O que é mais incrível que temos as já citadas jams contrastando com críticas sociais regadas a muito cinismo e deboche por parte de Zappa. Canções como "Village Of The Sun", "Pygmy Twylyte", "Echidna's Arf (Of You)" e "Don't You Ever Wash That Thing?" são improvisos instrumentais maravilhosos. Aqui encontramos saxofones, xilofones, sintetizadores, metais e diversos instrumentos por parte dos The Mothers of Invention. São Riffs criativos a colidirem com Jazz, Funk e até um pouco de Blues. É simplesmente brilhante! Não só improvisos e habilidades, mas Zappa além de dar uma aula sobre boa música, nos ilumina com suas ilustres palavras e ácidas críticas. "Penguim In Bondage" por exemplo, tem um letra bem sacana e surreal, mas o ponto alto mesmo do disco em questão de letra pode-se dizer que é com a canção "Cheepnis" aonde o mestre faz praticamente um 'stand-up comedy' antes de executarem a música. Zappa nos fala de filmes toscos e mal-feitos que insultam a nossa inteligência com efeitos especiais porcos e amadores, e o quão divertidos podem ser quando assistidos. Ele se inspirou no filme de ficção de 1958 chamado 'It Conquered The World' para escrever esta canção, e a letra da mesma fala sobre um cachorro poodle gigante chamado Frunobulax que invade a cidade e destrói tudo oque vê... Uma baita tiração de sarro também com filmes japoneses estranhos por exemplo como
'Godzilla' lançado em 1954.

"Dummy Up" é uma jam pra lá de bizarra que tem como tema a educação e o seu verdadeiro propósito. Oque adianta um idiota possuir um diploma se o mesmo exala incompetência e não enxerga um palmo se quer a sua frente? Zappa em um momento propõe ao individuo fumar o diploma já que ele não lhe serve de nada. É interessante que você ao mesmo tempo fica deslumbrado não só com a música, mas com a postura de manifesto bem presente aqui e em diversos trabalhos de Zappa. O mestre seria uma pedra no sapato de muita gente importante...

"Son of Orange County" conta com um solo maravilhoso e muito feeling que seguem em uma levada mais arrastada. De longe uma das mais lindas do disco e os Mothers acompanham perfeitamente seu maestro. "More Trouble Every Day" é uma releitura de "Trouble Every Day" do disco 'Freak Out!' de 1966. A banda aqui dá um show a parte com o instrumental e o clima sério de pura revolta em uma ácida crítica sobre violência racial e repórteres parasitas inúteis. Zappa abusa de seu carisma ao vivo e propõe um desafio no palco em "Be-Bop Tango (Of The Old Jazzmen's Church)" com uma jam esquisitíssima de 16 minutos aonde um casal tenta fazer uma dança bem estranha. No geral 'Roxy & Elsewhere' é uma aula de puro bom gosto e um belíssimo exercício aos ouvidos. Se você não conhece, sugiro ir conhecendo aos poucos e se acostumando para digerir e captar a mensagem que este gênio nos deixou.

Zappa você faz muita, mas muita falta mesmo neste mundo... Pensar que artistas ilustres como você se foram, e coisas como One Direction, Justin Bieber e Michel Teló explodem nas rádios feito uma epidemia de rubéola nos matando de desgosto... É bem triste... Mas nós ficamos felizes logo, ao lembrar que caras como Frank Zappa são eternos, e essas idiotices sonoras que aturamos aí fora sequer serão lembradas em no máximo 1 ano. E quando perdem a fama, vão para 'A Fazenda' ou chorar no programa da Sônia Abrão tentado ficar na mídia de novo... Isso nos prova que números não são nada comparados com a inteligência e genialidade. Esses "artistas" descartáveis podem vender milhões e milhões de discos, porém, eu recomendo a eles que aproveitem bem a fama e comprem seus Camaros Amarelos e façam seu pé de meia, por que ninguém vai se quer lembrar deles daqui uns meses... Mediocridade atrai um público medíocre.

Um grande abraço e fiquem com Deus e com a boa música! Confiram meu canal Café Cavalheiro no YouTube! Valeu!

TRACKLIST:

01. Penguin in Bondage - (6:48)
02. Pygmy Twylyte - (2:13)
03. Dummy Up - (6:03)
04. Village of the Sun - (4:18)
05. Echidna's Arf (Of You) - (3:54)
06. Don't You Ever Wash That Thing - (9:41)
07. Cheepnis - (6:34)
08. Son of Orange County - (5:54)
09. More Trouble Every Day - (6:01)
10. Be-Bop Tango (Of the Old Jazzmen's Church) - (16:41)


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Sobre Matheus Cavalheiro

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