Resenha - Loneliest Loneliness - Sodamned

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Resenha - Loneliest Loneliness - Sodamned

Por Roderick Pelais

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Os catarinenses do SODAMNED recentemente enviaram ao Brave Metal (brave-metal.blogspot.com) o seu álbum de estréia, "The Lonelinest Loneliness", um álbum fantástico de mais uma banda nacional que busca (e merece) seu lugar ao sol! E sinceramente, é difícil de acreditar que ainda não tenham estourado mundo afora!

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Recentemente a banda excursionou por países como Alemanhã, Bulgária, Croácia entre outros e, ao ouvir o CD ficou claro porque tiveram essa tão merecida oportunidade.

Confesso que a primeira vez que coloquei a bolacha no aparelho de som fiquei um tanto quanto atordoado, pode se dizer até “assustado” com a pancadaria que estava rolando! Logo pude perceber que não era "só a pancadaria" que eu tinha ouvido de primeira, havia talento (e como havia talento!) naquele Death/Doom Metal, ouvi o álbum inteiro, havia formado minha opinião e resolvi que iria prestar atenção em cada detalhe no dia seguinte. E lá estava eu no dia seguinte, pronto para ouvir aquele disco que em menos de 48 horas havia mudado minha cabeça de um extremo ao outro! Coloquei o CD, fechei a tampa do som, apertei o play, e o que eu ouvi em seguida não foi barulho, nem mesmo Metal Extremo de qualidade... não... foi muito mais que isso... MUITO MAIS... dava pra ouvir cada acorde das guitarras, cada dedilhada no baixo, cada pedalada nos bumbos, percebi quão incrível era o som que aqueles quatro catarinenses estavam fazendo!

Letras profundas e bem estruturadas marcam o álbum, percebemos isso logo na música de abertura, “Fear”. A faixa vem arrebentando as caixas de som com a bateria e a guitarra base em uma velocidade vertiginosa, confesso que há certo tempo eu não ouvia uma linha como aquelas! Logo entra o vocal gutural do excelente Juliano Régis, urrando, nervoso, beirando um rosnado de fúria, acompanhado pelos gritos rasgados do baixista Felipe Gonçalves, simplesmente estupendo! Se desenrolando de forma brutal e melódica ao mesmo tempo, mostrando versatilidade em todos os aspectos, a faixa cede lugar à “Graveyard Of Secrets”. Nessa música percebe-se o baixo de Felipe mais alto, as quebradas na bateria de Gilson Lange chegam a ser dramáticas, o riff de Edilson Lucio é fenomenal, uma música rápida de começo seguido por um momento mais lento e de clima mais denso, e então se posta a uma velocidade mediana para o solo curto, porém rápido de Juliano. A soturna canção se põe em velocidade máxima com urros e gritos, voltando a frear mais ao fim, o famoso silêncio antes da tempestade. “Tortures And Nightmares” é a tempestade! Num clima Black Metal, a velocidade da bateria de Gilson é algo avassalador, o baixo de Felipe está incrivelmente alto e criativo e os riffs das guitarras impõem um cenário sombrio ao extremo. Contrastante com a música, o solo de guitarra bem mais lento que o conjunto da composição, mas extremamente pensado e trabalhado, completa essa obra-prima. “Sky and Earth” é outra música que começa de forma brutal, silêncio e de repente tudo se torna escuro... A essa altura do campeonato, o CD se mostra uma verdadeira criatura fora de controle, é garantido que a banda vai ter conquistado o respeito máximo do ouvinte!

Se você espera algo mais suave de uma música chamada “Hope”, então você terá uma surpresa se não estiver com os ouvidos preparados,um show de versatilidade em questão de meros 2 minutos maracam a qualidade do grupo! “Um Enigma Envolto de Mistério” é a única música com o nome em português e provavelmente é o ápice da demonstração de talento dos caras: somente instrumental, um riff de guitarra criativo dá um clima pesado à música, a sequência dos bumbos e caixa na bateria são demonstrações de mestre, as quebradas de tempo são algo acima da média e o baixo com certeza entra em seu momento mais divino, é inacreditável a criatividade de Felipe! Um solo de guitarra rápido completa essa obra prima do Death Metal Brasileiro com direito ao um final triunfal. “The Mountain” tem uma introdução bem Heavy Tradicional, mais a frente os gritos de Felipe marcam mais presença do que em qualquer outra música, dividindo meio a meio com os urros e rosnados de Juliano que sola suas seis cordas enquanto Edilson conduz a música com um riff sensacional.

“Painted In Blue” nos mostra dois guitarristas criativíssimos aumentando ainda mais a qualidade do CD, que não cai na monotonia: a voz grave e limpa volta a mostrar presença em meio a uma canção que varia entre velocidades extremas e lentas passando por momentos medianos. Gilson mostra não só velocidade, mas criatividade em controlar seus bumbos, e mais uma vez Felipe tem seu momento no baixo, quase um solo, e em um determinado momento o ouvinte pensa que a música acabou, e então a destruição volta a reinar extremamente Heavy com vocais urrados e, de repente, uma voz forte cantando em português uma sentença tão tenebrosa que o clima da música fica ainda mais pesado, com certeza uma das melhores músicas de todo o álbum e também a mais longa beirando os 6 minutos. Mais uma pancada na orelha: “Hanged” esbanja velocidade, e técnica quando sem aviso a banda inteira quebra o tempo da música, e então de novo, e de novo, e de novo, beirando o Progressivo.

E para finalizar toda essa grandiosidade, “Ewige Wiederkunft” de nome alemão vem em uma velocidade constante, de letra marcante e bem trabalhada com os vocais bem divididos. Ao fim da música tudo vai se tornando baixo, você sente tudo ficando pra trás e quando o silêncio toma conta de tudo, você sente como se estivesse saindo de um transe, como se estivesse acordando do seu mais terrível pesadelo... ou como se estivesse na mais absoluta solidão...

O clima que as música passam são tensos, pesados e tenebrosos por vezes, o álbum passa a ideia do título facilmente e enquanto você ouve o CD você sente que ninguém mais está a sua volta, sente que todos se afastaram e quando a última música mostra seu desfecho a sensação as vezes passa de imediato ou permanece, depende da sua "lua". E dos músicos em si, não temos mais o que falar, pela resenha percebemos o talento de todos. Edilson é uma fonte de criatividade nos riffs, Gilson é um monstro da velocidade na bateria, Felipe esbanja competência em seu baixo de tal forma que você chega a pensar “esse cara não sabe tocar normalmente???” e Juliano lidera o grupo com maestria, mostrando versatilidade na voz e na guitarra com solos esmagadores.

"The Lonelinest Loneliness" é um álbum incrível, será uma injustiça que não tenha despontado pra valer, o que torcemos muito para que aconteça! Esperamos que os europeus que tiveram a honra de presenciar um show deles reconheçam o talento desses catarinenses e que os fãs brasileiros o façam mais ainda!

NOTA: 9 (Fanáticos por metal extremo darão 10 facilmente)

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