Resenha - Kairos - Sepultura

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Resenha - Kairos - Sepultura


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Se você é uma daquelas choronas viúvas dos irmãos Cavalera, que se derrama em lágrimas porque ambos não fazem mais parte do Sepultura (que, para você, nem deveria ter mais este nome, que é uma indignidade que os atuais membros o continuem usando, e blábláblá), sinto em informar que pode ser difícil ter que engolir “Kairos”. O mais recente lançamento de estúdio da banda é impressionantemente bom. Aliás, mais do que isso: é ótimo, é excelente. É o Sepultura (goste você ou não) em ótima forma, visceral, acelerado, intenso, vigoroso. E fazendo thrash metal puríssimo, no melhor espírito de clássicos como “Arise” e “Chaos A.D.”. Sei que você deve achar um pecado que eu esteja fazendo esta comparação. Mas eu não me importo, já que é a verdade nua e crua – tão crua, aliás, quanto a paulada na orelha que “Kairos” oferece a todo fã de boa música. E no final, é isso que importa: quero ouvir música boa, sem interessar quem diabos está tocando a dita cuja. Música boa sempre vai ser música boa. Não precisa ter o sobrenome “Cavalera”.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Imagem
Foto da chamada: Roberta Forster

“Kairos” é mais um álbum conceitual do Sepultura, depois de “Dante XXI” (sobre o livro “A Divina Comédia”) e “A-Lex” (sobre “Laranja Mecânica”, livro que virou o genial filme de Stanley Kubrick). Aqui, no entanto, o conceito sobre o qual a banda trabalhou é rigorosamente outro, muito mais sutil e delicado. “Kairos” é uma expressão grega que quer dizer “momento especial, de grande mudança”. Seguindo por esta linha, o Sepultura analisa a sua própria história, seu passado, seu presente e seu futuro. Aqueles que se debruçarem sobre as letras do novo disco com mais cuidado, poderão facilmente desenvolver uma série de teorias sobre quem são os personagens citados aqui e ali, se Max e Iggor estão sendo mencionados de fato. Não quero, de coração, entrar neste mérito. Deixo esta tarefa para vocês.

O que vale em “Kairos” é perceber que, nesta auto-análise de sua trajetória, o Sepultura (pela primeira vez, trabalhando com a competente produção de Roy Z, que já fez os discos de Bruce Dickinson e do Judas Priest) olhou para as suas origens musicais e foi buscar justamente nas raízes a influência para a sonoridade do disco. Ficaram de lado os flertes com o hardcore e mesmo com um tipo de metal mais experimental, quase nu metal, que andaram rondando os lançamentos mais recentes. Em “Kairos”, o quarteto inspira e respira thrash metal, aquele thrash técnico e raivoso, com a fúria de quem quer mostrar serviço – mas sem soar atado, sem abrir mão de ser um lançamento atual e moderno. E eles conseguem.

O grandalhão Derrick Green já é vocalista do Sepultura há 13 anos, tendo lançado seis discos com a banda. Mesmo assim, continua tendo que aturar as comparações com o trabalho de Max. Sem sentir o peso dos paralelos, ele entrega o que talvez sejam algumas de suas melhores performances no comando do microfone do Sepultura, berrando com os pulmões e com o coração em faixas como “Relentless” e “Born Strong”. Já Jean Dollabella, substituto recente de Iggor nas baquetas do grupo, não fica atrás e mostra a que veio, seja numa cavalgada nervosa como aquela que dá o tom para “No One Will Stand” ou na levada mais ritmada (mas, nem por isso, menos pesada) de “Dialog”.

O grande destaque, no entanto, fica mesmo por conta de Andreas Kisser. O guitarrista, atualmente líder inconteste da banda e seu principal porta-voz, despeja uma coleção de riffs cortantes, intrincados e em alta velocidade, coisa que vinha faltando um tantinho em seus trabalhos mais recentes. Ouvir as aberturas de “Mask” (talvez a melhor música do disco) ou “Embrace the Storm” já dá a exata medida de o que se pode esperar do músico em “Kairos”. É a principal diferença com relação aos lançamentos mais recentes da discografia do grupo e o grande tempero deste álbum.

“Kairos” é o Sepultura enfiando pé no acelerador, sem medo de ser feliz. E a gente espera que continue assim. Com ou sem um sobrenome famoso para servir de assinatura.

Line-up:
Derrick Green – Voz
Andreas Kisser – Guitarra
Paulo Jr. – Baixo
Jean Dollabella – Bateria

Tracklist:
1. Spectrum
2. Kairos
3. Relentless
4. 2011
5. Just One Fix (cover do Ministry)
6. Dialog
7. Mask
8. 1433
9. Seethe
10. Born Strong
11. Embrace the Storm
12. 5772
13. No One Will Stand
14. Structure Violence (Azzes)
15. 4648

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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