Chickenfoot: Estes caras nasceram para tocar juntos

Resenha - III - Chickenfoot

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Por Willian Blackwell
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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“Pegue os instrumentos, junte os amigos e vamos tocar!” - essa é a proposta aqui, ou pelo menos, como tudo começou - e como a maioria das bandas surgem. Acontece que estes caras não são jovens inexperientes buscando reconhecimento e um lugar ao sol: não, muito pelo contrário, são músicos calejados, artistas com carreira e sucesso consolidado. Estou falando do CHICKENFOOT, o “supergrupo” formado pelos amigos JOE SATRIANI, SAMMY HAGAR(ex Van Halen), MICHAEL ANTHONY (ex Van Halen) e CHAD SMITH(Red Hot Chili Peppers).
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“Nós nos encontramos como quatro amigos e dissemos “Cara, isso é ótimo. Vamos sair e tocar música.” - Michael Anthony

No autointitulado primeiro álbum dos caras, lançado em 2009, um clima de JAM era sentido, um lance bacana do tipo “hey, estamos nos divertindo pra caralho e vocês?” (sim, nós estavamos). Ares estes, também sentidos nos primeiros minutos de “III”; porém, algo mais é notado neste, que apesar do título, é o segundo registro em estúdio do quarteto. Um certo “espírito de banda” está mais latente, o que deixou o resultado final mais coeso, fugindo de vez da alcunha, as vezes pejorativa (se levarmos para o lado comercial da coisa), de “supergrupo”, fazendo com que este trabalho seja muito superior ao primeiro, e um dos melhores discos de Rock/Hard do ano - junto com o mais novo trabalho do KING KOBRA, que leva o nome da banda, e “2”, do BLACK COUNTRY COMMUNION.

“Assim que saiu a notícia sobre o Chickenfoot todos passaram a nos chamar de supergrupo. Mas o mais legal nessa banda é que já éramos todos amigos antes dela começar. Não foi tipo como se tivéssemos dito, ‘Ei, vamos botar o baterista do Red Hot Chili Peppers.” - Michael Anthony

O álbum abre com “Last Temptation” deixando claro que todos estão jogando no mesmo time e afiadíssimos em suas funções - modelando um estilo CHICKENFOOT de se fazer música -, e é seguida de perto pela ensolarada e festeira “Alright, Alright”. A simpatissíssima (semi)balada acústica “Different Devil”, injeta um punhado de inocência saborosa neste início, no momento exato de ser o “silêncio” que nos acalenta antes do riff intimidante de “Up Next” (e seu ótimo refrão) e do hard/blues sinuoso de “Lighten Up”, com SATRIANI despejando o seu já conhecido talento.

O som despojado da banda, apresentado no primeiro disco, e até agora realizado com entrosamento absurdo pelo grupo, dá um break, pois temos uma belíssima incursão nos territórios da soul music na forma da sentimental “Come Closer”, que me faz lembrar dos ROLLING STONES e precede aquele que, talvez, seja o momento mais impactante do álbum: a raivosa “Three and a Half Letters”, um relato cáustico sobre os nebulosos tempos modernos do American Way of Life, com suas guerras mentirosas e eminentes crises financeiras.

Depois deste verdadeiro soco no estômago, “Big Foot” retoma a toada rocker do grupo, trazendo o selo CHICKENFOOT de qualidade, tendo sido inclusive escolhida para virar um bem humorado videoclipe; nota-se a ausência de CHAD SMITH nas baquetas, pois o mesmo estava em tour com a sua banda original (Red Hot Chili Peppers), sendo assim temporariamente substituído por KENNY ARONOFF, confira abaixo:

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Uma linha de baixo maliciosa anuncia a contagiante e “exagerada” “Dubai Blues”, com mais uma aula do guitarrista JOE SATRIANI, que mostra, durante toda a audição de “III”, ter encontrado um equilíbrio perfeito, contrariando aqueles que sempre questionaram o seu papel à favor de uma banda.

As texturas acústicas (com direito a banjo) de “Something Going Wrong”, somadas ao pressagioso lamento vocal de HAGAR (motrando toda a sua versatilidade naquele que, segundo o próprio, é o melhor álbum que ele já gravou) e um solo absurdamente arrepiante de guitarra, fecham o álbum da melhor maneira possível, mostrando que o CHICKENFOOT é uma das melhores coisas que aconteceu no Hard Rock nestes últimos 20 anos.

Ainda somos presenteados com a forte e relevante hidden track “No Change”, que mesmo não fazendo parte do tracklist final do álbum teria todo o potencial para ser.

“É tão bom que parece que pulamos do primeiro álbum direto para o terceiro.” - Hagar explicando a escolha do título

Estes caras nasceram para tocar juntos, mostrando que, além de possuir uma química perfeita, essa nova “velha” banda tem muita lenha para queimar.

Sabor oitentista com tempero dos anos 70; guitarras pesadas, melodiosas, solos eletrizantes; coros e backing vocals harmoniosos, refrões grudentos e certeiros; baixo swingado e encorpado; batidas marcantes, cheias de groove e atitude; Funk, Soul, Blues… puro Rock and Roll!!

Regozije-se. Os deuses da música estão orgulhosos!

Chickenfoot: III (2011)
1.Last Temptation
2.Alright, Alright
3.Different Devil
4.Up Next
5.Lighten Up
6.Come Closer
7.Three and a Half Letters
8.Big Foot
9.Dubai Blues
10.Something Going Wrong
11.No Change (Hidden track)

Formação - Sammy Hagar (vocal), Joe Satriani (guitar), Michael Anthony (bass), Chad Smith (drum)

Site Oficial e Myspace:
http://www.chickenfoot.us
http://www.myspace.com/thechickenfoot

@blackwill - keeptrue!
http://willblackwill.tumblr.com/

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Sobre Willian Blackwell

Leitor/colecionador de HQs e livros. Apreciador de cinema e boa música. Autodidata. Um espírito livre. Adepto de um perspectivismo experimentalista com tendência a gostos bizarros e atividades grosseiras. Boa gente.

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