Resenha - Rust in Peace - Megadeth

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Resenha - Rust in Peace - Megadeth


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Quanto mais escuto o álbum "Rust in Peace", maior é a minha certeza de que a saída traumática de Dave Mustaine do METALLICA foi um dos melhores acontecimentos na história do Heavy Metal. Sem isso, não poderíamos apreciar esta que é, indubitavelmente, a obra mais importante do MEGADETH e uma das mais influentes do Thrash Metal. "Rust in Peace" torna bem claro outro ponto de vista que, com certeza, muitos compartilham: o polêmico Mustaine foi infeliz em vários comentários que fez ao longo de sua carreira, mas, quando o cara põe as mãos em uma guitarra e abre a boca apenas para cantar, percebemos a genialidade por trás do MEGADETH – sem desmerecer, é claro, os grandes músicos que passaram pela banda (e olha que foram muitos!).

Nota: 10

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Depois de ser preso por porte de drogas e internado em uma clínica de reabilitação, o agora sóbrio Mustaine se viu diante de um problema: o MEGADETH precisava de novos integrantes. Nick Menza assumiu a bateria. O problema mesmo foi achar um guitarrista que agradasse o exigente Dave. Nomes de "peso", como Lee Altus (Heathen), Eric Meyer (Dark Angel), Criss Oliva (Savatage), Slash (Guns N’ Roses), Dimebag Darrell (Pantera), entre outros, foram cogitados para o posto – alguns, na verdade, não aceitaram o convite. Mas, após muitas audições, Mustaine parece ter feito a escolha certa convocando o talentoso Marty Friedman, detentor de um currículo indiscutível, pois tocara guitarra ao lado do lendário Jason Becker na banda Cacophony, apesar de Dave ter implicado com o cabelo colorido dele no início.

Assim, com esse line-up fenomenal, o MEGADETH pôde dar início às gravações de seu quarto álbum de estúdio. E foi o que eles fizeram quando puseram os pés no Rumbo Studios em março de 1990. Duas coisas até então inéditas ocorreram durante a gravação de "Rust in Peace". A primeira é que os membros mantiveram-se sóbrios enquanto gravavam o disco. A segunda é que Mike Clink, co-produtor da época, foi o primeiro a conseguir a façanha de permanecer ao lado do MEGADETH do começo ao fim das gravações. E o resultado disso é perceptível no momento em que "Rust in Peace" é posto para rodar.

O full-length saiu no dia 24 de setembro do mesmo ano. Ao olhar para sua capa, topamos com Vic Rattlehead (mascote do grupo) empunhando o que parece ser uma ameaçadora e luminosa pedra de urânio e fazendo companhia aos estadistas mais poderosos do mundo àquela altura – na ordem, da esquerda para a direita, vemos John Major (primeiro ministro britânico), Toshiki Kaifu (primeiro ministro japonês), Richard von Weizsäcker (presidente alemão), Mikhail Gorbachev (secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética) e George H. W. Bush ou, como é conhecido popularmente, o Bush pai. Não há dúvidas de que a arte da capa captou perfeitamente a temática abordada no álbum. E o responsável por esse trabalho fabuloso é o artista estadunidense Ed Repka, já muito conhecido pelos thrashbangers devido a outras capas do MEGADETH e de muitas outras bandas de Metal.

Felizmente, não é só a arte que impressiona; a parte sonora é igualmente poderosa. Sendo assim, não consigo imaginar melhor faixa de abertura do que a clássica "Holy Wars... The Punishment Due", com seu início triunfal e desenvolvimento cheio de complexos riffs e solos de tirar o fôlego. "Holy Wars..." nos põe diante de um MEGADETH mais técnico do que nunca, altamente inspirado e tematicamente preocupado com os problemas geopolíticos que marcam a transição entre o fim da década de oitenta e início da de noventa. A faixa mereceu um clipe cujas cenas alternam entre a banda e vídeos de guerra não muito diferentes dos que vemos atualmente. A música seguinte, "Hangar 18", dispensa qualquer apresentação. Trata-se de um grande exemplo de peso e criatividade. Nela, é possível perceber que, definitivamente, o MEGADETH tornara-se uma banda com sonoridade própria, não podendo ser comparada a outros grupos do gênero. Ela também deu origem a um clipe em que vemos Mustaine e Cia fazendo muito barulho num cenário que faz referência a possíveis instalações secretas dos EUA, em meio a extraterrestres dos tipos mais bizarros – eis uma boa pedida para os que apreciam "teorias da conspiração". Vale ressaltar que, embora hoje pareça um pouco tosco, o clipe é inesquecível.

