Resenha - Submarine - Alex Turner

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Resenha - Submarine - Alex Turner


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Os dois anos que se passaram entre “Humbug (2009) e “Suck It and See” (2011) foram extremamente proveitosos para os integrantes do ARCTIC MONKEYS. O grupo, que conquistou o rótulo de maior fenômeno do rock inglês após o álbum “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not” (2006) atingir o topo das paradas do mundo inteiro, possui uma série de outros projetos paralelos em andamento. Entre as principais ideias colocadas em prática, a carreira de ALEX TURNER parece assumir a dianteira como a mais importante. O EP “Submarine” é a primeira investida individual do vocalista/guitarrista – mas infelizmente não consegue se impor.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Embora muitos considerem valiosa a sonoridade própria de “Submarine”, praticamente em uma vertente oposta às características mais cruas da banda de referência, o jovem músico inglês pouco consegue empolgar os ouvintes em cerca de vinte minutos de música. O álbum, escrito para funcionar como trilha sonora do filme de mesmo nome assinado por Richard Ayoade (que dirigiu vários dos videoclipes do ARTIC MONKEYS), simplesmente não funciona como deveria, apesar ser estar recheado por boas ideias. O andamento claramente intimista, com músicas acústicas e/ou cadenciadas, abdica das melhores referências do indie rock de outrora para dar às composições de ALEX TURNER uma cara que realmente não possui. De qualquer modo, o disco conquistou críticas extremamente positivas no Reino Unido, mesmo diante dessa controvérsia palpitante.

Porém, pelo menos um recado interessante “Submarine” deixa para os fãs do ARCTIC MONKEYS. O prestigiado vocalista/guitarrista da banda – que sempre foi apontado como a referência criativa dentro do grupo – não só escreveu as cinco músicas que compõem o disco como ainda executou absolutamente todos os instrumentos presentes na obra. Pode até ser que o guitarrista Bill Ryder-Jones (ex-THE CORAL) acompanhe ALEX TURNER em duas das faixas, mas a sua posição é de coadjuvante aqui. Depois da curtíssima faixa introdutória “Stuck on the Puzzle” (que vai ser retomada mais adiante), apenas voz e violão contornam “Hiding Tonight”, que não ultrapassa a marca de três minutos de extensão (como todas as outras composições). Por mais que não soe problemática, o clima cadenciado – praticamente arrastado – em nada parece capaz de empolgar os que admiram os discos nervosos do ARCTIC MONKEYS. Por outro lado, “Glass in the Park” possui arranjos rapidamente mais complexos e satisfatórios se comparados na ponta do lápis com a proposta anterior.

Embora extremamente eficiente como trilha sonora para o filme homônimo, falta fôlego e ambição para “Submarine” despontar como uma estreia coesa e impactante. No entanto, o resultado apenas mediano atingido pelo disco é uma consequência direta do que ALEX TURNER proporciona na acústica “It’s Hard to Get Around the Wind”: a música destaca a ausência de um contorno verdadeiramente vibrante. Porém, “Stuck on the Puzzle” pode ser mencionada como a grande faixa do EP, justamente por caminhar por um caminho diferenciado se comparado com a anterior. As guitarras – mesmo que cadenciadas – evidenciam um rumo muito mais interessante e melhor arranjado.

Do mesmo modo, o encerramento com “Piledriver Waltz” mostra como o debut de ALEX TURNER poderia encontrar consequências mais agradáveis, justamente pela tentativa de incluir poucas – mas marcantes – referências do rock/folk. Por ser muito homogêneo na sua tentativa de soar intimista, “Submarine” fica em cima do muro entre o bom e o ruim. Os (poucos) momentos de destaque do disco aparecem ofuscados pela ausência da ousadia extremamente marcante do ARCTIC MONKEYS – e impossível de ser dissociada da carreira solo do seu vocalista/guitarrista. O resultado é mediano e deve dividir inclusive a opinião dos fãs mais fervorosos da banda inglesa.

Track-list:

01. Stuck on the Puzzle (Intro)
02. Hiding Tonight
03. Glass in the Park
04. It’s Hard to Get Around the Wind
05. Stuck on the Puzzle
06. Piledriver Waltz

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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