Resenha - Crescendo - Ultraje a Rigor

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Resenha - Crescendo - Ultraje a Rigor

Postado por Mairon Machado | Fonte: Consultoria do Rock

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O impacto de "Psicoacústica" (IRA! - 1988) na música nacional foi grande, mas demorou para ser assimilado. Apesar de ter chocado, e muito, até mesmo outras bandas do BRock, os colegas do Ira! não sabiam qual seria o caminho a seguir. Duas eram as opções: fazer o que vinham fazendo, mantendo a forma tradicional do rock consagrado para a chamada "geração coca-cola", ou então ampliar o horizonte de experimentações que havia tido seu pontapé inicial em 1988. A comodidade de seguir o caminho mais simples foi assimilada por quase 100% dos grupos do país, que preferiram criar uma rivalidade entre o rock gaúcho, brasiliense, carioca e paulista, do que se unir e se dar conta de que, apesar de todo o sucesso conquistado por artistas como NENHUM DE NÓS (RS), CAPITAL INICIAL (DF), MARINA (RJ) e ULTRAJE A RIGOR (SP), algo precisava mudar para que os músicos conseguissem o respeito que mereciam, fato que havia sido provado ao Brasil (e ao mundo) na famigerada conferência de imprensa do Hollywood Rock de 1988.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Pois foram os paulistas do ULTRAJE A RIGOR, liderados pelo seu idealizador Roger Moreira, que vestiram a camisa da revolução proposta musicalmente em Psicoacústica, e não foi por coincidência. A ligação do ULTRAJE A RIGOR com o IRA! é praticamente embrionária.

Formado em 1983 por Roger, Leonardo “Leôspa” Galasso (bateria), Maurício Defendi (baixo) e pelo guitarrista Edgar Scandurra (futuro líder do IRA!), os músicos tinham um passado em comum ainda na década de 70, quando Roger e Leôspa fundaram o grupo The Littles & The Shitles (já com Edgar), antes de ambos se mudareme para San Francisco (Califórnia), onde viveram um período como entregadores de pizza. Logo nos primeiros meses de ULTRAJE A RIGOR, o grupo conseguiu um contrato com a gravadora Warner, pela qual lançaram o compacto “Inútil”/“Mim Quer Tocar”, que vendeu 30 mil cópias em 1984. O sucesso fez com que a Warner lançasse mais um compacto, com “Eu Me Amo”/“Rebelde Sem Causa”, que superou o primeiro, vendendo 45 mil cópias.

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Porém, Edgar acabou saindo para fundar o IRA!, sendo substituído por Carlos “Carlinhos” Bartolini. Era o início de uma das mais destacadas bandas do rock nacional, responsável pela gravação do álbum "Nós Vamos Invadir Sua Praia" (1985). Calcado no sucesso de pérolas como a faixa-título, “Zoraide”, “Ciúme”, “Marylou” e “Inútil”, "Nós Vamos Invadir Sua Praia" recebeu disco de ouro um mês depois do lançamento, fazendo do ULTRAJE A RIGOR uma sensação nacional, ao lado da BLITZ.

Não demorou muito para que o LP atingisse a marca de 250 mil cópias, dando platina para o ULTRAJE A RIGOR, que começou uma extensa turnê pelo país. As letras engraçadas de Roger, assim como o rock simples e pegajoso, chamavam a atenção dos adolescentes e até das crianças, mas principalmente dos adultos, que compreendiam as ironias e deboches do ULTRAJE A RIGOR e adoravam cada canção do grupo. Até hoje, "Nós Vamos Invadir Sua Praia" aparece nas listas de melhores álbuns já lançados no país como um dos primeiros colocados, ao lado de "Acabou Chorare" (Novos Baianos, 1973) e "Cabeça Dinossauro" (Titãs, 1986).

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No álbum seguinte, "Sexo!!", lançado em 1987, o grupo já havia assinado com a gravadora WEA, e também passara a contar com o guitarrista Sérgio “Serginho” Serra no lugar de Carlinhos. Puxado pelo sucesso de “Pelado”, trilha da novela gobal "Brega e Chique", Sexo!! vendeu tanto quanto "Nós Vamos Invadir Sua Praia" e deixou mais hinos para os fãs do grupo paulista, como a faixa-título, “Eu Gosto de Mulher” e “Terceiro”. Resultado: mais um disco de platina e outra extensa turnê pelo Brasil, que começou com um show-surpresa em cima do telhado do Shopping Top Center, em plena Avenida Paulista, causando um congestionamento de vários quilômetros na cidade de São Paulo.

