O sucesso do Alice In Chains com seu primeiro trabalho de estúdio, Facelift, não foi imediato. Mas chegou e foi muito considerável por se tratar de uma banda estreante. O EP Sap veio em seguida e consolidou o grupo como uma das “sensações do momento”. Mas eram registros bem diferentes. O quarteto de Seattle precisava de uma obra que aliasse o peso e a visceralidade de Facelift com a melodia e a depressão de Sap. E assim foi feito.
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O álbum se diferencia por ser carregado. A atmosfera do Alice In Chains é carregada de costume, mas nunca foi tão carregada (nem antes, nem depois) como em Dirt. O contexto no qual os integrantes estavam inseridos – principalmente os problemas pessoais de Jerry Cantrell, o vício em drogas de Layne Staley e os problemas com álcool de Sean Kinney e Mike Starr – geraram letras densas, depravadas e viscerais, abordando temáticas que giravam entre distúrbios psicológicos como depressão e conduta anti-social, guerra, morte e, claro, abuso de drogas (seis das treze faixas falam sobre drogas).
Obviamente, tudo isso se refletiu na musicalidade de Dirt. O título da obra (“sujeira”, em tradução para o português) faz jus a este aspecto. Os riffs, as melodias e os solos de Jerry Cantrell se apresentam carregadíssimos de melancolia. Soa como um Tony Iommi reinventado e, porque não, “modernizado”.
Aproveitando que o paralelo com Black Sabbath foi estabelecido, ressalto que, ao meu ver, Layne Staley lembra Ozzy Osbourne. Não em técnica ou em extensão vocal, pois considero Staley muito mais habilidoso que Osbourne, mas em sentimento e capacidade de interpretação. O feeling empregado em suas vocalizações é algo raro, assim como o Madman dos tempos áureos de Sabbath. Seja depravação, desespero ou qualquer sensação que Layne pretendia transmitir, é devidamente repassada através do microfone, com a ajuda das dobras vocais do também excelente vocalista Jerry Cantrell.
Apesar de pouco citada e reconhecida, a cozinha colabora muito para o clima e a proposta de Dirt. Mike Starr e Sean Kinney, respectivamente baixista e baterista, demonstravam entrosamento em suas execuções. A simplicidade e crueza das linhas de baixo e bateria, aliadas à boa produção e equalização do produtor Dave Jerden e seus engenheiros de som, dão o pano de fundo tenso necessário para o som aqui objetivado.
Dirt foi um sucesso de vendas e de crítica. Os “especialistas” aclamaram o play em canais de comunicação enquanto a base de fãs simplesmente crescia à medida que os singles de “Would?”, “Them Bones”, “Angry Chair”, “Rooster” e “Down In A Hole” (nesta ordem) eram lançados. Estima-se que, até os dias de hoje, mais de 3,5 milhões de cópias do álbum tenham sido vendidas apenas nos Estados Unidos, chegando ao 6° lugar das paradas norte-americanas em sua época de lançamento. Fora as certificações de disco de platina e ouro no Reino Unido e no Canadá, respectivamente.
Resgatando o que foi dito no segundo parágrafo: vinte anos exatos após seu lançamento, Dirt permanece soando contemporâneo, irretocável e influente. A obra-prima do quarteto de Seattle, que já teve duas vítimas fatais do abuso de drogas. Não apenas genial e musicalmente perfeito: Dirt serviu de alerta para o futuro do Alice In Chains.
Alice In Chains – Dirt
Lançado em 29 de setembro de 1992
Layne Staley (vocal, guitarra)
Jerry Cantrell (guitarra, vocal)
Mike Starr (baixo)
Sean Kinney (bateria)
Músico adicional:
Tom Araya (vocal em 10)
01. Them Bones
02. Dam That River
03. Rain When Die
04. Down In A Hole
05. Sickman
06. Rooster
07. Junkhead
08. Dirt
09. Godsmack
10. Iron Gland
11. Hate To Feel
12. Angry Chair
13. Would?
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Igor Miranda, também conhecido como Silver, 18 anos, mineiro, mora em Uberlândia (MG). É estudante de jornalismo e guitarrista de uma banda chamada Perverse (http://www.myspace.com/perverseband). Seu primeiro contato real com o Rock ocorreu através do Guns N´ Roses, em 2003, mas seu gosto musical dentro do Rock e do Metal é vasto e é apaixonado pelo KISS.
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