Resenha - Fear Of The Dark - Iron Maiden

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Resenha - Fear Of The Dark - Iron Maiden


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O ano era 1992, e o Iron Maiden já não gozava mais do mesmo sucesso em grande escala que havia conquistado na década anterior, principalmente na América do Norte. Após uma rápida ascensão rumo ao topo, com grandes álbuns lançados numa sequência admirável, o grupo parece ter sentido a mudança dos tempos na virada da década. Após dois trabalhos extremamente esmerados em termos de composição e arranjos, usando inclusive teclados e sintetizadores, o grupo decide voltar a fazer um som mais cru e visceral em “No Prayer For The Dying”. Sofrendo ainda com o baque da saída do guitarrista Adrian Smith (substituído por Janick Gers), que tinha uma participação muito ativa também nas composições, o resultado foi um trabalho questionado pela crítica e pelo público. O momento era de indecisão e havia a pressão por parte das gravadoras para um novo sucesso, visto que um ano antes, o Metallica botou o heavy metal de vez nas paradas de sucesso. E agora?

Nota: 7

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Em meio a este turbilhão de questionamentos e pressões, há vinte anos o Iron Maiden entregava ao mundo “Fear Of The Dark”, seu nono trabalho de estúdio, e o último a contar com o velho parceiro Martin Birch na produção. Era também o primeiro disco que não trazia um Eddie desenhado por Derek Riggs na capa, e ainda o primeiro vinil duplo de estúdio – sim, embora já estivéssemos na era digital dos CDs, estes eram ainda reservados a uma minoria de alto poder aquisitivo, e o vinil ainda circulava em grande escala. Fãs apreensivos esperavam por um grande álbum, nos moldes dos anos 1980, mais um clássico da donzela... E o resultado, qual foi?

A julgar pela faixa de abertura (e primeiro single), “Be Quick Or Be Dead”, víamos um Maiden novamente cru e nervoso, porém bem mais inspirado do que em seu disco anterior. A composição assinada por Bruce Dickinson e Janick Gers trazia um metal rápido, o famoso “arrasa-quarteirão”, e caiu direto no gosto dos seus seguidores - um verdadeiro alívio! Seguindo com o play, a próxima música foi também a escolhida como o segundo single, “From Here To Eternity”, composição de Steve Harris que retoma a velha personagem Charlotte (de “Charlotte The Harlot” e “22 Acacia Avenue”) e parecia feita sob encomenda para os fãs – se alguns podem dizer que não era lá grandes coisas, pelo menos não comprometia e estava longe de ser ruim. “Affraid To Shoot Strangers”, também de Harris, dava continuidade ao trabalho, em uma composição que ditava algo que se tornaria comum em seus álbuns dali pra frente – composição longa, com um começo mais lento, criando um certo clima que vai crescendo e descambando para o metal. Uma boa música, mas que se perdeu no tempo, muito em função deste clichê alimentado à exaustão pela própria banda desde então.

Virando o vinil, os fãs começavam a levantar a sobrancelha e coçar a cabeça: “Fear Is The Key”, que tratava de um tema altamente em voga na época (AIDS), causou muita estranheza por ser totalmente diferente do que o quinteto costumava fazer. Trata-se de uma boa faixa renegada pelos mais radicais. Em “Childhood’s End” vemos Steve Harris e seu baixo galopante ditar o ritmo em uma composição menos inspirada, que fala sobre amadurecimento – talvez algo que o próprio buscasse para justificar as mudanças do grupo, embora mudança nem sempre signifique amadurecimento...

Encerrando o lado B, temos aquela que foi escolhida como terceiro single do álbum, e a que costuma causar maior discórdia entre os fãs: “Wasting Love”. Muitos não se conformavam com o Maiden fazendo uma balada – alegavam que músicas com “Love” no título combinavam com o Whitesnake, com as bandas farofa da Califórnia, mas não com o Maiden... Já outros defendiam radicalmente o tema. Pressão da gravadora? Pode ser, ainda mais se lembrarmos que “Nothing Else Matters” do Metallica tocava à exaustão pelo mundo. Fato é que, embora a faixa e o vídeo clipe tenham feito algum sucesso (especialmente aqui no Brasil), não vimos desde então mais nenhuma canção romântica composta pelo grupo.

E pela segunda metade do disco, vemos o Maiden atirando para todos os lados: pelo metal tradicional em “The Fugitive”, aventurando-se com uma sonoridade mais hard rock em “Chains Of Misery”, experimentando na espiritualizada “The Apparition”, voltando ao meio termo entre metal e hard rock com “Judas Be My Guide”, e até flertando com uma sonoridade mais acessível novamente em “Weekend Warrior”, que fala dos temidos torcedores hooligans ingleses. Alternando entre alguns acertos e erros por estas faixas, chegamos àquela que se tornaria o último grande hino composto pela banda: a faixa título “Fear Of The Dark”. Por mais que possamos estar cansados dela, trata-se de um grande tema, Maiden até o osso, presença obrigatória e sucesso garantido em todos os shows do grupo desde então.

A turnê que seguiu o álbum marcou o então “canto do cisne” do Maiden com Bruce Dickinson – o vocalista anunciou que entregaria o cargo após cumprir todas as datas já agendadas, para se dedicar à sua carreira solo e descansar um pouco das exaustivas turnês do grupo. Foi ainda nesta época que o grupo voltou ao Brasil pela primeira vez após o Rock In Rio de 1985 e voltou ao festival de Castle Donington como headliner. Para a despedida de Bruce Dickinson, um show fechado em estúdio para alguns fãs sortudos, com direito a participações especiais do ilusionista Simon Drake (tudo registrado no home vídeo “Raising Hell”).

Os anos que se seguiram foram amargos para o Iron Maiden. Além de enfrentarem má aceitação pela escolha do substituto de Bruce, Blaze Bayley, o heavy metal em geral entrou em ostracismo na mídia, cedendo a porção roqueira do mainstream ao grunge, que tomou o mundo – as vendas caiam vertiginosamente, assim como o público nos shows pelo primeiro mundo. A própria carreira solo de Bruce Dickinson sofreu grande influência do estilo, até que o próprio se cansou e se reuniu a Adrian Smith, voltando a fazer metal, e preparando terreno para o retorno triunfal da Donzela. Mas isso já é uma outra história...

No final das contas, “Fear Of The Dark” é adorado por alguns fãs, mas renegado por outros, acabando por ser lembrado como um momento menor da grande discografia do Maiden..

Faixas:
1. "Be Quick or Be Dead" (Dickinson, Gers) 3:24
2. "From Here to Eternity" (Harris) 3:38
3. "Afraid to Shoot Strangers" (Harris) 6:56
4. "Fear Is the Key" (Dickinson, Gers) 5:35
5. "Childhood's End" (Harris) 4:40
6. "Wasting Love" (Dickinson, Gers) 5:50
7. "The Fugitive" (Harris) 4:54
8. "Chains of Misery" (Dickinson, Murray) 3:37
9. "The Apparition" (Harris, Gers) 3:54
10. "Judas Be My Guide" (Dickinson, Murray) 3:08
11. "Weekend Warrior" (Harris, Gers) 5:39
12. "Fear of the Dark" (Harris) 7:18

• Bruce Dickinson - vocal
• Janick Gers - guitarra
• Dave Murray - guitarra
• Steve Harris - baixo
• Nicko McBrain - bateria

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Sobre Doctor Robert

Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.

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