Foi nessa turnê que o terceiro álbum começou a surgir, mesmo que indiretamente. Primeiramente, o grupo estava com o pé na estrada havia quatro anos, sem nenhum descanso. Adicionado a esse fator, durante uma apresentação em Chapecó (SC), surgiu a infeliz ideia de eleger a “Musa Virgem” daquela noite de 10 de setembro de 1987, vencida por uma menina menor de idade conhecida como J. S..

Os fatos sobre essa história são um pouco confusos e dissipados, mas o que se sabe é que, após a apresentação, a menina teria ido até o camarim do ULTRAJE A RIGOR. No dia seguinte, a mãe da menina, conhecida como A. M. S., entrou na justiça acusando Roger pelo crime de corrupção de menores e também de estupro. O caso gerou uma divulgação expressiva na mídia. Afinal, na época, o ULTRAJE A RIGOR era sinônimo de sucesso, e a ideia de estupro de uma menor certamente era uma mancha negra para o grupo.

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Durante a batalha judicial que se travou a partir de então, o ULTRAJE A RIGOR foi convidado a participar da segunda edição do Hollywood Rock, em 1988, mesma edição em que o IRA! chutou o balde. Ali, Roger voltou a ter contato com Scandurra e começou a saber do processo de composição de "Psicoacústica". Apesar da chuva e do boicote que a mídia fez para não promover a participação dos envergonhados membros do ULTRAJE A RIGOR no evento, chegando inclusive a divulgar que, no dia programado para a apresentação do grupo, o horário de abertura dos portões seria mais tarde do que o normal, eles saíram-se muito bem, principalmente no show do Rio de Janeiro.

Mas o sucesso todo havia causado um desgaste, principalmente em Roger. Exausto, com uma pendência judicial que o levou duas vezes para os tribunais (até então) e sentindo que algo precisava ser dito e feito, Roger decidiu mudar o leme de seu grupo, adotando uma postura agressiva e seguindo o que o Ira! havia feito, ou seja, autoproduzindo-se em estúdio.

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Dessa forma, começou a compor o novo disco, depois de merecidas férias. Com a ajuda de Scandurra, Roger, Serginho, Maurício e Leôspa trancaram-se no estúdio Nas Nuvens e criaram um disco totalmente diferente do que já haviam feito até então. Como que querendo engolir o passado e todas as ladainhas que haviam falado da banda após o incidente em Chapecó, Roger acabou cometendo o pecado da gula, indo com tanta fome ao prato que não percebeu que, apesar do material concebido musicalmente ser excelente, o público brasileiro, principalmente a mídia e os fãs, não estavam preparados para receber seu mais novo LP.

A fome por vingança e desvinculamento com o passado era tanta que, daquela vez, Roger não perdoou Leôspa, sempre irresponsável nas gravações em estúdio, e deu um ultimato, fazendo com que o baterista permanecesse sóbrio durante toda a gravação (segundo Roger, esse foi o único disco do ULTRAJE A RIGOR que Leôspa gravou do inicio ao fim).

O material acabou sendo editado e masterizado na Inglaterra, tudo para que não ficasse com nada do clima tropical brasileiro que existia nos sulcos dos dois primeiros LPs. Juntando ainda o fato de o Brasil estar vivendo uma nova fase, tendo recebido uma nova Constituição Federal que abolia a censura, dando liberdade de expressão para os artistas, Roger construiu letras com muitos palavrões e temas até então polêmicos, como adultério, complexo de Édipo às avessas (de mãe para filho) e brigas familiares, além da crítica forte à sociedade e ao governo brasileiro. Fora o fato das letras soarem por vezes agressivas, as experimentações eletrônicas em nada lembravam o rock simples que havia consagrado o grupo anteriormente.

