Eric Clapton, há cinco anos atrás, disse que estava ficando parcialmente surdo. O motivo da nova deficiência era o som extremamente alto de algumas de suas apresentações, principalmente as com o Cream nos anos 60. No entanto, o músico ainda se mostra em forma e lançou o CD Clapton, em 2010.
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Com 14 faixas, o CD mostra um tom blueseiro acústico e elétrico, mais simples do que os álbuns de rock. Se Eric não consegue mais ouvir direito, como ocorreu com o compositor erudito Beethoven no fim de sua vida, ele consegue, pelo menos, compôr músicas com média de cinco minutos estáveis, agradáveis e consistentes. É verdade que não há hits elétricos como Layla ou Wonderful Tonight, mas How Deep is The Ocean funciona com o fundo de teclado e de saxofone em um ambiente mais focado para o jazz, com o refrão grudento típico de suas músicas.
A voz de Eric Clapton, se não é virtuosa, funciona muito bem com seu tom aveludado, presente até mesmo na calma guitarra. A faixa Milkman abre espaço para os músicos de apoio mostrem improvisações e uma melodia "à vontade", com uma letra de um pedido de casamento.
Se o CD capricha em melodias calmas, falta clímax. Músicas como Diamonds são deliciosas para admiradores dos trabalhos acústicos e mais espirituais de Eric, como Tears in Heaven. Ou seja, os roqueiros podem reclamar que o guitarrista está fazendo apenas música sobre amor, sobre seu sentimento de velhice melancólica e que ele soa repetitivo, apesar do bom groove, do bom ritmo, de sua guitarra elétrica.
Mesmo com essas possíveis críticas ao novo trabalho, a letra de Hard Times mostra bem o que Clapton quer passar nesse CD. There'll be no more sorrow / When I pass away / And no more hard times / e nao mais tempos duros / No more hard times / Yeah, yeah, who knows better than I? O disco é um funeral, uma despedida, uma visita aos seus gostos pessoais e uma coletânea de músicas relaxantes. Clapton, o nosso "Beethoven da guitarra", não compõe uma obra-prima neste material, mas faz diversas músicas que conseguem funcionar bem juntas.
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Nascido em 1989. Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, Pedro foi apresentado ao heavy metal através da banda Blind Guardian, em meados de 2004. Ouve e aprecia outros estilos do rock, como o punk, o indie e vertentes mais variadas. Gosta de assistir e cobrir shows.Toca muito mal guitarra, mas aprecia vários tipos de instrumentos musicais.
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