Por essas e outras razões, ouso dizer que, se o "Rust in Peace" só tivesse "Holy Wars..." e "Hangar 18", ainda assim seria o registro mais importante do grupo, tamanha é a importância das faixas. Mas, para deleite do ouvinte, o MEGADETH foi muito mais longe. Quando os primeiros riffs de "Take no Priosioners" começam a soar, até posso imaginar o circle pit se abrindo no meio da multidão. "Take...", cuja temática gira em torno da guerra, tem por sucessora uma faixa que se volta à fantasia. Falo de "Five Magics", música mais lenta, mas não menos agressiva. Seu início é marcado pelas incríveis linhas de baixo de Ellefson, as quais também dão início à música seguinte, "Poison Was The Cure", que, apesar do começo também lento, logo se converte numa faixa com incrível pegada Speed Metal.

Introduzida por uma gargalhada maquiavélica, "Lucretia" é mais uma daquelas faixas com muito peso e riffs intricados que descambam para uma linha mais progressiva e cadenciada. A dupla Mustaine-Friedman está afiadíssima! Trata-se de outro clássico da banda. E, já que falamos em clássico, passemos à próxima faixa: "Tornado of Souls" é uma das músicas mais importantes do álbum em função de sua concisão – guardadas as devidas proporções – e por suas linhas de guitarra cheias de "feeling". "Tornado..." não é a melhor música, mas, certamente, é uma das mais enérgicas. Além disso, o atrito entre a palheta e as cordas logo no seu início é memorável. Assim, chegamos à penúltima música, a destoante "Dawn Patrol", que antecede "Rust in Peace... Polaris" com sua introdução de bateria, anunciando que o disco está chegando ao fim. E, quando a música parece de fato encerrada, as palhetadas comem soltas mais uma vez. Melhor fim, impossível!

Não há com se opor à qualidade de "Rust in Peace". Para ilustrar melhor o que digo, o disco, em termos de destaque e importância discográfica, pode ser comparado ao "Reign in Blood" do Slayer ou o "Master of Puppets" do Metallica. Em resumo, o MEGADETH definiu seus próprios rumos ao criar este álbum indispensável na coleção de qualquer apreciador do bom Metal.

Rust in Peace – Megadeth
(1990 – Capitol Records – Nacional)

Formação:
Dave Mustaine – guitarra e vocal
Marty Friedman – guitarra
David Ellefson – baixo
Nick Menza – bateria

Track List:
1. "Holy Wars... The Punishment Due"
2. "Hangar 18"
3. "Take No Prisoners"
4. "Five Magics"
5. "Poison Was the Cure"
6. "Lucretia"
7. "Tornado of Souls"
8. "Dawn Patrol"
9. "Rust in Peace... Polaris"



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Sobre Bruno Mariano

Nascido no fim da década de oitenta, o paulistano Bruno Mariano é graduado em Letras e aficionado por Rock desde a adolescência, momento em que descobriu, ao escutar Ramones e AC/DC – bandas tão diferentes uma da outra –, a energia e o poder contestador desse gênero musical que, não por acaso, é apreciado nos quatro cantos do planeta. Daí em diante foi curto o caminho para que tivesse os primeiros contatos com o universo da música pesada e se rendesse à genialidade de vários nomes do Metal, entre os quais se incluem baluartes do Heavy tradicional, Thrash, Death e Black Metal. Influenciado por filósofos como Nietzsche e Camus, Bruno é daqueles que enxergam na arte (música, literatura, cinema, quadrinhos etc.) uma forma de superação do absurdo aparentemente indelével do mundo contemporâneo.

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