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Resenha - Bad Company - Bad Company

A coisa mais triste se ficar velho é perceber que, enquanto algumas coisas melhoram substancialmente, outras decaem de uma forma vergonhosa. Se a Internet trouxe a possibilidade de qualquer um saber qual o nome do baterista do SAXON ou quais foram as influências de LARS ULRICH em segundos, por outro lado, tornou muitos fãs de rock n´roll de certa forma, mais comodistas, menos inquietos, mais passivos, discutindo sem ouvir, falando sem saber.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Veja, por exemplo, o caso de PAUL RODGERS: dono de uma carreira invejável, hoje ele é conhecido “apenas” por ser o capitão do que um dia foi o QUEEN. Sem menosprezo, lógico, mas, com todo respeito aos maravilhosos remanescentes da banda, LED ZEPPELIN sem JIMMY PAGE, SABBATH sem IOMMI e QUEEN sem MERCURY não dá, né ?

Por outro lado, estou certo de que um grupo muito menor de pessoas conhece o trabalho de RODGERS a fundo- um cidadão com mais de quarenta anos de serviços muito bem prestados ao rock n´roll. Seja à frente do FIRM, do FREE ou do QUEEN, o homem mostra toda a herança blueseira “bruta” que sempre se sobressai em seus vocais estupendamente trabalhados.

Em 15 de junho de 1974, sai o primeiro álbum, homônimo, do BAD COMPANY. Originalmente composta, além de RODGERS no vocal, por, SIMON KIRKE (bateria), MICK RALPHS (guitarra) e BOZ BURRELL (baixo), a banda fazia um hard rock competente- vigoroso, mas, ao mesmo tempo com alta carga melódica.

Redundante dizer que o grande diferencial do BAD era mesmo a indefectível voz de RODGERS. O vocalista, em suas interpretações, unia a doçura de STEVE WINWOOD com o “descuido” malicioso e cachaceiro de ROD STEWART- sempre mantendo o timbre de voz singular. Faixas como “Rock Steady” deixam claro que o grupo mantinha os pés fincados na tendência da época, sem vanguardismos- mas sem mesmice.

“Don´t Let Me Down” lembra vagamente a sua célebre homônima no refrão; contudo sua condução está mais para STONES do que para o quarteto de Liverpool- tá aí uma tremenda balada! Antecipando sua entrada no QUEEN (brincadeira!), “Bad Company” começa lenta ao piano, ganha espaço na dinâmica e vira um puta riff de bom gosto de RALPHS.

Falando em STONES, “Movin On” e “Can´t Get Enough” tem toda aquele carga swingueira que anos depois faria a alegria do BLACK CROWES e do BLUES TRAVELLER e vale o ótimo solo de guitarra. Já “Seagull” é folk puro, conduzida no violão e voz, ao melhor estilo dos anos 70- para minha alegria.

Vale demais uma ouvida.

Track List:

• "Can't Get Enough"
• "Rock Steady"
• "Ready for Love"
• "Don't Let Me Down"
• "Bad Company"
• The Way I Choose"
• "Movin' On"
• "Seagull"

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Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n´roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas.

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