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Resenha - Steppenwolf - Steppenwolf

“Heavy Metal Thunder” - muito já se atribuiu a essa frase – presente em “Born To Be Wild” - ao nascimento da expressão que enche nossos olhos de lágrimas. Contudo, há controvérsias sobre essa paternidade.

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Em Expresso Nova, de Willian Burroughs, um dos expoentes do movimento literário chamado beatnik, o lisérgico autor usa a expressão “Heavy metal thunder kid” para caracterizar um de seus personagens. Ainda, o mestre da crítica musical, LESTER BANGS, também se valeu da expressão, no fim da década de 60, para designar o som de bandas como BLUE CHEER e do “alien” JIMI HENDRIX.

Lendas como essas cercam a mitologia do rock n´roll. Mas, fato é que, antes do SABBATH, o metal já havia plantado suas sementes. Bandas como BLUE CHEER e VANILLA FUDGE fundiam o blues à lisergia, abusando dos limites da distorção, aumentando o volume dos vocais e extrapolando os tons graves. Essa vertente é chamada de acid rock e teve, como um de seus célebres representantes, uma banda californiana chamada STEPPENWOLF.

Em janeiro de 1968, a banda lança seu debut homônimo, um clássico absoluto produzido por GABRIEL MECKLER (que, entre outros, produziu gente do gabarito de JANIS JOPLIN e ETTA JAMES). Em pouco mais de quarenta e seis minutos, o STEPPENWOLF faz o que muita gente tentou a vida inteira e não conseguiu.

“Sookie Sookie” tem o swing necessário a uma versão psicodélica de qualquer coisa que WILSON PICKETT pretendesse fazer. Em seguida, “Everybody´s Next One” é puro THE WHO, permeada por um riff fantástico da guitarra de JOHN KAY. Curte classic rock estilo CHUCK BERRY? Então dê uma ouvida em “Berry Rides Again” e sinta o drama!!

Incorporar referências e transformá-las em algo cheio de personalidade, aliás, parece a especialidade do grupo - ouça a versão irrepreensível do insuspeito clássico “Hoochie Coochie Man” e tire a dúvida. A veia blueseira ainda aparece exposta em “Your Wall´s Too High”, cheia de vontade e competência por parte da banda. Na mesma linha “Take What You Need” dá uma colher de chá ao southern rock que viria anos depois com uma ótima pegada.

Agora, falar sobre “Born To Be Wild” e “The Pusher” é sacanagem - algo como comentar “Satisfaction” ou “Purple Haze”. Caso o leitor seja neófito na área (o que eu duvido), assista “Easy Rider” e tire suas próprias conclusões! Nota: 10, claro.

Track List;
1. "Sookie Sookie"
2. "Everybody's Next One"
3. "Berry Rides Again"
4. "Hoochie Coochie Man"
5. "Born to Be Wild"
6. "Your Wall's Too High"
7. "Desperation"
8. The Pusher
9. "A Girl I Knew"
10. "Take What You Need"
11. "The Ostrich"

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Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n´roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas.

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