Bem, o que esperar deste disco? Steve Harris é um dos personagens mais emblemáticos do heavy metal. Sua banda - e vamos falar claramente, trata-se da SUA banda, que isso fique bem claro -, o Iron Maiden, vendeu mais de 85 milhões de cópias de seus 15 álbuns, e Harris deixou a sua marca em cada um deles.
Nota: 7 






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Muitos destes 15 discos apresentam a repetição de uma mesma fórmula, e não há nada de errado com isso, como Steve sempre diz. Mas há um sentimento de que, talvez, este seja o trabalho da vida de Harris. Ele e o Iron Maiden criaram um som e uma imagem duradoura, e se havia algo a acrescentar nisso tudo, que fosse antes do seu aniversário de 56 anos - Steve completou 56 em 12 de março passado.
Isso faz de "British Lion" uma supresa, e muuio bem-vinda. O disco é em grande parte uma homenagem às influências de Harris: Deep Purple, UFO, Scorpions, The Who, Rainbow e Judas Priest. Todos esses grupos são reconhecidos em algum momento, sintetizados em um som poderoso que celebra uma época. Não seria justo chamar de simples, mas é uma música descomplicada e despretenciosa, um exercício de nostalgia produzido por alguém formado pelo tempo.
Com a confiança inabalável de Harris em seu julgamento musical, ele transmite uma certa arrogância no material de "British Lion", evitando que as músicas pareçam datadas. E esse é um belo truque.
De acordo com o press release, o primeiro encontro de Steve com o vocalista Richard Taylor e com o guitarrista Graham Leslie aconteceu há muitos anos atrás, quando a dupla entregou uma fita para o baixista. E, aparentemente, Harris gostou do que ouviu. Taylor tem uma voz na linha de Glenn Hughes, e Leslie possui algo que remete a Glenn Tipton e K.K. Downing.
As três primeiras faixas de "British Lion" soam como um manifesto: o heavy metal pesadíssimo de “This is My God”, toques de ficção científica em “Lost Worlds” e um clima hard rock em “Karma Killer”. O processo se repete por todo o disco. “Judas” transpira Judas Priest. “The Chosen Ones” poderia ser um outtake do UFO da era "Misdemeanor" (1985). “The Lesson” segue a linha das baladas clássicas escritas por Ronnie James Dio e Ritchie Blackmore.
Liricamente, Harris não é tão bem sucedido. Clichês permeiam as letras e 30% das faixas tem a palavra “world” no título. Mas isso é Steve Harris e não Bob Dylan, então as expectativas devem ser moderadas.
De modo geral, "British Lion" é um álbum que vai além do que todo mundo estava imaginando, entregando mais do que o esperado. Belo acerto, Steve!
Nota: 7
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Ricardo Seelig é editor do blog Collectors Room - www.collectorsroom.blogspot.com - e colaborador das revistas poeira Zine e Rolling Stone. Escreve para o Whiplash desde 2005.
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