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Quando foi lançado em meados de 1989, "Crescendo" rapidamente chegou entre os mais vendidos, mas logo depois foi esquecido nas prateleiras, culpa principalmente de uma mentalidade brasileira ainda não preparada para um disco tão bom, que abre com uma voz pedindo para que se olhasse fixamente para o centro do disco e relaxe, referindo-se ao hipnotizante selo do LP, que traz uma imagem que, quando observada por alguns segundos girando, chega a causar certo desconforto, algo muito utilizado para ilustrar fenômenos de hipnotismo, fazendo a introdução da maluca faixa-título, com letra cantada de trás para frente, sobrepondo vozes, gritos alucinantes, sons do personagem Tarzan, ambulância e barulhos de guitarra e baixo em uma canção extremamente psicodélica e ao mesmo tempo pesada, mostrando que o álbum é anti-convencional desde seu início.

Na sequência, o maior (e um dos mais polêmicos) sucessos do LP, “Filha da Puta”. Construída para tentar ver se a censura realmente havia sido banida, Roger aproveita-se dela para citar um dos palavrões mais usados no país. A música acabou sendo banida de diversas rádios, com medo de que a censura voltasse. Musicalmente, é um rock bem típico do ULTRAJE A RIGOR, com riffs grudentos, vocalizações fortes que entoam o nome da canção e um solo sensacional de Serginho. A faixa acabou pegando entre os mais jovens, ajudando "Crescendo" a vender um pouco mais (mas não o suficiente).

A polêmica continua em “Volta Comigo”, que trata diretamente sobre adultério. Na época, ouvir “Filho da Puta” e depois algo como “Volta Comigo” era quase inadmissível. Os acordes de guitarra trazem o baixão de Maurício, em outro som característico do ULTRAJE A RIGOR, contendo no refrão talvez o segmento mais emblemático (“será que você não quer dar uma voltinha comigo? Pra gente se lembrar daquele nosso amor antigo. Se você quiser que eu use camisinha não ligo. Tirando o seu marido você não corre perigo”), bem como o emprego da palavra "c**alho" no meio da letra. A imprensa passou a ver o ULTRAJE A RIGOR como um bando de idiotas sem criatividade, e isso afetou a imagem do grupo também entre os fãs. Musicalmente, o som é bem bom, e a letra hoje soa inocente, mas em 1989, com o Brasil tendo saído havia pouco de um regime ditatorial, o ultraje (com o perdão do trocadilho) era absurdamente grande e agressivo, sendo a canção mais uma a ser banida pelas rádios e pela TV.

“Laços de Família”, que começa como uma canção de ninar e transforma-se em um pesado punk rock, agride ainda mais, dessa vez chutando as bundas das famílias brasileiras, com Serginho (responsável por cantar a questão) cuspindo a letra para o ouvinte, dizendo que “quase toda família é uma orquestra desafinada”. A conservadora família brasileira, criticada fortemente e tendo sofrido com os palavrões das duas canções anteriores, era mais uma a voltar-se contra o grupo.

A gula do ULTRAJE A RIGOR engole seu passado de vez em “Secretários Eletrônicos”, repleta de elementos eletrônicos que poderiam ser encontrados em discos de KRAFTWERK ou BRIAN ENO, na qual, repetidamente, uma voz de uma secretária eletrônica diz: “isso é uma gravação, deixe seu recado”, enquanto as guitarras de Roger (segundo a ficha técnica, responsável por todos os instrumentos da canção) fazem viajantes e delirantes notas ao fundo. Um experimento progressivo alucinante, mas que não pegou.

Os eletrônicos aparecem também na ótima “Maquininha”, fazendo uma melodia que depois é repetida pela guitarra, em um rock instrumental excelente, com destaque para o baixo de Maurício, acompanhando com perfeição as brincadeiras instrumentais de Roger e Serginho, além do virtuoso solo do último.

“Ricota”, escrita por Scandurra, é um rockabilly anos 50, com um riff fácil, novamente destacando o baixo de Maurício e com letra por ele cantada, sem sentido nenhum, onde apenas emprega ricota em tudo o que vê e possa comer. A gula do ULTRAJE A RIGOR era saciada através dessa canção. É justamente ela que mostra o descomprometimento do ULTRAJE A RIGOR perante seu passado. Sem mais letras engraçadas com algum significado ou piadinhas infames com relação a políticos ou pessoas famosas. O segredo era tocar o que viesse na telha, sem se prender a detalhes ou prestar satisfações, apenas curtindo o que estivessem a fim de tocar. Esse rock inspirado em CHUCK BERRY é um dos grandes momentos de "Crescendo", e hoje é tido como um dos principais hinos para os fãs do ULTRAJE A RIGOR. Mas em 1989, era mais um desabafo “infantil e beirando a idiotia”, como escreveu um certo colunista na resenha do LP para a revista Bizz.

