Resenha - Ancient Dreams - Candlemass

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Resenha - Ancient Dreams - Candlemass


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A apresentação do Candlemass no Dynamo Open Air na Holanda em 87, tocando pela primeira vez para uma grande plateia deu à banda a dimensão do sucesso alcançado em "Nightfall". O sucesso do álbum atraiu o interesse de grandes gravadoras e várias propostas foram recebidas, mas a banda as recusou por achar que era melhor ser a banda principal em uma gravadora de menor porte a ter que lutar por espaço com várias bandas em uma das grandes.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Logo após a apresentação no Dynamo, a banda deu início aos preparativos para “Ancient Dreams”.

A ideia inicial era que o novo álbum trilhasse o mesmo caminho de “Nightfall”, mas algumas mudanças ficaram bem perceptíveis, como as temáticas das letras, em “Nightfall” o tema central do álbum girava em torno da morte. Influenciado pela trilogia de “O Senhor Dos Anéis” de Tolkien, Leif Edling escreveu letras com temática de fantasia para “Ancient Dreams”.

Pela primeira vez desde os tempos do Nemesis a banda manteve sua formação. Foi escolhido para as gravações do álbum, o Stockholm Studio, que havia sido utilizado pela banda em algumas sessões de “Nightfall”. Algumas decisões tomadas por eles afetariam o resultado final do álbum, especialmente no que diz respeito a mixagem. A intenção inicial era contar com o trabalho de Mats Lindfors na produção, mas ele estava ocupado com outros projetos na época e a banda decidiu produzir o álbum sozinha.

As sessões de gravação duraram todo o verão de 88, desta vez sem restrições de orçamento. Durante as sessões, a banda começou a fazer experimentos com os equipamentos de estúdio buscando técnicas de gravação diferentes, mudando o posicionamento dos microfones e testando novas possibilidades, mas os resultados provenientes dessas experimentações deixavam a banda insatisfeita. O sentimento geral era que os problemas seriam resolvidos na mixagem e as sessões continuaram enquanto eles tentavam convencer Mats Lindfors a trabalhar com eles ao menos na mixagem do álbum. Lindfors respondeu que não poderia trabalhar com a banda antes do outono. Pressionados pela gravadora que queria que o álbum ficasse pronto antes da turnê com o Motorhead, agendada para o outono de 88, a banda então resolve mixar o álbum com Rex Gissln nos estúdios Montezuma. A mixagem não agradou a Leif Edling que tentou convencer a gravadora a remixá-lo. A gravadora se recusou por achar que a turnê com o Motorhead seria uma boa oportunidade para promover o álbum. Leif ficou furioso com a recusa e se queixou da gravadora em várias entrevistas. Em uma delas ele declarou, “Eu fiquei totalmente devastado quando a Active não me escutou. Eles brincaram com o nosso futuro por causa de uma turnê. Nós sobrevivemos, mas nós começamos a ter uma porção de problemas internos por causa de dinheiro e a banda foi realmente afetada nesse ponto”.

Após toda a discórdia, “Ancient Dreams” foi lançado em 9 de novembro de 88, de acordo com o planos da gravadora. A banda ficou apreensiva quanto a aceitação do álbum por parte dos fãs após as críticas da imprensa musical não terem sido tão positivas como foram em “Nightfall”. À parte de todos os problemas, os fãs do Candlemass adoraram “Ancient Dreams” e comercialmente falando é o álbum mais bem sucedido da banda superando “Nightfall”. “Ancient Dreams” foi o primeiro álbum do Candlemass a entrar na lista de mais vendidos da Billboard na posição de nº 74.

Mesmo com todo o sucesso, ainda hoje o álbum é renegado pela banda, especialmente por Leif Edling, que considera que se o álbum tivesse sido remixado como a banda queria e se algumas faixas como “The Incarnation Of Evil” e “Epistle nº 81” pudessem ser trocadas por outras canções e se o álbum tivesse algumas faixas instrumentais curtas como em “Nightfall” o resultado seria muito melhor.

O álbum foi relançado em uma edição dupla, contendo o álbum remasterizado no primeiro disco e diversas apresentações ao vivo e uma entrevista no segundo disco.

