O Death Metal é, sem sombra de dúvidas, a vertente do Metal que mais permite experimentalismos, uma vez que cada vez mais surgem bandas boas com propostas bem diferentes umas das outras, com identidades robustas e bem formadas, e pelo visto, a coisa ainda vai longe, já que parece que a fonte de onde verte o estilo é inesgotável. Do Death/Black mais barulhento e experimental possível, até o Death Melódico, a enxurrada de boas bandas é imensa, mas infelizmente, tem por efeito colateral de não se poder dar atenção a cada uma delas como as mesmas bem merecem, isso quando muitas não são deixadas de lado. E uma dessas boas revelações é o sexteto alemão MAYAN, que chega com seu Debut CD, o ótimo ‘Quarterpast’.
O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

A produção sonora, feita por Sascha Paeth nos Excess Studios, em Roterdam, é bem límpida, sem que nenhum instrumento fique escondido ou acima dos outros, bem como deixa o som da banda completamente ‘in your face’, ou seja, o ouvinte de bons ouvidos poderá perceber cada nuance sonora com perfeição, e a visual segue o padrão sonoro, sendo de alta qualidade, bem esmerada.
Os destaques do CD são a ótima ‘Symphony of Agression’, que é bem agressiva e trabalhada, sem dar tempo ao ouvinte de respirar, enquanto os vocais se alternam entre o gutural à lá Glen Benton, e rasgados bem secos, para logo as variações progressivas surgirem aliadas a teclados muito bem postados, sem atrapalhar o andamento bruto da faixa, enriquecida pela participação de uma vocalista feminina em por momentos mais amenos; depois a bruta ‘Mainstray of Society (in the Eyes of the Law: Corruption)’, um pouco mais cadenciada, com os belos vocais femininos fazendo um belo dueto gutural-melodioso em seu refrão.
‘Course of Life’ é uma daquelas faixas onde se tem a impressão do que seria o DREAM THEATER da áurea época do ‘Images and Words’ se este fosse uma banda de Death Metal, ou seja, muita alternância de momentos e andamentos quebrados extremamente progressivos (sem perder os pés no chão), e mudanças de vocais limpos, rasgados, suaves (nas partes lentas) e guturais que abrilhantam a faixa; ‘The Savage Massacre (in the Eyes of the Law: Pizzo)’ é mais agressiva que as anteriores, com um trabalho da cozinha baixo-bateria digno de nota, mantendo assim o equilíbrio com melodia, para que esta não se perca, bem como ‘Bite the Bullet’, outra faixa bem forte na fusão agressividade-melodia que caracteriza a banda, com presença marcante de guturais extremos (apesar das mudanças características dos mesmos) e grandes guitarras; ‘Drown the Demon’ é uma faixa bem etérea (embora bruta), com guitarras mais Thrash aqui e ali.
E ‘War on Terror (in the Eyes of the Law: The Pentagon Papers)’, a melhor faixa de todo CD, onde a banda aposta suas fichas em uma faixa mais seca e bruta, com melodias menos evidentes que antes, enfocando, obviamente, a Guerra ao Terror promovida contra Afeganistão e Iraque após os Atentados Terroristas de 11 de Setembro de 2001, inclusive o que fica claro no vídeo da música.
Se no primeiro CD a banda já fez bonito assim, o que diremos quando lançarem o próximo... Este é um disco feito sob medida para você para quem não tem problemas e preconceitos com o Death Metal melódico, e mesmo para aqueles que estejam em busca de novos sons para arejar suas idéias.
Tracklist:
01. Symphony Of Aggression
02. Mainstay Of Society (In The Eyes Of The Law: Corruption)
03. Quarterpast
04. Course Of Life
05. The Savage Massacre (In The Eyes Of Law: Pizzo)
06. Essenza Di Te
07. Bite The Bullet
08. Drown The Demon
09. Celibate Aphrodite
10. War On Terror (In The Eyes Of The Law: Pentagon Papers)
11. Tithe
Formação:
Mark Jansen - Urros e gritos
Ariën Van Weesenbeek - Bateria, urros
Frank Schiphorst - Guitarras
Isaac Delahaye - Guitarras
Jack Driessen - Teclados, gritos
Jeroen Paul Thesseling – Baixo
Contatos:
http://www.mayanofficial.com
http://www.myspace.com/mayanofficial
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Marcos Garcia é Mestrando em Geofísica na área de Clima Espacial, Bacharel e Licenciado em Física, professor, escritor e apreciador de todas as subdivisões de Metal, tendo sempre carinho pelas bandas mais jovens e desconhecidas do público, e acredita no Underground como forma de cultura e educação alternativas. Ainda possui seu próprio blog, o Metal Samsara, e encara a vida pela máxima de Buda "esqueça o passado, não pense no futuro, concentre-se apenas no presente".
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