O lado A encerra-se com aquele que talvez seja o maior desaforo do LP. Como citado acima, um ano antes, o Brasil havia consolidado a constituinte tratando dos direitos e deveres do cidadão brasileiro. Pois o ULTRAJE A RIGOR, em 30 segundos, lançou “A Constituinte”, um petardo veloz que nada mais é do que a canção “Atirei o Pau no Gato” em um ritmo punk rock, ofendendo os políticos com uma inteligente jogada de marketing, que em nada os agradou na época.

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O lado B abre com “Crescendo II – A Missão (Santa Inocência)”, tendo Maurício na guitarra nesse reggae-manifesto, no qual Roger coloca para fora toda sua indignação com o incidente de Chapecó. Através dessa canção, ficamos sabendo que, fora dos tribunais, a mãe da menina disse que retirava a queixa se Roger desse um automóvel para ela. A tentativa de suborno gerou muita dor de cabeça para Roger, que negou de maneira veemente a situação, dizendo que não havia feito nada com a menina e tampouco pagaria o automóvel. Como ele diz na letra: “foi estuprado sem vaselina pela mãe de uma menina em Santa Catarina”. O problema só foi resolvido depois da terceira ida aos tribunais, que absolveram Roger.

Voltando à canção, Roger descarrega toda sua raiva sobre os adolescentes panacas que se escoram na facilidade da vida, vendendo-se como meretrizes. Dessa forma, ele pede para que a criança que supostamente está ouvindo a canção, quando crescer, não perca sua essência e inocência de criança, para não apodrecer como os demais adolescentes e adultos de sua época. Quem não entendeu a letra torceu o nariz, principalmente para o reggae sonolento sobre a qual ela foi criada, mas hoje podemos ver com bons olhos e ouvidos essa faixa-manifesto criada por Roger, que, também por causa de sua longa duração (mais de cinco minutos) foi malhada em praça pública.

Vozes eletrônicas imitando os personagens Tico e Teco (da Walt Disney), apresentam “Ice Bucket”, outra canção instrumental, carregada pelo baixo psicodélico de Maurício e com uma das melhores performances de Leôspa. Os acordes de guitarra de Roger, em um ritmo setentista e por vezes parecendo uma jam session, levam ao belo solo de Serginho, esbanjando virtuosismo e fazendo o ULTRAJE A RIGOR soar mais hardeiro do que nunca. Disparado, é a melhor faixa de "Crescendo", forte candidata a uma das melhores do grupo, mas que passou despercebida pelos fãs.

O saxofone de Roger introduz mais um ritmo rockabilly, para a canção “Coragem”, com mais um refrão grudento que entoa o nome da canção enquanto vocalizações cantam estrofes diversas ao fundo. Destaque novamente para o solo de Serginho e para as escalas do baixo de Maurício, além da tentativa bem sucedida do solo de saxofone de Roger.

As experimentações retornam em “Os Cães Ladram (Mas Não Mordem) e a Caravana Passa”, na qual diversos cachorros são responsáveis por “cantar” a letra de mais um rockabilly. A sobreposição de latidos, em um ritmo que parece ter saído de algum álbum do AGENT ORANGE, torna a canção ao mesmo tempo engraçada e muito, mas muito interessante. Dizer que ela é genial talvez seja exagero, mas não dá para negar toda a qualidade dessa faixa, com Serginho demolindo a guitarra em um solo efervescente, e, claro, diferente do que os fãs poderiam esperar de algo do ULTRAJE A RIGOR. Segundo o encarte, participam dos “vocais” os cães Rex, Duque, Fido, Katucha e a cadelinha A. S. (mais uma crítica e citação ao incidente de Chapecó).

Se não bastasse o choque de “Filha da Puta” e “Volta Comigo”, o ULTRAJE A RIGOR se supera em “Querida Mamãe”, cantada por Maurício, que trata de uma relação estilo Édipo e Jocasta, na qual a mãe de um certo cidadão quer ter o filho como marido. Musicalmente, é mais um rock pesado com muita distorção nas guitarras, mas cuja letra levemente obscena foi considerada de mau gosto, ajudando a afundar ainda mais a imagem do grupo.

