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Resenha - Helvetios - Eluveitie

Sendo talvez uma das bandas mais icônicas da nova geração do Folk Metal, o Eluveitie entra em 2012 lançando seu primeiro disco conceitual, e quinto disco de inéditas, intitulado “Helvetios”. Depois do muitíssimo bem recebido “Everything Remains As It Never Was” (2010), a banda fez uma bem sucedida turnê ao redor do mundo, passando inclusive por terras brasileiras duas vezes antes do lançamento do novo trabalho.

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Quando eu comentei o disco de 2010, havia dito que a banda havia alcançado um equilíbrio perfeito entre as sonoridades de seus três trabalhos anteriores, resultando em um álbum coeso e que definitivamente cravara o nome dos suíços no cenário do Folk Metal. Pois bem, mas agora com o novo disco a banda conseguiu me surpreender mais uma vez. Eu sinceramente esperava que se seguisse o molde de “Everything Remains...”, naquele mix de sonoridades atingido, porém o que ouvi logo de cara na primeira audição foi que eles conseguiram incrementar ainda mais o seu som, moldando dessa forma uma sonoridade que se torna mais única e representativa ainda. Um ponto positivo já de partida.

Sendo este “Helvetios” um disco conceitual, contando a história das guerras gaulesas contra os romanos, nada mais correto do que começar os trabalhos com uma narração, aqui chamada apenas de ‘Prologue’. A voz de um homem velho, que aparenta ter vivido e visto muitas coisas, com ao fundo o som do mar, dá o clima dessa abertura, que emenda com a faixa-título quando começam a soar as flautas que se tornaram marca registrada do Eluveitie.

E esta faixa-título já dá amostras do que eu dizia sobre mais uma vez conseguir balancear todas as fases da banda. Temos bastante peso e agressividade, corais ao fundo, muitas flautas e outros instrumentos exóticos, sintetizando muito essa proposta helvética de fazer metal folclórico.

Logo em seguida temos a fantástica ‘Luxtos’, que é a minha favorita. Mais peso e mais folk, tudo perfeitamente ajustado em uma química irretocável. O refrão espetacular em gaulês (eu ao menos acredito que o seja, me corrijam se estiver errado) é absolutamente empolgante, que te faz cantarolar junto mesmo não tendo a menor ideia do que se esteja cantando. Com certeza um dos grandes destaques.

Um pouco mais cadenciada é a faixa seguinte, ‘Home’. Essa sim parece um pouco mais com o que se ouviu no disco anterior, mas mesmo assim tem uma aura própria muito interessante. Menos veloz, porém com o mesmo peso e vigor das demais. Mais uma bela faixa e muito inspirada e ‘Santonian Shore’, com a veia folk mais presente no começo e que alterna com momentos de puro death metal melódico ao longo do seu caminho. Bastante criativa e outros dos bons momentos do disco.

‘Scorched Earth’ parece como um mantra druida que invoca a sabedoria dos ancestrais celtas, pedindo ajuda na violenta luta contra os opressores romanos. Claramente uma reminiscência do disco experimental “Evocation I: The Arcane Dominion” (2009), chegando quase a ser hipnótica, mística e mágica. Uma faixa que provavelmente desagrade alguns fãs, mas que pessoalmente eu gostei muito e que se encaixa na proposta conceitual do disco.

Logo a seguir a pancadaria volta à tona, ‘Meet The Enemy’ talvez seja a canção mais metal do disco, com passagens folk mais comuns, digamos assim, porém eficientes e sempre bem elaboradas. Uma boa faixa, mais reta e pesada, porém não chega a ser um dos maiores destaques. E nessa mesma batida vem ‘Neverland’, também direta e reta, com boa pegada folk e um ótimo refrão. Mas é preciso dizer que talvez essa dupla represente o momento de menos brilho no álbum.

Porém a audição ganha nova força agora com a excepcional ‘A Rose For Epona’. É uma faixa mais light, com flertes com o pop para alguns mais extremistas, mas dizer isso seria tolice, pois mesmo não sendo nada ortodoxa, essa é uma canção com vigor, pegada e peso na medida certa. E o fato de ela ser cantada inteiramente por Anna Murphy garante um quê a mais, pois isso de fato é algo incomum no repertório da banda. Mais um grande e empolgante refrão. Outra das minhas favoritas.

