O Soundgarden anunciou seu retorno em 2010, quatorze anos após o lançamento do último álbum e treze após o anúncio do fim da banda. Desde então, surgiu a expectativa se a banda voltaria pra valer com novas composições ou se tratava de mais um caça níquel, como algumas bandas que vemos por aí. Com o lançamento de "King Animal" temos a clara resposta de que a banda voltou pra valer e se encontra no auge da forma.
Nota: 9 








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Durante o hiato após o fim da banda, Cornell investiu numa interessante carreira solo, formou com os ex integrantes do Rage Against The Machine, o ótimo Audioslave e voltou a excursionar sozinho, até anunciar a volta da banda, ao lado do baterista Matt Cameron (que também toca no Pearl Jam), do subestimado guitarrista Kim Thayil e do baixista Bem Shepherd.
O disco já abre com a agressiva "Been Away Too Long", com o sugestivo título, já que a banda retorna aos holofotes após algum tempo e em grande estilo, com este excelente primeiro single, que é certamente uma das melhores músicas do ano. Lembra um pouco as composições recentes do Pearl Jam, quem sabe por alguma colaboração de Matt Cameron. Chris segue cantando demais e a banda está muito bem entrosada mesmo após o longo hiato. Na faixa se destacam-se também as guitarras de Kim Thayil, com algumas viradas no ritmo, sem perder o peso num só minuto. Excelente cartão de visitas pra esse novo álbum.
"Non State Actor" já começa com um grito de Cornell, mas tem mais groove que a anterior, mas também é excelente, com boa letra, aliás outra característica da banda, a de sempre contar com composições de qualidade, tanto na melodia quanto nas letras. Já "By Crooked Steps" possui um riff de guitarra que permeia a canção num andamento mais arrastado. Tem um ótimo solo de guitarra, além de Chris cantando em dois canais diferentes, o título da música por sobre as estrofes em alguns momentos.
"A Thousand Days Before" remete a um country, um pouco pelos timbres da guitarra, que são o grande destaque da faixa. Como já foi dito, Kim Thayil é um daqueles guitarristas cujo timbre pode ser notado no primeiro acorde, de forma que as guitarras sempre foram destaque nas melodias da banda, Kim seria algo como o Johnny Marr (The Smiths) do Soundgarden, o cara que carrega pelo menos metade do DNA da banda nos dedos, o restante está na garganta de Cornell.
A quinta faixa "Blood On The Valley Floor" é mais densa, arrastada e lembra as raízes do Soundgarden. "Bones of Birds" começa cantada com a voz mais suave que lembra os lados B do Audioslave. É impressionante como Cornell consegue diversificar seu estilo vocal, impondo suavidade, romantismo ou agressividade de acordo com o que a canção pede. Seguindo a mesma linha, "Taree" possui um andamento simples de guitarra que gruda na mente, há também um bom solo de guitarra.
"Attrition" é a música mais curta do álbum e retorna com a energia das primeiras faixas, com uma melodia mais acelerada, as tradicionais guitarras entrelaçadas de Chris e Kim. Outra ótima canção, com um bom solo e Cornell cantando por sobre o andamento da guitarra.
O clima fica mais intimista na primeira parte de "Black Saturday", com violão e percussão, depois a melodia amplia com guitarras, baixo e bateria. A canção fica um pouco mais densa no meio, depois retorna com a letra e melodia melancólica da canção. O clima semi acústico segue em "Halfway There", que também inicia com o violão acompanhando a voz de Cornell, porém numa melodia mais ensolarada. Poderia tocar na rádio (se ainda tocasse rock no rádio). Leve andamento de guitarra, novamente com um bom solo. É a canção mais pop do disco.
"Worse Dreams" inicia com um riff de guitarra que se repete e a linha de baixo tem grande destaque numa faixa diferente, pesada, dando um clima tenso aos piores sonhos, do título da música. A penúltima música "Eyelid's Mouth" lembra o Soundgarden antigo, com a melodia arrastada e vocais apurados, limpos e com efeitos de Cornell, além disso, o solo de guitarra é dos melhores do play. A faixa derradeira "Rowing" é outro dos muitos destaques do álbum, com uma levada carregada, com bateria eletrônica e as guitarras entrelaçadas permeando o andamento da canção. A voz de Cornell puxa tudo para si, como um magnetismo melódico que põe tudo em seu devido lugar. Solo de guitarra devastador para fechar o disco dando graças à Deus pelo retorno desses caras.
Melodicamente falando talvez o Soundgarden seja a grande banda da safra de Seattle, apesar de não ter feito tanto sucesso quanto seus conterrâneos mais famosos, eles sempre imprimiram personalidade e originalidade às suas canções, gravando bons discos no decorrer da carreira. Com esse retorno, eles mostram que essa fonte criativa ainda está a pleno vapor, ao contrário de outras bandas que retornam sem ter muito o que dizer, os caras gravaram um disco que não soa nostálgico ou um resgate sonoro em momento nenhum, pelo contrário.
Está tudo aqui, a distorção, a agressividade, a melancolia, porém revitalizado, com uma boa dose de energia e canções que possivelmente a banda não teria gravado dez, quinze anos atrás, mostrando que tanto a pausa quanto o retorno fizeram bem à banda.
Os destaques do disco são os mesmos de toda discografia da banda, Cornell que é certamente um dos maiores cantores do rock em todos os tempos (os tradicionalistas que se cocem) e Kim, com suas guitarras extremamente únicas e originais.
Bom, ao terminar a audição do disco, você certamente terá a mesma sensação que tive, o mundo já pode acabar, pois temos aqui, o melhor disco do ano!
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Oriundo do Guarujá, cidade litorânea do estado de São Paulo, família tipicamente conservadora e todos os ingredientes para me tornar um bundão, e, de certa forma me tornei! Sou formado em administração e trabalho em escritório, mas nunca, nem por um minuto abro mão da ideologia rock n´ roll, carrego comigo a postura questionadora, em busca da liberdade, sem esquecer da diversão. Tenho o blog Ideologia Rock n´ Roll e lá posto sobre tudo que considero interessante, inclusive música, cinema, literatura e atualidades. Sou fã de rock clássico e contemporâneo, rock nacional, entre outros estilos, sempre sem preconceito ou amarras culturais ou sociais, se gosto, ouço e foda-se!!! É isso, let´s rock motherfuckers!!!
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