Sempre que um conjunto musical troca um de seus membros, cria-se uma certa especulação em torno do futuro deste grupo - especialmente quando o membro é um dos fundadores. MIKE PORTNOY, baterista que criou o DREAM THEATER com o baixista JOHN MYUNG e o guitarrista JOHN PETRUCCI, deixou seus colegas em 2010, sendo substituído no ano seguinte pelo talentoso MIKE MANGINI. O processo de seleção do novo músico foi um verdadeiro espetáculo registrado como documentário em formato de reality show. O novo álbum já era algo esperado, posto que o motivo da saída de PORTNOY foi justamente o fato de ele querer uma pausa, e o resto da banda querer continuar trabalhando. Trocado o baterista, o grupo se enfurnou no Cove City Sound Studios, nos EUA, e produziu seu décimo primeiro álbum de estúdio.
Nota: 8 







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A faixa de abertura e primeiro single do álbum é On the Backs of Angels, primeira canção com o novo baterista a ser divulgada. Não empolga muito, mas ainda assim convida o ouvinte a experimentar mais do álbum. É interessante notar que os primeiros versos cantados pelo vocalista James LaBrie lembram o estilo de ANDREW MCDERMOTT, do THRESHOLD, mais precisamente no disco Dead Reckoning. A segunda, Build Me Up, Break Me Down, tem uma introdução interessante e uns toques eletrônicos, que mostram alguns elementos novos no som da banda. As duas primeira faixas, convém observar, são acompanhadas de uma orquestração que acompanha os solos e os arranjos sofisticados de JORDAN RUDESS. Mas o tecladista ainda tem muito espaço para mostrar por que é considerado um dos melhores do mundo em "Lost Not Forgotten", terceira do disco e uma das que passam dos 10 minutos.
"This is the Life" é uma das baladas do álbum: lenta e poderosa. Tem um belo solo de JOHN PETRUCCI. A posição da faixa talvez não tenha sido por mero acaso: ela precede a mais agressiva do disco, Bridges in the Sky, que traz o peso de Black Clouds & Silver Linings, álbum anterior do grupo. A faixa seguinte, Outcry, vem com o mesmo peso e traz um pouco mais de técnica. A curta Far from Heaven foi escrita por JAMES LABRIE, que é acompanhado apenas por piano e cordas - um respiro após mais de uma hora de muito peso que precede a faixa mais longa do disco, Breaking All Illusions. Fechando o álbum, a curta e leve Beneath the Surface, sem bateria: só cordas, voz, teclados e violão. Uma boa escolha para terminar este disco.
Como bem disse o crítico musical Rich Wilson, A Dramatic Turn of Events não agrada de imediato e "são necessárias várias escutadas para compreender totalmente o que a banda conseguiu aqui". De fato, o álbum não impressiona muito, para quem já ouviu Black Clouds & Silver Linings e outros álbuns citados acima, mas é preciso coragem para apontar um trabalho ruim de um grupo do naipe do DREAM THEATER, e este com certeza não o é. Pelo contrário, é uma obra bem produzida, equilibrada e de altíssima qualidade. Só não causou o impacto que alguns esperavam, para o bem ou para o mal.
Abaixo, o single On the Backs of Angels.
Tracklist:
On the Backs of Angels - 8:43
Build Me Up, Break Me Down - 6:59
Lost Not Forgotten - 10:12
This Is the Life - 6:58
Bridges in the Sky - 11:01
Outcry - 11:24
Far from Heaven - 3:56
Breaking All Illusions - 12:26
Beneath the Surface - 5:27
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Victor de Andrade Lopes é paulistano morador da Granja Viana (próximo à capital paulista), estudante de jornalismo e colaborador em diversos veículos. Tem um blog de resenhas musicais e outros assuntos chamado Sinfonia de Ideias. Apaixonado por livros, ciências, cinema, viagens, ufologia, e, é claro, música, que entra em seus ouvidos na forma de rock, metal, pop, dance, folk, erudito ou todos juntos. Além de ouvir, também toca e compõe músicas no piano ou no teclado.
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