Desecrated Sphere: Brutalidade, melodia e técnica

Resenha - Unmasking Reality - Desecrated Sphere

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Por Plínio Alves
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Acredito que o mais difícil de se estabelecer em uma banda de Technical Death Metal é o entrelaçamento entre o técnico e a melodia. Normalmente a velocidade dos sweeps e tappings, e palhetadas fritadas em riffs medonhos espantam e excitam os ouvintes de música extrema, e a melodia acaba sendo deixada um pouco de lado, em consequência do frenesi das músicas brutais e técnicas.
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No entanto, o Desecrated Sphere consegue manter a brutalidade musical, os arranjos técnicos, e acima de tudo, uma melodia intrigante. Embora as minhas palavras ditas anteriormente no primeiro parágrafo não se apliquem necessariamente ao Desecrated Sphere - ou se aplicam em parte - achei válido o mencionamento, para que os leitores tomem noção da dimensão da coisa. Portanto, o Desecrated Sphere trata-se de um ponto de encontro entre três vertentes: a brutalidade, a melodia e a técnica, algo que pode espantar qualquer ouvinte de música extrema inicialmente, devido ao tamanho profissionalismo desses caras, e por se tratar de uma banda relativamente "nova".

Aqui pode-se encontrar influências claras de bandas como Obscura e Decapitated, onde arrisco a dizer que o Desecrated Sphere mantém uma característica de música progressiva, o que poderíamos chamar de Techinal Progressive Death Metal, algo bem semelhante e especialmente ao Decapitated, embora possua personalidade forte, com características próprias.

O disco "The Unmasking Reality" começa com uma introdução suave, intitulada "Unnatural Transformation", que dá abertura para a canção "Ruin", que literalmente deixa os tímpanos em ruínas, pois tamanha a brutalidade da música. Destaque para "Gospel is Dead", que possui andamento pausado e um arranjo bem elaborado e planejado, canção o qual já mereceu um vídeo clipe oficial do grupo. Destaque também para "No Paradise Waits" que possui ritmo mais cadenciado e viscoso, com utilização dos harmônicos de guitarra que dão um toque especial à canção. À parte de alguns momentos de cadenciamento e andamento pausado, todas as músicas se resumem em um porradeiro estúpido e irrefreável.

É válido reafirmar o talento de todos os membros do Desecrated Sphere, que desempenham seus respectivos papéis com vigor, inclusive o baixista José Mantovani, que faz questão de deixar claro seu talento com as quatro cordas em todas as canções. Ao contrário de muitas outras bandas que deixam seus futuros em dúvida, o Desecrated Sphere mostra em seu primeiro registro extremo profissionalismo, deixando subentendido um futuro promissor, porém sem muitas surpresas e sem muitas delongas: uma carreira bem sucedida de porradeiro débil e selvagem.

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Sobre Plínio Alves

Plínio Alves, formado em Administração de Empresas, blogueiro nas horas vagas. O primeiro contato com o Heavy Metal se oficializou aos 11 anos de idade com um um CD do Nirvana, "Nevermind". Depois deste marco, a paixão pela música pesada se desencadeou de forma bem natural e prazerosa. Dois anos depois, estarrecido com o som pesado e provocador de bandas de Death e Black Metal, se tornou um fã de carteirinha do estilo. Embora seja fã de estilos específicos, declara ter afinidade com qualquer rótulo musical dentro do Heavy Metal, sem preconceito algum. Duas bandas que resumem sua vida: Alice in Chains e Deicide. Os demais textos do autor podem ser vistos no blog Polêmico Rock.

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