"Crescendo" encerra-se com outra canção tida como idiota, “O Chiclete”. Mais uma composta por Scandurra, e que virou o desacato final do ULTRAJE A RIGOR à família, à sociedade e ao povo brasileiro em geral. A ingênua letra sobre um chiclete mastigado que explode mais que outro, fazendo o barulho de “bum”, acompanhado pela palavra “bundão”, causou polêmica pela repetição dessa última. Era uma vergonha, um absurdo e algo maldito o que estava sendo feito e registrado naquele LP. Apesar de ser um rock divertido e gostoso, e que, óbvio, tinha uma letra tão fácil que até as crianças pegavam (“bum-bum-bundão”), não havia ser que pudesse dizer que o disco prestava.

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Resultado: apesar de ter conquistado disco de ouro, vendendo 234 mil cópias, "Crescendo" tornou-se um fiasco, malhado e menosprezado pela imprensa e pelos fãs. A culpa caiu diretamente em Roger e suas inovações eletrônicas, assim como nas letras ditas inócuas e sem conteúdo, em nada comparáveis às brincadeiras alegres de “Inútil”, “Ciúme”, “Marylou” e outros clássicos dos dois primeiros discos.

Os compactos de “Filha da Puta”, “Volta Comigo”, “O Chiclete” e “Crescendo II: A Missão (Santa Inocência)” não chegaram a fazer sucesso, assim como o LP, cuja versão em CD conta ainda com “Filha Daquilo”, a mesma “Filha da Puta”, porém com uma buzina na hora do palavrão, e “Beer”, um rockzão instrumental criado por Scandurra, bem na linha do IRA!, na qual todos os membros do grupo entoam “beer”, e que conta com um belo solo do guitarrista, mas que infelizmente ficou de fora do LP.

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Em uma tentativa de alavancar as vendas de "Crescendo", o ULTRAJE A RIGOR fez mais um show surpresa, dessa vez em cima de um trio elétrico na praia do Leblon, no Rio de Janeiro. Mas o pecado da gula já havia condenado o destino do grupo. Com a perda do interesse pela mídia, que culpava e banalizava "Crescendo" como nunca havia feito com nenhum outro grupo antes, poucos foram os fãs que seguiram os passos da banda a partir de então. Mesmo 20 anos depois de seu lançamento, "Crescendo" ainda é uma incógnita dentro do rock nacional. Os que o admiram (como eu) o consideram um dos melhores trabalhos feitos no país, mas os que o detestam fazem de tudo para colocar o disco abaixo do cocô da mosca do cocô do cavalo do bandido.

No ano seguinte, o álbum de covers "Por que Ultraje a Rigor?" foi o último suspiro do grupo, que, com a saída de Maurício, acabou deixando de existir. Várias foram as tentativas de retorno, sempre lideradas por Roger, inclusive com algum sucesso quando do lançamento de "18 Anos Sem Tirar" (1998), destacando a canção “Nada a Declarar”, que curiosamente contava com mais um palavrão (no caso, a palavra “cu”), e que foi o último grande sucesso do ULTRAJE A RIGOR depois de “Filha da Puta”. Com o passar do tempo, os efeitos de "Crescendo" fizeram com que os críticos encontrassem uma frase para dissimular o trabalho feito pelos músicos: “o ULTRAJE A RIGOR nunca cresceu”.

Contudo, em particular, considero "Crescendo" como o melhor disco da banda, porém não tão longe do segundo melhor ("Nós Vamos Invadir Sua Praia"), como no caso do IRA!. Por tê-lo ouvido exatamente na época de seu lançamento e sem entender de música, gostava das brincadeiras eletrônicas e das viagens instrumentais, e hoje, sempre que ouço canções como "Maquininha" ou "Secretárias Eletrônicas" sinto aquele arrepio de emoção.

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O grupo permanece na ativa, fazendo shows pelo país (principalmente de Brasília para baixo) e vivendo mais graças aos velhos do que aos novos fãs, além de ser a "banda residente" do programa "Agora é Tarde", da Rede Bandeirantes de Televisão. Recentemente, durante o festival SWU, a banda se envolveu em uma confusão com os membros da equipe de PETER GABRIEL, aquele mesmo ex-vocalista do grupo GENESIS. Talvez mais um legado deixado pela síndrome do pecado guloso que o grupo resolveu cometer para apagar seu passado, e que, por consequência, acabou destruindo seu futuro.

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