Na década de 1990, o mundo passava por períodos turbulentos. Passada a Guerra do Golfo, que marcara o começo daquela década, o mundo da música presenciava o fim do período alto astral do rock e do pop na década de anterior que viria a ser tomado de assalto pelo som mais denso e pé-no-chão do grunge, em uma espécie de replay do que fizera o movimento punk anos antes. A AIDS era o assunto do momento e assustava a todos, principalmente após as notícias de pessoas famosas que contraíram a doença. Tudo isso e muito mais impactou o décimo quinto trabalho de estúdio do trio canadense Rush, contando ainda com o retorno de Peter Collins na produção.
Nota: 10 









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A abertura com a excelente “Animate” ainda traria um discreto teclado acompanhando as linhas de baixo, mas já ficava clara a mudança. Porém, foi na faixa seguinte que tudo ficou mais escancarado: com um riff matador de Lifeson, usando a guitarra afinada em Ré, e uma letra feroz de Peart, falando sobre controlar a raiva e engolir “sapos”, “Stick It Out” surpreendia pelo peso. Foi a primeira faixa de trabalho, com vídeo clipe rolando na MTV e tudo mais. E a continuação perfeita era justamente a terceira música do trabalho, “Cut To The Chase”, que, como o próprio título sugere, vai direto ao assunto e nos traz um rockão de primeira.
A AIDS foi o tema do segundo single do disco, “Nobody’s Hero”, que tratava da discriminação que os soropositivos enfrentavam e da tristeza da perda de entes queridos para a doença. Marcava também a colaboração do saudoso maestro Michael Kamen nas orquestrações, além de trazer um ótimo solo de guitarra de Lifeson. A sequencia matadora trazia ainda “Between Sun and Moon”, com mais um grande trabalho de Peart na bateria (aliás, isso não é pleonasmo?) e a “sci-fi” “Alien Shore”.
Outros pontos altos são a instrumental “Leave That Thing Alone”, presença constante nos shows da banda desde então, a nervosa “Double Agent” e o enceramento em grande estilo com “Everyday Glory”, onde se nota uma leve influência de U2 (em especial nos teclados da introdução).
“Counterparts” agradou em cheio não só aos seguidores de longa data da banda (em especial os que torciam o nariz para a era “new wave”), como também à molecada fã do rock cru trazido pelo grunge. Foi a partir desta turnê também que o trio passou a adotar os shows mais longos, com quase três horas de duração e sem banda de abertura, popularmente chamado de “An Evening With Rush” (“Uma noite com o Rush”) – até hoje seu show é dividido em duas partes de mais de uma hora, com um intervalo de quinze a vinte minutos, e uma terceira parte por conta do bis (modelo que seria também adotado pelo Dream Theater, mas logo deixado de lado).
Um trabalho essencial em sua obra. Se você não conhece, não deixe de conferir o “disco do parafuso”, como alguns fãs carinhosamente o tratavam em referência à sua capa.
Produzido por Rush e Peter Collins
1. "Animate" - 6:05
2. "Stick It Out" - 4:30
3. "Cut to the Chase" - 4:49
4. "Nobody's Hero" - 4:54
5. "Between Sun and Moon" - 4:37
6. "Alien Shore" - 5:35
7. "The Speed of Love" - 5:03
8. "Double Agent" - 4:51
9. "Leave That Thing Alone" - 4:06
10. "Cold Fire" - 4:27
11. "Everyday Glory" - 5:10
• Geddy Lee: Baixo, sintetizadores e vocal
• Alex Lifeson: Guitarra, violão e backing vocals
• Neil Peart: Bateria, dulcimer e percussão
• Teclado adicional: John Webster
• Maestro em "Nobody´s Hero": Michael Kamen
• Direção de arte: Hugh Syme
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Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.
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