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Resenha - Road Salt Two - Pain of Salvation

Com o sucesso do álbum “Road Salt One” (2010), o quarteto sueco PAIN OF SALVATION foi colocado entre os principais nomes do rock e do metal progressivo contemporâneo. O grupo, liderado pelo genial Daniel Gildenlow, apostou em uma sonoridade mais crua e com influências – até certo ponto surpreendentes – dos anos setenta. As mesmas características reaparecem no novíssimo disco do conjunto, intitulado “Road Salt Two”, que finaliza a obra iniciada um ano atrás com uma grande resalva: os elogios feitos ao primeiro registro permanecem pertinentes ao novo trabalho de Daniel Gildenlow & Cia.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

Em atividade desde o início da década de noventa, o PAIN OF SALVATION conquistou certa notoriedade por não se prender a um conjunto restrito de influências musicais. Os primeiros registros do grupo, mesmo sem apresentar nenhuma grande novidade para o gênero, mostraram como o quarteto sueco sempre foi craque em unir de forma extremamente eficiente e despretensiosa características do metal melódico e do hard rock aos elementos progressivos. Nessa nova empreitada, em que a banda preparou o duo “Road Salt One” (2010) e “Road Salt Two”, o que se vê é um claro domínio sobre as vertentes mais próximas do rock típico dos anos setenta e de nomes expressivos como DEEP PURPLE e BLACK SABBATH. Com um contorno mais obscuro se comparado com a primeira parte, o novo “Road Salt” evidencia uma banda ainda coesa e digna dos melhores adjetivos.

Por mais que o trabalho de Daniel Gildenlow (vocal, guitarra e baixo), Johan Hallgren (guitarra), Fredrik Hermansson (teclado) e Léo Margarit (bateria) não evidencie em “Road Salt Two” o aspecto mais visceral do rock n’ roll como fez com maestria na primeira parte da obra, as faixas densas e obscuras do novo repertório conferem um brilho especial aos mais de cinquenta minutos de repertório ininterrupto. O caráter mais enigmático do disco é sintetizado pela capa: a arte anteriormente branca é construída agora a partir do preto. No quesito sonoro, os mesmos detalhes de outora reparecem na belíssima e introdutória “Road Salt Theme” e na intensa – e disparada melhor do álbum – “Softly She Cries”. Os suecos do PAIN OF SALVATION mantiveram no novo material a mesma pegada que tornou o seu antecessor um dos melhores registros de 2010.

Com influências aparentemente bem delimitadas, a banda soube explorar como poucas (e ao máximo) toda a sua criatividade. O resultado é um álbum sonoramente rico e repleto de particularidades que o afastam de uma monotonia comum às bandas estritamente progressivas e virtuosas. Como prova, a animada “Conditioned” e a acústica “Healing Now” mostram claramente que o PAIN OF SALVATION construiu “Road Salt Two” bem distante de qualquer mesmice típica do gênero. Os arranjos obscuros de “Eleven” – com um quê da psicodelia do progressivo setentista – também aparece com destaque no contexto da obra. Não há dúvidas de que Daniel Gildenlow & Cia. formam um time de exímios músicos – e quem conferiu o show da banda em território brasileiro em 2011 conseguiu perceber isso com os próprios olhos.

O fator principal que torna “Road Salt Two” um ótimo disco – e consequentemente eleva o PAIN OF SALVATION ao posto de uma das melhores bandas de rock/metal progressivo da atualidade – é o modo com o qual o quarteto sueco trata a sua música. Não há nenhum privilégio ao conceito sonoro criado por trás da obra, algo que muitas bandas contemporâneas ao tentam impor em seus discos. O que o PAIN OF SALVATION ambiciona aqui é bastante nítido e pode ser exemplificado com músicas do calibre de “The Deeper Cult” e “Mortar Grind”: criar um repertório diversificado e ao mesmo tempo impactante. Por conta disso, “Road Salt Two” é um disco poderoso e que tem tudo para permanecer por muito tempo no modo ‘play’ de todos que apreciam o trabalho distinto de Daniel Gildenloow & Cia.

O encerramento do repertório é igualmente capaz de impressionar os ouvintes. A curta e obscura “Through the Distance” é um complemento e tanto para a longa e densa “The Physics of Gridlock” – repleta de riffs raivosos executados pela dupla afiadíssima Gildenlow e Hallgren. O novo álbum do PAIN OF SALVATION é sem sombras de dúvidas um registro obrigatório para todos aqueles que se rotulam fãs do bom e velho rock n’ roll. O grupo se encontra no seu ápice criativo e o impacto produzido pela dobradinha “Road Salt” é realmente de arrepiar. Não há dúvidas de que Gildenlow & Cia. ainda carecem de um reconhecimento maior aqui no Brasil. Por que você não confere o novo álbum dos caras para comprovar tudo isso por si mesmo?

Track-list:

01. Road Salt Theme
02. Softly She Cries
03. Conditioned
04. Healing Now
05. To the Shoreline
06. Eleven
07. 1979
08. The Deeper Cut
09. Mortar Grind
10. Through the Distance
11. The Physics of Gridlock
12. End Credits

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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