Resenha - Lola Versus The Superman And The Moneygoround - Kinks

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Resenha - Lola Versus The Superman And The Moneygoround - Kinks

Por R.C. Sanches

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Saída da Invasão Britânica dos anos 60, o The Kinks, conhecido pela música ''You Really Got Me'', nunca teve, nos anos 60, sucesso nos EUA e em outras partes ao redor do mundo, a não ser na Inglaterra.

Nota: 10

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Imagem
No começo dos anos 60, os Kinks estavam em completa ascensão, e tudo coincidia para um sucesso estrondoso da banda nos EUA. Em 1965, após uma turnê bem sucedida na terra do Tio Sam, a banda, por motivos misteriosos, foi proibida de entrar em território norte - americano por quatro anos. O que, obviamente, impediu um sucesso da banda em outros lugares do mundo.

Restrito ao território britânico, o The Kinks, começaram a lançar álbuns que criticavam os costumes ingleses da época. Após os álbuns The Kinks Are The Village Green Preservation Society, de 1968 e Arthur Or The Decline Of The British Empire, de 1969, a banda extrapolou os limites de crítica, e foram execrados pela mídia. Tendo como consequência, baixas vendagens e pouca repercussão.

Em 1970, já com a proibição de entrada ao território norte - americano acabada, a banda lança o álbum ''Lola Versus Powerman and the Moneygoround'', que faz com que a banda retorne ao topo das paradas britânicas, e inicia uma repercussão positiva no território norte-americano, dando uma maior visibilidade à banda.

Sendo sucesso de crítica e público, o disco ‘’Lola...’’, é um álbum conceitual, que discute o tema da indústria musical e suas vertentes, incluindo editoras, sindicatos, imprensa, contadores, empresários e a estrada. A banda aborda o tema de forma satírica e sarcástica, o que estava de certa forma, presente em álbuns anteriores do The Kinks.

O universo musical que permeia o álbum é bem diverso. Tendo canções que flertam com o hard rock, folk, pop e, obviamente, o British rock.

Mais do que a musicalidade contida neste álbum, deve-se levar em conta as letras, impregnadas de uma crítica à um sistema que aprisiona as pessoas ao dinheiro, anulando a única característica que nos diferencia dos animais, a liberdade.

A faixa ‘’The Contenders’’ inicia o álbum, com uma introdução levemente tencionada para o country, se transforma depois em um belo hard rock, com guitarras eletrizantes. A letra já demonstra o conceito do álbum, com versos como:

‘’ Preciso de liberdade, preciso de liberdade agora
Não quero ser um construtor de estradas
Um varredor de calçadas
Preciso chegar lá ao meu modo’’.

‘’Strangers’’ segue o álbum com uma letra que faz crítica à mediocridade das pessoas em se sentirem satisfeitas por uma vida estabilizada, mas que no fundo sentem rancor pelas escolhas que fizeram durante a vida. Toda essa crítica está vestida em uma bela balada acústica.

‘’Denmark Street’’; o título da música é o nome de uma rua de Londres onde várias bandas ficaram conhecidas; é uma critica aos produtores musicais. Demonstrava certo rancor com a indústria musical.

‘’Get Back in Line’’ é uma bela balada. Com letra forte sobre as situações de dependência que ocorrem no mundo sistemático.

‘’Lola’’ fala sobre um travesti. É um puta rock, que flerta sutilmente com o hard rock, preparando, talvez, para que viria, o Hard rock de primeira ‘’Top Of the tops’’, que traduz a superficialidade da indústria musical da época, e que perdura até hoje.

‘’The Moneygoround’’ é uma m música divertida sobre o mundo do dinheiro. E como no mundo da música o artista é o que vale menos, financeiramente. ‘’This time Tomorrow’’, pode ser considerada uma canção ‘’enche-linguiça’’, fica assim em aberto, ao critério do ouvinte.

O disco segue-se com a balada ‘’A Long Way From Home’’, o sensacional riff de ‘’Rats’’, porrada nos ouvidos.

‘’Apemam’’ escancara a fragilidade do ser humano na sociedade, comparando o ser humano aos animais, e a sociedade à selva. ‘’Powerman’’ fala do poder dos empresários musicais.

‘’Got To be free’’ encerra o disco, com uma levada country.

No fim, uma obra conceitual sobre o conflito do indivíduo com a sociedade. ''Lola'', com seus pensamentos, seu desejos, seu sonhos; que não consegue se adequar a sociedade capitalista e ao ''Super-homem'', que oprime os desejos, sonhos, e pensamentos do ser, para continuar girando o ‘’carrossel financeiro’’.

Nunca veremos tal obra na música por muitos anos.

Faixas:

Lado um
01."Introduction" – 0:41
02."The Contenders" – 2:02
03."Strangers" (Dave Davies) – 3:20
04."Denmark Street" – 2:02
05."Get Back in Line" – 3:04
06."Lola" – 4:01
07."Top of the Pops" – 3:40
08."The Moneygoround" – 1:47

Lado dois
09."This Time Tomorrow" – 3:22
10."A Long Way From Home" – 2:27
11."Rats" (Dave Davies) – 2:40
12."Apeman" – 3:52
13."Powerman" (Ray Davies/Dave Davies) – 4:18
14."Got to Be Free" – 3:01

Faixas bônus do lançamento em CD pela Castle/Sanctuary
15."Lola" (mixagem mono do single) – 4:08
16."Apeman" (mixagem alternativa) – 3:41
17."Powerman" (demo acústico) – 4:20

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