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Resenha - King Animal - Soundgarden

Por Felipe Gomes |

Em 1996 o Soundgarden lançou Down on the Upside e 1 ano depois entrou em hiato. Após a volta da banda no ano de 2010, rumores começaram sobre quando sairia o próximo álbum da banda de Seattle que serviu como um dos grandes expoentes no surgimento do grunge. Finalmente o próximo trabalho de estúdio da banda é lançado: King Animal é composto de 13 faixas e surge para mostrar o que esses 16 anos de espera trouxeram musicalmente para os membros da banda. O vocalista Chris Cornell se manteve em alta nesse período, aliado aos músicos do Rage Against The Machine, eles formaram a banda Audioslave e durante 6 anos fizeram bastante sucesso. O guitarrista Kim Thayil e o baixista Ben Shepherd ficaram escondidos, enquanto o baterista Matt Cameron foi convidado a se juntar em 1998 a outra grande banda de Seattle – Pearl Jam – continuando nesta até hoje. Então vamos ao que interessa:

Nota: 8

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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O marcante desse novo álbum é que a banda mantém a ótima sincronia que sempre apresentou em trabalhos anteriores e das músicas apresentadas, a grande maioria é sólida. Chris Cornell mantém os vocais característicos, mas que nunca mais serão como aqueles dos anos 90. No auge dos seus 48 anos e depois de ter fumado por boa parte da vida, fica difícil manter aquela capacidade de atingir rasgados inacreditáveis que eram marca registrada de álbuns como Badmotorfinger e Superunknown. Thayil, Shepherd e Cameron mostram também que não pararam no tempo e mandam ótimas composições que quando juntas fazem maravilhas ao seus ouvidos.

"Estive longe por muito tempo" foi a forma que a banda resolveu começar essa obra e nada mais sugestivo para marcar a sua volta que um título como Been Away Too Long. A música, que é o 1º single do álbum, apresenta um ritmo e refrão muito contagiantes e os riffs de Thayil começam com tudo nessa faixa. Mesmo depois de tanto tempo, a capacidade de criar passagens pesadas e sincronizá-las com o ritmo da música não fugiu do controle do guitarrista. É necessário notar as influências antigas da banda adaptadas para a realidade atual do grunge/hard rock, através dos momentos psicodélicos em várias músicas e dos riffs pesados aliados a potente performance de Matt Cameron na bateria. As transições também são muito evidentes e dignas de lembrança, tal como em By Crooked Steps. Quer influências do rock mais antigo? Em A Thousand Days Before há em algumas partes uma melodia que mais lembra um baião misturado com grunge que qualquer outra coisa que você já escutou. É curioso, mas ao mesmo tempo interessante ver essas misturas que eram características do Led Zeppelin.

Fugindo um pouco do estilo do álbum, surgem Black Saturday com sua intro acústica e bem boladas transições, fazendo desta uma boa pedida para acalmar um pouco após tanto peso instrumental e vocal nas outras músicas. Halfway There é o peixe fora do aquário nesse álbum, sendo composta quase que inteiramente de forma acústica. É bacana de se escutar e feita justamente para dar o contraste, comparando com outras como Atrittion (com sua levada punk rock e agressiva ) e Taree (cheia de atitude por trás de uma junção instrumental muito sincronizada e potente) são mais interessantes. Essa última por sinal foi escrita por Shepherd antes mesmo da banda ter se separado nos anos 90.

Eyelid's Mouth é provavelmente a melhor música para se observar o entrosamento entre os membros da banda e sua porção final é uma das – se não a melhor – grandes parte instrumental do álbum. Não falta nada nela do que significa o Soundgarden e do que já foi dito aqui. É um dos pontos altos do álbum junto de Blood on the Valley Floor, uma faixa agressiva por trás de uma sonoridade pesada e densa, Bones of Birds com sua letra marcante e uma pegada um pouco mais leve que a maioria do álbum e Worse Dreams com suas poderosas linhas de Ben Shepherd e Matt Cameron. Fechando com mais uma música de qualidade, Rowing é algo bem diferente do que o Soundgarden fez até hoje. A intro, que depois serve de fundo musical, lembra os dedilhados de Andy McKee e os vocais em conjunto durante várias partes da música mostram bem esse outro lado da banda.

Por mais que hajam várias mudanças entre o Soundgarden de 16 anos atrás, o que hoje surge nesse novo álbum é uma velha e boa lembrança daquela época e uma amostra de que esse é o estilo que a banda deve seguir, como segmento natural de sua evolução. King Animal chega com boas expectativas e atende exatamente quem esperava um trabalho sólido e eficiente deles. Resta agora aproveitar a nova leva de músicas e mesclá-las com os clássicos da banda. Soundgarden está de volta e para ficar.

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