Resenha - Schizophrenia - Sepultura

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Resenha - Schizophrenia - Sepultura


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O ano de 1987 foi um ano importante para a carreira do SEPULTURA. Naquele ano, o grupo mineiro foi desfalcado com a saída do guitarrista Jairo Guedez, quem deixara a banda com intuito de tocar músicas mais comerciais – conforme comentários feitos por Max Cavalera na época. Contudo, em pouco tempo, os mineiros preencheram o espaço aberto por Jairo. A vaga de guitarrista foi ocupada por Andreas Kisser, um paulista que os caras do SEPULTURA conheceram durante um Show em Santa Isabel (São Paulo).

Nota: 10

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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É interessante notar que, enquanto os irmãos Cavalera ouviam Black e Death Metal no último volume e, àquela altura, começavam a se interessar por música punk, Andreas preferia as bandas com pegada mais virtuosa. Essas diferentes influências, que cada integrante possuía, foram crucias para que o SEPULTURA deixasse para trás o Death Metal cavernoso e entrasse na era do Thrash Metal rápido, vigoroso e mais técnico. E o fruto dessas mudanças está presente no indiscutivelmente clássico "Schizophrenia", disco sobre o qual falarei com prazer nesta resenha.

De acordo com o livro "Sepultura – Toda a História", de André Barcinski e Silvio Gomes, o álbum "Schizophrenia" foi o "marco zero da profissionalização do Heavy Metal brasileiro". Afirmação que não considero exagerada se compararmos a qualidade deste disco à dos registros anteriores da banda ou, até mesmo, se o compararmos a discos lançados naquele período por outros grupos brasileiros de Metal. O livro também dá detalhes curiosos de como o álbum nasceu. Conta-se que o título "Schizophrenia" foi copiado da banda punk finlandesa Riistetyt e que a capa teria sido inspirada na capa do álbum "Blackout" do Scorpions (realmente há algumas semelhanças!).

Com "Schizophrenia", o SEPULTURA não abandonou só o visual carregado e o Death Metal sujo, eles abandonaram também a temática satanista. Foi nessa época que os caras passaram a falar de coisas como guerra e loucura, escolhas que refletiam o amadurecimento do grupo. Além disso, a repercussão do disco foi tão grande que houve casos na Europa de venda de versões piratas dos álbuns da banda.

Agora que eu já falei do contexto em que esse clássico nasceu, quero falar sobre as músicas que o compõem. Mas antes preciso deixar claro que evitarei as descrições estafantes e repetitivas que boa parte das resenhas apresenta. Isso porque acredito que, com esse texto, aquele que ainda não teve a sorte de escutar "Schizophrenia", procurará escutá-lo e entenderá por si mesmo a qualidade mencionada; já aquele que o escutou entenderá um pouco mais a importância do álbum. E nada substitui o momento em que colocamos o disco para rodar e começamos o "headbanging" enquanto todos os átomos do nosso corpo vibram ensandecidos.

O disco tem início com uma "Intro" que faz clara referência ao famoso tema musical do filme Psicose de Alfred Hitchcock. Mas a pancadaria só começa mesmo quando os primeiro riffs da antológica "From the Past Comes the Storms" começam a soar. Nessa faixa, o SEPULTURA esbanja peso e criatividade. Somos hipnotizados riff após riff. O álbum segue com a excelente "To the Wall" e a fuderosa "Escape to the Void". Só pelo início cheio de solos enlouquecedores de "Escape..." sentimos que estamos diante de uma grande faixa. É quase impossível não gritar "Escape...To the void!".

Na faixa que se segue, o bicho começa pegar mais ainda. A instrumental "Inquisition Symphony" é o melhor exemplo do aprimoramento técnico adquirido pelo grupo após a entrada de Andreas. É estranho dizer, mas "Inquisition...", que não tem a presença dos vocais infernais do Max, é uma das composições do SEPULTURA de que mais gosto.

A sexta faixa, "Screams Behind the Shadows", tem um começo endiabrado. É uma verdadeira porrada! E a velocidade do disco é mantida com enérgica "Septic Schizo". Os caras incluíram mais uma instrumental no álbum: "The Abyss". Nela, Andreas revela seu gosto pela música erudita. E, embora o estilo de "The Abyss" seja bem diferente das demais faixas, a música se encaixa bem no full-length. A tranquilidade dessa penúltima feixa faz com sejamos pegos de surpresa pela faixa que encerra "Schizophrenia". A rápida "R.I.P. (Rest in Pain)" foi a melhor escolha possível para fechar o disco. "Rest in Pain" é o tipo de música que não pode faltar num playlist de Thrash Metal.

Por fim, é importante dizer que aprecio bastante os últimos álbuns feitos com Max e respeito o atual direcionamento musical do SEPULTURA. Mas, quando alguém fala dos caras, é sempre desse SEPULTURA – consagrado pelo disco "Schizophrenia" – que lembro.

Schizophrenia – Sepultura
(1987 – Cogumelo Records – Nacional)

Formação:
Max Cavalera - vocal, guitarra
Andreas Kisser - guitarra
Paulo Jr. - baixo
Igor Cavalera - bateria

Track List:
1. "Intro"
2. "From the Past Comes the Storms"
3. "To The Wall"
4. "Escape to the Void"
5. "Inquisition Symphony"
6. "Screams Behind The Shadows"
7. "Septic Schizo"
8. "The Abyss"
9. "R.I.P." (Rest In Pain)

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Sobre Bruno Mariano

Nascido no fim da década de oitenta, o paulistano Bruno Mariano é graduado em Letras e aficionado por Rock desde a adolescência, momento em que descobriu, ao escutar Ramones e AC/DC – bandas tão diferentes uma da outra –, a energia e o poder contestador desse gênero musical que, não por acaso, é apreciado nos quatro cantos do planeta. Daí em diante foi curto o caminho para que tivesse os primeiros contatos com o universo da música pesada e se rendesse à genialidade de vários nomes do Metal, entre os quais se incluem baluartes do Heavy tradicional, Thrash, Death e Black Metal. Influenciado por filósofos como Nietzsche e Camus, Bruno é daqueles que enxergam na arte (música, literatura, cinema, quadrinhos etc.) uma forma de superação do absurdo aparentemente indelével do mundo contemporâneo.

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