A seguir as curiosidades do álbum:

Novamente por sugestão de Messiah Marcolin, foi usada para a capa de “Ancient Dreams” a segunda pintura da série “The Voyage Of Life” de 1842. A série é composta de quatro obras representando os quatro estágios da vida, segundo a visão de seu autor Thomas Cole. A pintura usada no álbum retrata a juventude. Na primeira obra denominada “Childhood” (infância), a criança segue pelo “Rio da Vida” guiado por um anjo. O anjo pode ser visto como uma metáfora para a figura dos pais (protegendo e guiando os passos do filho). Em “Youth” (juventude), vemos um certo distanciamento do jovem da figura do anjo (ainda que este esteja próximo a ele), representando o distanciamento dos pais, comum aos jovens nessa fase da vida. O entusiasmo e a energia é representada pela cabeça e o punho erguido, que parece almejar o distante e vislumbrante castelo ao fundo da paisagem. Castelo que pode ser visto como uma representação da ambição e dos sonhos do jovem.

É importante notar que na capa do álbum, a figura do anjo foi cortada devido ao formato da capa (quadrada), aparecendo na contra capa do álbum.

Mirror Mirror:

Leif escreveu “Mirror Mirror” com o objetivo de criar uma pequena história de horror, baseada no lado mais sombrio da fantasia. A faixa abria os shows da banda durante a turnê do álbum. Foi gravado um vídeo para a faixa durante a turnê pela Suécia. O vídeo foi dirigido por Ulf Magnusson e Michael Johansson e contém imagens de uma apresentação ao vivo da banda em Örebo intercaladas com imagens dos bastidores e algumas tomadas com Messiah Marcolin gravadas em estúdio. No disco 2 temos uma versão ao vivo gravada no Elm Street Club em Estocolmo.

A Cry From the Crypt:

Uma das faixas que Leif Edling considera que foi prejudicada pela mixagem. Ele também achava que a faixa era muito semelhante a “At The Gallows End” de “Nightfall”, com um andamento mais lento.

Darkness In Paradise:

Uma das faixas preferidas dos fãs do Candlemass. A faixa é considerada por Leif Edling como um prefácio do futuro álbum “Tales Of Creation” que ele já estava escrevendo na época, devido à temática da letra.

The Incarnation Of Evil:

Aqui a banda resgatou uma antiga composição de Leif Edling dos tempos do Nemesis, chamada originalmente de “Black Messiah”. Leif nunca gostou da canção, mas por insistência de Messiah Marcolin a banda incluiu a canção no álbum.

Bearer Of Pain:

A versão ao vivo da canção seria incluída no futuro álbum “Live”, mas devido a um problema na comunicação de rádio entre a equipe responsável pela gravação no estúdio móvel e a equipe de palco, impediu que a banda fizesse a pausa necessária para a troca da fita e a faixa acabou com o trecho inicial cortado. Essa versão pode ser conferida no disco 2.

Ancient Dreams:

O auge das letras inspiradas em temas de fantasia em “Ancient Dreams”. Calabouços e dragões, unicórnios e elfos são citados na canção. Tendo a letra em mente, Leif Edling pensou em usar para a capa do álbum uma ilustração de um mágico. Mais tarde ele ficou feliz que a banda, em especial Messiah Marcolin o tenha convencido a usar a pintura “Youth” de Thomas Cole. A banda achava que a faixa não funcionava muito bem ao vivo e ela acabou sendo tocada poucas vezes em suas apresentações.

The Bells Of Acheron:

Leif queria uma canção com um andamento um pouco mais veloz, para agitar o público nas apresentações ao vivo após a banda tocar faixas mais lentas. No disco 2 temos uma versão ao vivo gravada na Holanda.

Epistle Nº 81:

Muitas pessoas de fora da Suécia questionam Leif Edling a respeito do significado das letras de “Epistle Nº 81”. A versão do Candlemass é baseada na canção homônima escrita pelo poeta e músico sueco Carl Michael Bellman que viveu no século 18. Ele costumava escrever poesias e canções cômicas e satíricas a respeito da condição humana e dos costumes da sociedade sueca.

Carl escreveu “Epistle nº 81” para um funeral.

Black Sabbath Medley:

Nesta faixa a banda homenageia sua principal influência com uma mistura de canções como “Symptom Of The Universe”, “Sweet Leaf”, "Sabbath Bloody Sabbath”, "Into the Void", "Electric Funeral", "Supernaut" e "Black Sabbath". Depois do lançamento do álbum Leif Edling considerou que seria mais apropriado que a faixa fosse lançada futuramente como um lado b em um single ao invés de sair como uma faixa normal do álbum.

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Sobre Alcides S. Maia Júnior

Conheceu o rock ainda moleque através do futebol, ao escutar We Are The Champions do Queen, a partir daí foi conhecendo diversas bandas clássicas como Black Sabbath, Deep Purple, Pink Floyd, Led Zeppelin, Rainbow, Judas Priest, Iron Maiden, Candlemass, entre outras.

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