Resenha - One Hot Minute - Red Hot Chili Peppers

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Resenha - One Hot Minute - Red Hot Chili Peppers


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Sabem quando as vezes nós nos deparamos com certos álbuns injustiçados de algum artista em especial? Pois é meus caros amigos, hoje me vi escutando o maravilhoso 'One Hot Minute' de uma das bandas que mais curti e curto até hoje, o Red Hot Chili Peppers. Tenho que lhes confessar que fico um pouco revoltado quando ouço este álbum e não vejo resenhas, ou até mesmo comentários sobre o mesmo, as vezes parece que ele simplesmente nem existiu na carreira brilhante dos caras... Bom, não dá para culpar o mundo por isso. Este álbum nasceu ao meio de um período bem conturbado , foi forjado no sofrimento e no aperto. Geralmente quando discos assim são lançados, acabam não causando a esperada repercussão, ou são aclamadíssimos por aí...

Nota: 10

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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O fato é que a situação da banda era a seguinte: John Frusciante havia tido um surto devido as suas doses cavalares de heroína, e se encontrava com um seríssimo problema com as drogas ficando impossibilitado de seguir com o Red Hot e entrando em reabilitação. Anthony Kiedis também teve uma considerável recaída nas drogas, agravando ainda mais a situação interna da banda.

Mas com John fora quem vai tocar? Afinal, assumir esse posto era uma tarefa nada fácil pois exigiria performances não menos que impecáveis para substituir alguém como John... E para o posto entrou o excelente, talentoso e poser (Sim é poser! Mas é poser por que ele pode!) Dave Navarro, a fera do Jane's Addiction.

A título de curiosidade, existe desde muito tempo atrás uma forte amizade entre o Red Hot Chili Peppers e o Jane's Addiction. Para quem não sabe, Flea tocou trompete na canção "Idiot's Rule" do álbum 'Nothing's Shocking' - (1988) do Jane's Addiction, além de ter excursionado como membro oficial da banda em 1997.

Bom meus amigos, e o que resultou desta parceria com Navarro ao meio de um período difícil de uma excelente banda?

Foi ele, o injustiçado, renegado, amado/odiado 'One Hot Minute'. Um disco denso, triste, melancólico, sarcástico e secretamente maravilhoso! Digo secretamente por ser um daqueles álbuns que não se entende logo de cara. 'One Hot Minute' é um álbum que deve ser apreciado e desvendado aos poucos meus caros. Não é difícil é só darmos uma chance.

O álbum aborda temas como tristeza, depressão, dependência química, saudade e uma certa confusão de espírito por parte da banda. Era estranho encarar a banda assim, pois estávamos acostumados com aquela festa Funk, o swing, a sacanagem, a sexualidade e o clima de praia que só a Califórnia oferece... Se você espera por isso em 'One Hot Minute', pare por aqui ou se prepare para conhecer um lado muito interessante desses caras.

Ok. Vamos dar o play? Então vamos...

Som misterioso de fundo, entrada suave na bateria e eis que Anthony Kiedis começa a declamar versos sobre seus vícios através de sua voz distorcida. Uma atmosfera levemente sombria e a banda explode com a feroz "Warped", uma pequena amostra de como a confusão e a incerteza invadiam suas vidas novamente, através de slaps e riffs afiadíssimos. Aqui já nota-se uma diferença absurda do som na banda, uma guitarra pesada, riffs fortes e uma letra relatando a recaída e a perda de controle... Isto apenas na primeira faixa. Vale mencionar que "Warped" ganhou um clipe totalmente nonsense. Tão nonsense que ganhou uma cena bizarra no final, aonde Anthony pega Dave Navarro e lhe dá um puta beijo... Na boca... Bom, preferências e preconceitos de lado, vamos ao restante do disco!

"Aeroplane" acalma um pouco os nervos e a confusão, fazendo bonito no contraste de acordes simples de Navarro com o baixo pulsante de Flea. O coral que vocês vão escutar ao final da canção, é a classe de jardim da infância de Clara Balzary, filha de Flea. Finalizando "Aeroplane", a mesma serve de ponte para a melancólica e triste "Deep Kick". A 'intro' declamada por Anthony nos faz entrar de cabeça em uma canção com mais de 6 minutos e uma letra gigantesca, falando dos tempos de adolescente de Flea e Anthony até então, amigos de infância. Se notarmos na letra, teremos a citação da Fairfax High School, escola aonde Flea, Anthony e o falecido Hillel Slovak se conheceram e passaram parte de sua juventude, ou seja, crucial para a história da banda. O que parece em 'One Hot Minute', é que o passado vem forte as vezes. Este disco mais parece uma terapia em alguns momentos e talvez isto que o torne interessante e verdadeiro.

