Resenha - LA Blues Authority Volume II: Blues - Glenn Hughes

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Resenha - LA Blues Authority Volume II: Blues - Glenn Hughes


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Vamos falar sobre um álbum que completa 20 anos agora em 2012: o disco "L.A. Blues Authority Volume II: Glenn Hughes - Blues", que ajudou Glenn Hughes, o grande "voice of the rock", a recuperar a sua carreira, fortemente atrapalhada pelo vício nas drogas que ajudaram a acabar com o Deep Purple no meio dos anos 70. Vamos lá!

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Como já escrevi em uma resenha aqui do site (Veja aqui!), sobre o disco "Come Taste The Band", do Deep Purple, os problemas com drogas de Glenn Hughes já se acentuavam durante as gravações do citado álbum e na turnê de divulgação. A banda a seguir se desfez, e Hughes partiu para a carreira solo, iniciando com o disco "Play Me Out", em 1977. Este disco conta com diversos músicos, incluindo os companheiros de Glenn no Trapeze, Mel Galley e Dave Holland. A partir daí, teríamos um hiato de quinze anos até o lançamento deste discaço de blues que estamos falando. Durante este longo período, Hughes participou de diversos projetos e tocou em diversas bandas, mas não lançou nenhum disco solo. Os projetos mais importantes que podemos citar são o projeto com Pat Thrall, com quem lançou um álbum em 1982; sua participação no disco "Run For Cover", de Gary Moore, 1985, onde cantou e tocou baixo em quatro canções; e sua participação no Black Sabbath, onde foi o vocalista do álbum "Seventh Star", de 1986, e também iniciou a turnê - acabou tendo que ser substituído no meio dela, por diversos problemas.

Fica claro, pelo parágrafo acima, que Glenn Hughes estava com sérios problemas com as drogas. A ficha caiu e ele passou por um processo de desintoxicação no comecinho dos anos 90, o que foi fundamental para o reerguimento deste grande músico. A retomada da carreira se deu, primeiro, com sua participação como vocalista no sucesso "America: What Time Is Love?", do grupo de música eletrônica KLF. Depois tivemos Glenn gravando todos os vocais para o disco solo do guitarrista John Norum, do Europe. Estes trabalhos foram os primeiros depois de sua recuperação do vício em drogas que tanto estava atrapalhando sua carreira.

A seguir, Hughes gravaria este grande petardo de blues, com a participação de diversos guitarristas de renome da época: John Norum, do Europe, já citado acima; Mick Mars, do Motley Crue; Warren DeMartini, do Ratt; Ritchie Kotzen, do Poison e Mr.Big; e Mark Kendall, do Great White. Temos também o guitarrista Paul Pesco, que já tocou com Madonna (na turnê do álbum "Like A Virgin"). Todos estes guitarristas se revezam nos solos do álbum. A guitarra base de todo o disco foi feita por Craig Erickson (confira o site dele aqui); o baixo ficou a cargo de Tony Franklin (já tocou com Roy Harper, The Firm e outros grandes nomes) e do próprio Glenn Hughes; a bateria ficou com Gary Ferguson (já tinha tocado com Hughes no projeto com Pat Thrall e no disco de Gary Moore; tocou em diversos discos seguintes da carreira solo de Glenn) e ainda tivemos os teclados por Mark Jordan. Tanta fera junta não poderia trazer outro resultado senão um belíssimo disco de blues rock.

O álbum abre em grande estilo com "The Boy Can Sing The Blues", um bom riff de guitarra e rapidamente a voz de Hughes toma conta da canção, aquele vozeirão inspirado que tanto gostamos - como o título da música diz, o garoto pode cantar blues!! "I'm The Man" traz um ritmo mais quebrado, uma levada funkeada típica de Glenn. Em "Here Comes The Rebel", Mark Rendall já mostra serviço desde o começo, numa canção tipicamente blues rock. Já em "What Can I Do For Ya?", quem chega mostrando serviço é o baterista Gary Ferguson, junto com Ritchie Kotzen, num dos maiores destaques do álbum. A letra de "You Don't Have To Save Me Anymore" parece até auto-biográfica, aliás todas no disco, segundo o próprio Glenn Hughes são, segundo a Wikipedia, temas que lidam com os demônios pessoais da época em que o disco foi gravado. "So Much Love To Give" é daqueles blues lentinhos deliciosos, que ficam ainda melhores na grande voz de Glenn. Uma das melhores do disco, para mim.

"Shake The Ground" é talvez a mais fraquinha do álbum, não tem o punch das outras canções, apesar da bela performance vocal de Glenn Hughes. "Hey Buddy (You Got Me Wrong)" também não empolga tanto no começo, crescendo bastante na segunda metade. "Have You Read The Book?" já começa com solos inspirados e seu refrão talvez seja o mais forte do disco. "Life Of Misery" segue um clima mais intimista, com um refrão cativante. "Can't Take Away My Pride" tem mais uma grande performance vocal de Hughes, e o disco se encerra com "A Right To Live", mais uma com bom refrão e grande vocal do homem, pra fechar em grande estilo, assim como começamos.

Este é um disco pouco conhecido, mas de qualidades impressionantes, e vale a pena ser conhecido e apreciado por todos os fãs de Glenn Hughes, que sabem curtir um belo álbum como este. O desfile de grandes guitarristas emprestando seu talento para este registro também é impressionante e aumenta ainda mais a importância deste grande registro do "the voice of rock".

Eis a relação de músicas do álbum:
1 - "The Boy Can Sing The Blues" - solos de John Norum e Warren DeMartini
2 - "I'm The Man" - solos de John Norum e Warren DeMartini
3 - "Here Come The Rebel" - solos de Mark Rendall
4 - "What Can I Do For Ya?" - solos de Ritchie Kotzen
5 - "You Don't Have To Save Me Anymore" - solos de Mark Rendall e Warren DeMartini
6 - "So Much Love To Give"
7 - "Shake The Ground" - solos de Darren Householder
8 - "Hey Buddy (You Got Me Wrong)" - solos de Paul Pesco
9 - "Have You Read The Book?" - solos de Mick Mars e Darren Householder
10 - "Life Of Misery"
11 - "Can't Take Away My Pride" - solos de Mick Mars
12 - "A Right To Live" - solos de Ritchie Kotzen
(informações sobre os solos retiradas da Wikipedia)

Alguns vídeos:
"The Boy Can Sing The Blues":

"I'm The Man":

"A Right To Live":

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Até a próxima!!

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Sobre João Paulo Linhares Gonçalves

Roqueiro convicto, de carteirinha, desde os treze anos de idade. Já tive diversas bandas preferidas: de Iron Maiden, Metallica e Black Sabbath a The Who, Pink Floyd e Rolling Stones. O heavy metal sempre me atraiu muito, mas o rock praticado nos anos 60 e 70 é fascinante e estou sempre escutando. De vez em quando, dou chance ao punk, rock alternativo, blues, até ao jazz e MPB, pra variar.

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