Can: base para muito do que viria após eles

Resenha - Tago Mago - Can

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Primeiro uma informação que provavelmente muitos não saberão. O filme "2001, Uma Odisséia no Espaço" (de Stanley Kubrick, co-escrito por Arthur C. Clarke, autor do livro no qual o filme se baseia) não é o único de sua série. Em 1984, foi lançado "2010, o ano em que faremos contato", continuação do filme de Kubrick, também baseado em uma obra de Sir Arthur C. Clarke. E agora mais outra informação. A série ainda tem outros dois livros, 2061 e 3001, quando é, finalmente concluída e todas as explicações são fornecidas. A próxima informação é um spoiler, mas é inofensivo. É em Europa, uma das quatro maiores luas do Planeta Júpiter que a humanidade encontra um ambiente agradável para fazer seu segundo lar. Lá, devido aos acontecimentos que se desenrolam nos quatro livros, a primeira colônia humana fora da Terra finalmente acontece. Bem, sem me alongar muito nos spoilers, é isso que eu posso falar.
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Por que lembrar de tudo isso agora para falar sobre o disco do CAN? Bem, primeiro, por razão nenhuma. Ou quem sabe por que todo nerd que se preze deva gostar bastante de ficção científica. Ou talvez por que no continente homônimo da citada lua de Júpiter possamos explorar e encontrar muita coisa que pouco tem a ver com o rock que vem dos países de língua inglesa (EUA e Inglaterra - embora este também seja um país europeu). Do progressivo italiano ao thrash metal alemão, há muito o que saber, se você quer realmente conhecer o rock profundamente.

Bem, mas, das razões citadas, talvez a primeira, a da estranheza, seja mesmo a mais adequada. Por que não há palavra que defina melhor o Krautrock do CAN em "Tago Mago" que "estranho". A banda (à época formada pelo japonês Damo Suzuki, nos vocais, Holger Czukay, no baixo, Michael Karoli, na guitarra e violino, Jaki Liebezeit, na bateria e piano, e Irmin Schmidt, nos teclados), embora hoje quase desconhecida, ousou tudo o que poderia ousar e lançou a base para muito do que viria após, de RADIOHEAD a bandas punk como SEX PISTOLS.

Tago Mago, o nome do álbum refere-se à ilha de Tagomago, na costa espanhola, cujo significado é Mago das Rochas, referindo-se por sua vez a Mago Barca, irmão de Anibal Barca, general de Cartago que enfrentou os romanos na época das guerras púnicas. A ilha também teria a ver com Aleister Crowley.

Lançado como LP duplo, "Tago Mago" tem um LP mais, digamos, convencional (embora a probabilidade de ouvir qualquer uma de suas faixas em uma rádio convencional), o primeiro e um mais experimental. Fazem parte do primeiro álbum as faixas "Paperhouse", "Mushroom" (a menor do álbum) e "Oh Yeah", de um lado e a longa "Halleluhwah" do outro. O vocal de Suzuki (japonês achado pela banda fazendo apresentações de rua) lembra um pouco de Syd Barret, primeiro vocalista do PINK FLOYD. E as canções ajudam essa semelhança a aparecer. Mas é nas partes instrumentais que a banda se sobressai. Longas jams, com guitarras incansáveis, bateria criativa, um convite para farras de noite inteira, regadas a álcool, psicodelia, discos de vinil de rock setentista e resoluções que você nunca vai lembrar quando voltar a ficar sóbrio. "Halleluhwah", apesar da extensão e da bateria ser tocada quase no mesmo ritmo do começo ao fim jamais é cansativa.

Mas é no segundo álbum que o desafio começa. A confusão generalizada em "Augmn" e "Peking O" fazem você querer mudar de faixa. Nada aqui combina com nada. Mas, por incrível que pareça, é tudo de propósito. Se você gosta das faixas mais obscuras de Ummagumma, este segundo vinil (ou estas faixas do CD) é (são) pra você. "Bring Me Coffe or Tea" finaliza toda a viagem, como uma espécie de rendenção. E deixa um vazio. Certamente, você não ouvirá "Tago Mago" e ficará imune. É por isso que o disco figura entre os "1001 discos para ouvir antes de morrer". É, talvez, o mais desafiador dos 1001.

E aqui mais uma semelhança com "2001", o filme. "Augmn" e "Peking O" seriam trilha sonora perfeita para a longa (e difícil de assistir) parte, digamos, cromática do filme. E a sensação após ouvir o álbum inteiramente ou assistir a todo o filme é a mesma.

Em tempo, uma edição comemorativa de 40 anos em CD duplo foi lançada com todas as faixas originais em um CD e versões ao vivo de "Mushroom" e "Halleluwah" mais a faixa de 29 minutos(!) "Spoon", todas de 1972.

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Track List

1. "Paperhouse" 7:29
2. "Mushroom" 4:04
3. "Oh Yeah" 7:23
4. "Halleluhwah" 18:33
5. "Aumgn" 17:37
6. "Peking O" 11:38
7. "Bring Me Coffee or Tea" 6:47

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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