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Resenha - Yellow & Green - Baroness

Há uma mudança de curso em "Yellow & Green", terceiro disco da banda norte-americana Baroness. Pretencioso até a alma e bom até dizer chega, o álbum - duplo, com 18 faixas - traz o quarteto investindo em uma sonoridade mais ampla, que vai muito além do sludge com elementos progressivos dos trabalhos anteriores, "Red Album" (2007) e "Blue Record" (2009).

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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John Baizley (vocal e guitarra), Peter Adams (guitarra), Matt Maggioni (baixo) e Allen Bickle (bateria) deram um passo decisivo em "Yellow & Green". Se antes a banda já era um dos mais cultuados nomes do metal ianque, com o novo disco o Baroness extrapola e quebra barreiras, tanto estilísticas quanto de público.

Produzido por John Congleton (Modest Mouse, Okkervil River, The Polyphonic Spree), "Yellow & Green" é um trabalho repleto de detalhes. Pesado, psicodélico, atmosférico e experimental, tudo ao mesmo tempo, o disco coloca os holofotes da música pesada focados no grupo. Resumindo em palavras: em seu novo disco, o Baroness soa como se o Radiohead tocasse heavy metal. Não há limites, a criatividade é onipresente, não existem preconceitos, os medos e receios foram todos embora. Isso faz com que cada faixa seja imprevisível, cada composição seja um choque. E é justamente essa sensação que faz "Yellow & Green" ser um disco tão impressionante.

Indo muito além do padrão e fugindo das conveniências, o Baroness arrebata. Baizley e Adams derramam guitarras gêmeas inspiradas em diversos momentos, enquanto Maggioni e Bickle trabalham como um ser único de duas cabeças, quatro braços e um mesmo objetivo.

A principal qualidade de "Yellow & Green" é que trata-se de um álbum que tem como ingrediente principal algo cada vez mais em falta na música: a alma, o coração. As canções emocionam, as melodias são simples. O sentimento é palpável e contagia o ouvinte.

É estranho uma banda atual lançar um álbum duplo com 18 faixas inéditas em pleno 2012. Mas mais surpreendente que isso é o fato de essas faixas serem todas pertinentes, fazendo com que os pouco mais de 70 minutos do disco passem rápido e sem traumas. Há reminiscências de Pink Floyd, Mastodon e Radiohead aos montes durante todo o play, em uma tapeçaria sonora precisa e tocante.

"Take My Bones Away", primeiro single, é uma das melhores músicas de 2012. "Eula", o segundo, é o tipo de música com poder para conquistar uma pessoa por anos. "Cocainium" soa como se o Mastodon tivesse gravado "Ok Computer". A beleza e a melancolia são onipresentes em "Yellow & Green".

Quando se é um consumidor, um colecionador de discos e um ouvinte de música há um certo tempo - no meu caso, há 25 anos já -, a gente aprende a identificar, de imediato, aqueles trabalhos que são mais que simples CDs ou LPs e irão nos acompanhar por toda a vida. "Yellow & Green" é um deles. Um novo parceiro, que chega e já encontra o seu lugar confortável na vida de quem curte um som inovador, original e sem medo de experimentar novos caminhos.

Música com vida e com alma, capaz de deixar qualquer um com o coração na boca: assim é "Yellow & Green", não só um dos melhores discos de 2012 como também um dos grandes álbuns lançados nos últimos anos.

Ouça e dê um presente para a sua vida.

Faixas:

CD 1
Yellow Green
Take My Bones Away
March to the Sea
Little Things
Twinkler
Cocainium
Back Where I Belong
Sea Lungs
Eula

CD 2
Green Theme
Board Up the House
Mtns. (The Crow & Anchor)
Foolsong
Collapse
Psalms Alive
Stretchmaker
The Line Between
If I Forget Thee, Lowcountry

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor do blog Collectors Room - www.collectorsroom.blogspot.com - e colaborador das revistas poeira Zine e Rolling Stone. Escreve para o Whiplash desde 2005.

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