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Da Escravidão ao Salário Mínimo - Pastel de Miolos

Por Paulo Finatto Jr. | Em 22/02/12
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A história do punk rock é muito rica e antiga. O gênero musical tipicamente de protesto nasceu nos Estados Unidos e se espalhou pelo mundo inteiro na década de setenta. Com representantes de renome principalmente no Reino Unido, o estilo chegou ao Brasil e conquistou certa notoriedade no underground nacional a partir do sucesso de bandas como OLHO SECO e CÓLERA. Os anos se passaram e o punk ainda permanece forte por aqui. A maior prova é a banda PASTEL DE MIOLOS. O trio baiano chega ao o seu terceiro disco – intitulado “Da Escravidão ao Salário Mínimo” – com a essência do movimento intacta.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Com uma carreira de mais de quinze anos, o power trio formado Alisson Lima (vocal e guitarra), Alex Costa (vocal e baixo) e Wilson Santana (bateria) encerra com “Da Escravidão ao Salário Mínimo” uma trilogia conceitual a respeito da realidade brasileira. Os antecessores “Ruas” (EP/2007) e “Ciranda” (2009) até mostraram o que a PASTEL DE MIOLOS era capaz. Porém, o trabalho realizado em torno do último disco – e que contou com o suporte de três selos diferentes e também do próprio governo estadual baiano – pode ser considerado o ápice do grupo. O punk rock cru e visceral (sempre de qualidade) executado pelo conjunto baiano é o que transpira em cada um dos quarenta e cinco minutos de música. A mixagem de “Da Escravidão ao Salário Mínimo” contribuiu também para que a PASTEL DE MIOLOS se desvinculasse um pouco da cena “amadora” para mostrar ao público um disco impactante e bem acabado (profissionalismo puro).

A essência do punk rock foi realmente inserida com maestria em “Da Escravidão ao Salário Mínimo”. O repertório do álbum é muito direto e se divide em vinte e quatro faixas curtas e extremamente raivosas. Por mais que deixe de lado toda a técnica e toda a complexidade sonora típica do metal e do rock n’ roll em geral, o trabalho da PASTEL DE MIOLOS consegue agradar o público punk por conta de todo o feeling e de toda a sinceridade que brota em cada pancada em forma de música do track-list. O estilo do power trio baiano – que possui referências claras de THE CLASH e de DEAD KENNEDYS – parece ser construído conscientemente em torno de um único conceito. Portanto, o álbum “Da Escravidão ao Salário Mínimo” evidencia uma uniformidade que impede que uma faixa se destaque sobre demais – enaltecendo assim a obra como um todo.

A agressividade da PASTEL MIOLOS é o que assume a dianteira em faixas interessantes como “Desespero” e “Tapa na Cara”. Com um andamento mais rápido e uma performance violenta comandada pelas vozes de Alisson e Alex, o trabalho do trio baiano muda um pouco o seu rumo em “Castelos de Areia”, que conta com uma abordagem mais calma e típica do punk rock setentista de raiz. Porém, a essência mais violenta do gênero é o que parece ser o principal trunfo do grupo que gravou a sua primeira demo tape no longínquo ano de 1996. As faixas “Vai” e “PDM” – mesmo que deixem qualquer ideia mais elaborada de lado – se sobressaem por todo o aspecto puramente vibrante. O mesmo pode ser dito de “Janela do Caos” – uma das poucas músicas que ultrapassa a marca de dois minutos.

Por mais curioso e surpreendente que seja, a faixa-título do disco possui influências que se estendem pelo ska e mostra que há certa versatilidade no repertório construído pela PASTEL DE MIOLOS. Entretanto, as músicas mais agressivas devem realmente agradar o público de imediato, principalmente ao vivo. As faixas “Esperar Sentado” e “Sete Sete” também representam de maneira clara essa tendência e deixam claro o quanto o conjunto esteve preocupado em criar um álbum conciso. Embora seja um estilo de difícil entendimento para boa parte do público que prefere metal e classic rock, o punk da PASTEL DE MIOLOS é sem dúvida um dos mais promissores do Brasil. Com competência e profissionalismo, o trio tem tudo para dar uma verdadeira virada na sua carreira com “Da Escravidão ao Salário Mínimo”.

http://www.myspace.com/pasteldemiolos

Track-list:
01. Desespero
02. Tapa na Cara
03. Castelos de Areia
04. Corpos
05. Vai
06. PDM
07. Não se Engane
08. Ted, SK8 & Hardcore
09. Janela do Caos
10. Nova Utopia
11. Olho Torto
12. Moicano
13. Para a Vida que Passa
14. Terra em Transe
15. Da Escravidão ao Salário Mínimo
16. Mensagem Subliminar
17. Ruas
18. Breado
19. Eles
20. Esperar Sentado
21. Sete Sete
22. Ser Humano
23. Opressão...
24. Depois do Silêncio/Ilusões

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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