WHIPLASH.NET - Rock e Heavy Metal!

Resenha - Grace For Drowning - Steven Wilson

Por Rodrigo Luiz | Fonte: The Metropolis Music |

Os gênios são poucos atualmente no mundo da música, e para alguns até inexistentes. Jim Morrison ainda levanta dúvidas em relação à sua poesia, que, para alguns, é genial, e para outros, são completamente desprovidas de sentido. Não existe critério eficiente para definir a genialidade ou não de um músico, ela varia de acordo com a opinião e o gosto de cada pessoa, pois cada um absorve de maneira diferente as sensações que uma música pode transmitir. Mas, diante deste disco, é muito difícil resistir e não usar este adjetivo, mesmo sendo tão relativo. Pelo menos por "Grace For Drowning", STEVEN WILSON merece o título de gênio. Nunca deixando de surpreender, seja nos seus trabalhos com o Porcupine Tree, No-Man ou Blackfield, o músico mais uma vez desbrava novas fronteiras musicais e nos leva a uma verdadeira "jornada sonora", como ele mesmo gosta de dizer.

Nota: 10

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

Imagem
"Grace For Drowning" é um disco duplo, o seu segundo solo, e conta com diversas participações especiais: Steve Hackett, ex-Genesis; Tony Levin, Pat Mastelotto e Trey Gunn, do KING CRIMSON; Theo Travis, da banda francesa de jazz-rock GONG e o tecladista Jordan Rudess, do DREAM THEATER. Um grupo que garante um instrunmental tecnicamente perfeito, com o qual Steve compartilha diversas influências setentistas progressivas e dá uma boa margem criativa. Mas apesar dessas influências, Steven conduz o grupo buscando o tempo todo se despregar da sonoridade do prog setentista, passeando por diferentes gêneros e mostrando um apurado nível de experimentação, combinando elementos diversos de forma inventiva e natural.

Na primeira parte do disco, as sonoridades variam bastante entre o jazz e o prog rock tradicional, como na faixa-título "Grace For Drowning", na belíssima "Deform To Form a Star" e na bucólica "Postcard". "Deform To Form a Star" e "Remainder Of The Black Dog" trazem características já conhecidas nos trabalhos de Steven com o Porcupine Tree. A primeira com um intrumental semi-acústico, mas consistente e com uma atmosfera bem envolvente e a segunda com experimentações jazzísticas que lembram um pouco a sonoridade de "Heritage", do OPETH, que Steven produziu. E ainda possui solos geniais de sax. "Sectarian" lembra o King Crimson em alguns momentos, com uma atmosfera hipnotizante e quase corrosiva. Nela ainda cabe espaço para algumas experimentações eletrônicas, que são encontradas aos montes em "No Part Of Me", que possui melodias inconstantes e até palmas ao fundo, formando um clima totalmente avant-garde. Esse clima ainda é intensificado por um solo descontrolado de sax distorcido.

A segunda parte abre com "Belle De Jour", um singelo tema acústico. "Index" e "Track One" são bem fragmentadas, bastante experimentais, com muitos elementos eletrônicos. A primeira beira ao trip-hop, enquanto a segunda é tomada por um clima totalmente sinistro depois de um início introspetivo no violão. Até aqui o disco já é impressionante, mas quando "Raider II" começa a tocar, parece que tudo que se ouve até a décima faixa é apenas uma lenta preparação para esta. Uma introdução sombria e grave no piano dá um tom misterioso, seguidos por um riff de guitarra também grave em meio a coros épicos. A flauta começa a ser ouvida e rapidamente toma conta da música, num longo solo jazzístico. Uma quebrada no ritmo seguido por uma passagem caótica e pesada e novamente temos um clima anestesiante de total mistério, pelo menos até os 18 minutos, quando baixo e saxofone explodem num clima épico e cheio de tensão. A música termina em completa calmaria enquanto você se pergunta o que acabou de acontecer. "Like Dust I Have Cleared From My Eye" fecha esta obra com acordes simples e delicados, na mais perfeita paz. Um descanso para os ouvidos.

"Grace For Drowning" é simplesmente deslumbrante, um prato cheio para os proggers, mas qualquer pessoa que goste de música deveria dar pelo menos uma chance a ele. Ele é longo e cheio de pormenores, mas suas atmosferas são tão envolventes que a longa duração só intensifica o clima de viagem total. Talvez seja subjetivo demais, não tenha sentido algum, mas isso pouco importa. Dê play, feche os olhos e se deixe levar, é tudo que este disco pede.

Todas as matérias da seção Resenhas de CDs
Todas as matérias sobre Porcupine Tree

Os comentários são postados usando scripts do FACEBOOK e logins do FACEBOOK, HOTMAIL, AOL ou YAHOO, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que fizeram uso deste sistema (citados na assinatura de cada comentário). Caso você considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato. Os responsáveis pelo site podem excluir comentários que julguem inadequados e fornecer informações sobre os comentários a reclamantes se solicitados.

Pense antes de escrever. Ao comentar sobre alguém, lembre-se que este alguém é uma pessoa e merece respeito. Tenha cuidado especial ao comentar sobre colaboradores do Whiplash.Net; eles trabalham de graça para gerar o conteúdo que você está lendo. Mais chato do que uma matéria com erro, ou uma opinião com que você não concorda, são os chatos que apenas reclamam. Se acha que pode fazer melhor, clique no link ENVIAR MATERIAL no topo do site. Se achar um erro de digitação ou similar, envie pelo link de ENVIO DE CORREÇÕES; lembre-se que é falta de educação corrigir outras pessoas em público. E lembre-se de também elogiar quando encontrar bom conteúdo; isso é um bom incentivo aos colaboradores. :-)

Chatos, trolls e usuários que faltam com respeito a outras pessoas poderão ser banidos sem aviso prévio.

Sobre Rodrigo Luiz

Autor sem foto e/ou descrição cadastrados.

Caso seja o autor, entre em contato enviando sua descrição e link de uma foto.

Link que não funciona para email (ignore)

QUEM SOMOS | RSS | FACEBOOK | TWITTER | APPS | ANUNCIAR | ENVIAR MATERIAL | FALE CONOSCO

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria. Os textos não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será retirado do site.

Em abril de 2012 Whiplash.Net teve 1.211.297 visitantes, 3.149.841 visitas e 10.113.719 pageviews. Ver stats.

Use o botão abaixo para seguir o webmaster e receber as principais novidades em sua timeline.


Censura: 53 nomes que você não pode dizer em uma rádioCensura
53 nomes que você não pode dizer em uma rádio
Os diários secretos de Roger WatersHumor
Os impressionantes diários secretos de Roger Waters
Metal: nomes do gênero que assumiram ser cristãosMetal
Nomes do gênero que assumiram ser cristãos