O que foi tentado em ‘Meet the Enemy’ resultou em melhor fruto com ‘Havoc’, muito pesada e agressiva, com a faceta do folk, baseada principalmente em violinos acelerados, construída de uma maneira mais notória e impactante. Decididamente uma que deu consideravelmente mais certo que a antes citadas. Uma peça furiosa e repleta de energia.

‘The Uprising’ é outra boa faixa, mas que caminha por meios mais comuns e que não tem grandes destaques a comentar. ‘Hope’ é um interlúdio instrumental bonito, mas não de grande notoriedade. Mas então temos uma pérola, o tiro curto ‘The Siege’, de peso cavalar, violinos bem encaixados e backing vocals de Anna muito interessantes.

Encaminhando o derradeiro fim, nos chega ‘Alesia’, que propicia um dueto muito bom entre Chrigel e Anna, mesclando a beleza da voz feminina com a ferocidade da masculina de uma forma solta e tranqüila sem virar aquele clichê típico. Mais uma que mantém o nível do disco alto.

Mais um interlúdio, narrado dessa vez, para a coleção: ‘Tullianum’. E esta se junta com ‘Uxellodunon’, canção competente apesar do pouco que tem a oferecer de novo. É de fato uma boa canção, mas talvez fosse preciso uma faixa de maior destaque pra encerrar as “músicas em si” do disco.

E a história termina como começou. ‘Epilogue’ nos traz de volta o narrador concluindo seu relato, para em seguida uma breve e bela sessão instrumental aliada a um coro deu o clima definitivo de desfecho. Da forma como foi, não poderia ser melhor.

É um disco de muitas faixas, com alguns interlúdios que poderiam ser tranquilamente cortados. Mas mesmo assim de forma alguma é uma audição cansativa ou que se arrasta demais, muito pelo contrário até, sendo absolutamente agradável e empolgante. Apesar de um ou outro deslize afirmo que “Helvetios” já esteja brigando pelo topo da discografia do Eluveitie, sendo um disco forte, firme e muito coeso, denotando uma banda criativa e irrequieta que não cansa em esmerar mais e mais a arte que faz.

É provável que tenham notado que durante o texto não mencionei nenhum destaque individual entre os músicos. Preferi não o fazer por em uma banda de sete membros, e tão entrosados e afinados entre si, acredito que seria injusto apontar os destaques individuais de cada músico.

Por fim, um senhor disco que os amantes do Folk Metal com certeza apreciarão muito. Compre e não se arrependa!

O Eluveitie é:
Chrigel Glanzmann – Vocals, Acoustic guitars, Mandolin, Uilleann pipes, Bodhrán, Tin and low whistles, Gaita
Meri Tadic – Fiddle, Vocals
Merlin Sutter – Drums
Ivo Henzi – Guitars
Sime Koch – Guitars, Vocals
Anna Murphy – Hurdy gurdy, Vocals
Päde Kistler – Bagpipes, Whistles
Kay Brem – Bass

Track List:
1. Prologue 01:24
2. Helvetios 04:00
3. Luxtos 03:56
4. Home 05:16
5. Santonian Shores 03:58
6. Scorched Earth 04:18
7. Meet the Enemy 03:46
8. Neverland 03:42
9. A Rose For Epona 04:26
10. Havoc 04:05
11. The Uprising 03:41
12. Hope 02:27
13. The Siege 02:44
14. Alesia 03:58
15. Tullianum 00:24
16. Uxellodunon 03:51
17. Epilogue 03:16

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Sobre Júlio André Gutheil

Nascido em Feliz, interior do Rio Grande do Sul, de origem alemã e com 20 anos de idade. Grande fã de Blind Guardian, Paradise Lost e Opeth, além de outras várias bandas de diversos estilos distintos. Pretende cursar jornalismo e também se dedicar o máximo possível à crônica do mundo Heavy Metal. Escreve no blog www.metalmeltdowndiscos.blogspot.com. Twitter: @jagutheil.

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