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Resenha - In Paradisum - Symfonia

Juro que queria entender porque diabos a maior parte da imprensa especializada resolveu ser tão condescendente com “In Paradisum”, o álbum de estréia do supergrupo Symfonia. Talvez seja algum tipo de apego emocional às bandas das quais seus integrantes são egressos: Angra, Stratovarius, Helloween, Sonata Arctica e por aí vai. Absolutamente injustificado. O disco, anunciado com toda a pompa e circunstância, simplesmente não entrega o que promete, como obra de músicos do calibre de André Matos e Timo Tolkki, só para citar os dois cabeças do projeto e seus nomes mais destacados. “In Paradisum” é apenas mediano, com faixas que se apóiam exageradamente nos clichês do metal melódico/power metal dos anos 90, fazendo com que o resultado final soe datado, envelhecido. Estamos falando de um disco “OK”, muito longe de ser “excelente” ou “genial”, mas que infelizmente tem cheiro de mofo.

Nota: 5

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Preciso dizer, antes que me acusem de julgamento apressado: sou fã de metal melódico – aquele estilo apelidado por Bruno Sutter (humorista que vive Detonator, vocalista do Massacration) de “o equivalente do hard rock farofa dentro do heavy metal”. Gosto bastante de Stratovarius e sou daquele grupo que defende o nome de André Matos como um dos mais importantes frontmen do nosso metal brasileiro contemporâneo. E justamente por isso a experiência de ouvir “In Paradisum” me soou tão pouco inspirada. Não me entendam mal: acho que é compreensível (e até desejável, pensando no background da equipe) que o Symfonia vá buscar referências em suas experiências passadas. Mas toda vez que isso acontece, é de se esperar que a banda recicle as referências, bebendo do passado mas revestindo suas novas composições com uma roupagem mais moderna e atual – e por favor, que “moderno” não seja entendido como “eletrônico” ou qualquer coisa assim.

Um exemplo claro: “In Paradisum” abre com “Fields of Avalon”, cuja pegada de guitarra inicial lembra claramente “Glory of the World”, do Stratovarius. Tsc, tsc, Sr.Tolkki. E ao longo da audição das 10 faixas, esta não será definitivamente a única situação em que o ouvinte vai se pegar pensando “acho que já escutei isso antes...”. O teclado de Mikko Härkin (ex-Sonata Arctica) que abre “Come by The Hills” e “I Walk in Neon” faz com que ele se torne uma mera emulação do trabalho de Jens Johansson na antiga banda de Tolkki. “Seriam estas algumas composições para o Stratovarius nas quais o seu líder e mentor vinham trabalhando antes de se afastar dos velhos companheiros?”, pergunta-se o fã mais exaltado. Juro que não tenho a resposta.

Mesmo a ótima e vigorosa “Forevermore”, ponto alto da bolacha, parece ser uma faixa nunca lançada antes na discografia do Angra. E a baladinha acústica “Don't Let Me Go”, que encerra “In Paradisum”, é previsível até a última nota: você sabe quando vão entrar os agudos, em que momento aparecem os violinos, quando ela vai subir o tom. Pura matemática.

Em uma entrevista recente para a revista brasileira Roadie Crew, Timo Tolkki afirmou que “In Paradisum” não traz o Symfonia em seu potencial total e absoluto, coisa que deve ser efetivamente explorada nos lançamentos futuros. A gente realmente espera que sim. Porque, meu caro Tolkki, a tradição que você e seus colegas de banda carregam na bagagem merece esta honraria. E deixe a obviedade em casa desta vez.

Line-up:
André Matos - Vocais
Timo Tolkki - Guitarra
Jari Kainulainen - Baixo
Mikko Härkin - Teclados
Uli Kusch* - Bateria

Tracklist:
1. Fields of Avalon
2. Come by The Hills
3. Santiago
4. Alayna
5. Forevermore
6. Pilgrim Road
7. In Paradisum
8. Rhapsody in Black
9. I Walk in Neon
10. Don't Let Me Go

* Atualmente, substituído por Alex Landenburg (At Vance)

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no mundodeelcid.blogspot.com.

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