"My Friends" nos mergulha na saudade e na perda dos amigos. Talvez a perda não no sentido de um amigo que faleceu, mas de uma pessoa estar distante e irreconhecível. Talvez a mensagem tivesse sido ao amigo John Frusciante que passava por uma situação deplorável. A canção é linda, simplesmente uma das mais belas do álbum, e com certeza a mais conhecida. Agora, eis que vem ela meus queridos... A minha favorita que atende pelo nome de "Coffee Shop". Cara, essa canção é muito, mas muito legal mesmo! Riffs pesados, ritmo frenético, letra engraçada e percussões muitíssimo bem colocadas ao meio da música. E se quiserem saber, acho um baita desperdício a banda não executá-la nos shows. "Coffee Shop" é a prova de que este é sim um ótimo álbum! É uma das poucas com uma pegada mais bem humorada e festeira da banda que faz presença em 'One Hot Minute'. E por falar em humor, "Pea" é um ataque freak/bizarro/cômico a caipiras homofóbicos cantado por Flea, contando apenas com seu baixo... Pois é... Coisas de Red Hot Chili Peppers...

"One Big Mob" talvez seja a mais estranha do disco. A música começa furiosa debaixo de uma chuva de riffs, slaps e percurssões, e então em menos de 2 minutos de canção caímos em um levíssimo transe cantarolado por Anthony Kiedis. Essa atmosfera experimental segue e vai ganhando força, para então explodir de novo no final e encerrar com um baita riff de Navarro. Boa canção? Bom, por que não? Sim! Boa canção! Diferente de muita coisa que esses caras fizeram com certeza. Já "Walkabout" nos mostra a banda sob uma sutil névoa meio Funk, meio Bossa (Bossa?? Sim meu amigo Bossa!) e com direito a sons de cuíca acredite se quiser. O legal aqui é que o solo tem um som bem peculiar do quem vem sendo tocado no disco, e o resultado? Excelente canção! Uma das mais legais com certeza.

A próxima nos mergulha na tristeza, nos sentimentos e na fragilidade emocional da perda. "Tearjerker" é uma belíssima homenagem que Anthony Kiedis faz ao falecido amigo Kurt Cobain. A letra faz diversas referências ao músico e é de longe uma das músicas mais comoventes da banda, além de ser uma linda canção sem qualquer sombra de dúvida. Seguindo, temos a densa faixa-título "One Hot Minute", dona de um riff caótico e uma letra que fala sobre como é belo e intenso aproveitar ao máximo a vida... Lembrando que esta foi apenas a minha interpretação.

"Falling Into Grace" é mais suave e conta com sons de 'voice-box' de fundo, e um coral estranho ao meio da canção. "Shallow Be Thy Game" arrebenta o tímpano com swing, agressividade e um refrão potente. Ótima faixa! E para encerrar "Transcending" vem em uma atmosfera bem suave, gostosa, convidativa e surpreende com um caos sonoro de alavancadas de Dave Navarro ao final da canção.

Para concluir meus amigos, lhes digo o seguinte: ótimo disco! Vale muito a pena ouvir, mas por favor, ouçam sem querer comparar com os anteriores pois este é de longe o mais diferente da banda. Eu creio que 'One Hot Minute' foi sutilmente apedrejado pela crítica, por ter a árdua tarefa de superar ou manter o nível de 'Blood Sugar Sex Magik' - (1991). Querem saber? Manteve o nível sim, mas de um jeito diferente. Temos belas canções, riffs de primeira e a criatividade em alta apesar de um período conturbado. Temos profundidade e amadurecimento. A banda aqui mostra que não escreve só sobre festas e bagunça, mas sabe explorar bem temas pessoais e trabalhar mais suas canções. 'One Hot Minute' é uma terapia, um exorcismo, um grito de revolta de uma lado e uma lágrima do outro.

Abraço a todos e tudo de bom sempre!

TRACKLIST:

01. "Warped" - (5:04)
02. "Aeroplane" - (4:44)
03. "Deep Kick" - (6:33)
04. "My Friends" - (4:02)
05. "Coffee Shop" - (3:08)
06. "Pea" - (1:47)
07. "One Big Mob" - (6:01)
08. "Walkabout" - (5:07)
09. "Tearjerker" - (4:19)
10. "One Hot Minute" - (6:23)
11. "Falling Into Grace" - (3:47)
12. "Shallow Be Thy Game" - (4:33)
13. "Transcending" - (5:46)

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Sobre Matheus Cavalheiro

Matheus Cavalheiro é mega-fanzaço não só de Rock N´ Roll mas da boa música em geral. Curte desde Marvin Gaye e Miles Davis até Slayer e Alice In Chains, afinal a música é excelente em diversos aspectos! É o dono do canal Café Cavalheiro no YouTube.

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