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Resenha - Queens Of Noise - Runaways

Em uma das cenas do filme "The Runaways" o "exótico" produtor KIM FOWLEY pede à vocalista CHERRIE CURIE que cante com mais atitude – segundo ele o público masculino só se interessa por mulheres na posição de "joelhos" (acho que fui claro né?). Fato é que, até hoje, o rock n´roll é um ambiente com predominância masculina (atenção eu disse – predominância e não exclusividade). Mas também é claro que isso é cultural e não algo relacionado a gênero – visto o som de bandas como L7, GIRLSCHOOL e muitas outras não deverem nada a "seu" ninguém.

Nota: 10

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Acontece que as RUNAWAYS foram muito, mas muito além disso tudo. Primeiro: gente da categoria de JOAN JETT e LITA FORD apareceu para o mundo vindas desse quinteto – e olha que eram só adolescentes na época. Segundo: poucas bandas na história conseguiram transitar tão facilmente entre a atitude punk e o som hard rock com pitadas de proto metal. Terceiro: tudo isso foi feito em apenas quatro anos - tempo que o grupo durou.

Depois do debut com o álbum homônimo (que trazia o mega clássico "Cherry Bomb"), em 1977 a banda lançou "Queens of Noise", mais maduro e amplo do que o primeiro - cortesia de EARLE MANKEY - produtor dos BEACH BOYS. O disco faz jus ao título - "Rainhas do Barulho" - com guitarras cortantes como aço em suas dez faixas.

"Queens of Noise" - a faixa - escrita por BILLY BIZEAU, é de uma crueza inacreditável, expondo as entranhas punks da banda. "Take or Leave It" resolve de vez a questão se mulheres sabem ou não tocar guitarra, com FORD quebrando a banca – essa mesma energia pode ser conferida na antecessora do hard da década seguinte, "I Love Playin' With Fire" e em "Neon Angels on the Road to Ruin", faixa no melhor estilo "Barracuda" do HEART daquela década.

E as baladas estão lá: "Midnight Music" mostra a receita certa para se dosar o peso em uma faixa lenta. Mais uma vez destaca-se aqui o trabalho da produção, polindo o som sem perder as características do som do grupo. Na sequência, "Born to Be Bad" passa a perna no ouvinte: começa lenta e melódica e cai numa espécie de experiência distorcida - boa até dizer chega.

Agora se você estiver com muita pressa na primeira vez que ouvir esse disco, vá direto para "California Paradise" e veja o prenúncio da NWOBHM ali mesmo. Olha, se você ainda acha que lugar de mulher é no tanque, escute e aprenda como se faz.

Track list:

1. "Queens of Noise"
2. "Take It Or Leave It"
3. "Midnight Music"
4. "Born to Be Bad"
5. "Neon Angels on the Road to Ruin"
6. "I Love Playin' With Fire"
7. "California Paradise"
8. "Hollywood"
9. "Heartbeat"
10. "Johnny Guitar"

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Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n´roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas.

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