Symbolica: Não escolheu uma banda para clonar

Resenha - Precession - Symbolica

    

Por Wendell Guiducci
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Forjada entre as lendas das minas de carvão desativadas da pequena cidade de Urussanga, em Santa Catarina, a banda estreia com um álbum poderosíssimo: "PRECESSION".

O disco foi produzido entre o Sul e São Paulo, em um processo que já demonstra o espírito inquieto do SYMBOLICA. Eles não se acomodam. Não querem revolucionar a música, mas também não admitem fórmulas fáceis nem se escondem sob a segurança da tradição. Nada de sub-gêneros: aqui está uma banda de heavy metal cru, direto e absolutamente necessária à cena brasileira.

O SYMBOLICA é uma reunião de músicos de raro talento. O núcleo
original da banda é a dupla de guitarristas Diego Bittencourt e Zeka Jr, que já vinham de cinco anos ralando na estrada com o grupo Enforcer. Foram eles que decidiram fundar a SYMBOLICA. Dialogam tão bem entre si quanto com seus instrumentos e as funções de compositores e letristas. Virtuosos e versáteis, constroem riffs poderosos, solos vorazes e conseguem, num universo tão obtuso quanto o do metal, um ponto extra: são criativos.

Gus Monsanto vem de uma sólida carreira internacional como vocalista das bandas Adagio e Revolution Renaissence. Sua capacidade de interpretação, aliada à voz colossal, faz dele, de longe – mais muito de longe -, o melhor cantor de metal em atividade no Brasil. O baterista Marcelo Moreira, um monstro da artilharia pesada, tem no currículo passagens pelo Burning Hell e Almah. Junto com o baixista Lucas Pavei, figura de respeito na cena catarinense, forma uma cozinha titânica, poucas vezes vista por estas bandas.

O SYMBOLICA não escolheu uma banda para clonar. Ao longo das
nove avassaladoras faixas de "PRECESSION", percebe-se influências do metal de primeira hora, da New Wave of British Heavy Metal, do hard rock dos anos 70 e 80, de vertentes mais agressivas do metal como thrash, death, doom, speed... Destruídas por uma britadeira turbinada por pedais duplos, licks infernais e vocais ora melódicos, ora raivosos (e mesmo guturais!), todas estas referências tornam-se uma coisa nova.

"Enjoy the ride", agressiva e de refrão ganchudo, escolhida como primeiro single e videoclipe de "PRECESSION", é um senhor cartão de visitas.

De cara já mostra muito – mas não tudo – do que o SYMBOLICA é capaz, e deixa claro também o trabalho soberbo do produtor Adair Daufembach, coisa rara no metal brasileiro. A segunda música, "Another sun", com tintas pesadas do hard rock moderno, é hit instantâneo. Daí em diante o álbum segue pesado, implacável e impossível de parar. "Awakening 999" é uma balada épica que reafirma a versatilidade do grupo e, individualmente, de seus integrantes.

A escolha de "Innuendo" - do Queen, única música não autoral do CD, em uma versão para deixar Brian May orgulhoso e fazer trincar os ossos de Freddie Mercury (não tivessem eles sido incinerados...) - para fechar o disco é prova de que o SYMBOLICA não está aí para ser óbvia. Não senhor.

Aqui está uma das melhores surpresas do metal nacional na última década.

A música de Gus, Zeka, Diego, Lucas e Marcelo é pura, contemporânea e não tem data de fabricação.

E muito menos de validade.

Gus Monsanto - vocal
Diego Bittencourt - guitarra & vocal gutural
Zeka Jr - guitarra
Lucas Pavei - baixo
Marcelo Moreira - bateria

1 – Enjoy the Ride (04:38)
2 – Another Sun (04:22)
3 – Awake the Wrath of Angels (05:26)
4 – Around Us (04:46)
5 – A Dance for Eternity (06:32)
6 – Awakening 999 (04:55)
7 – A Letter for Mankind (03:41)
8 – Humu Futurus (05:07)
9 – Innuendo – Queen cover (06:28)

Produzido, gravado, mixado e masterizado por Adair Daufembach
Co-produzido por Diego Bittencourt e Zeka Jr
Produção fonográfica por Zeka Jr
Arte por Luciana Lebel

    

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