Dropkick Murphys: O álbum mais interessante em quinze anos

Resenha - Going Out in Style - Dropkick Murphys

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Por mais que possuísse uma carreira consistente no underground norte-americano, o DROPKICK MURPHYS só conquistou um verdadeiro reconhecimento após a música “I’m Shipping Up to Boston” ser incluída na trilha sonora do filme “Os Infiltrados” (2006). Os anos passaram e o grupo consolidou de modo extremamente positivo o seu rock/hardcore que inclui influências da música folk irlandesa. O resultado da experiência e da visibilidade adquirida é o recente “Going Out in Style”, certamente o álbum mais interessante dos caras em quinze anos de estrada.
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Embora possua uma sonoridade extremamente complexa, a banda de Quincy (Massachusetts) sempre conseguiu criar uma atmosfera densa e dinâmica ao mesmo tempo, sem nenhum deslize aparente. No entanto, a qualidade do repertório de “Going Out in Style” é, sem sobra de dúvidas, mais encorpado e rico se comparado com os seus dois antecessores – os elogiados e satisfatórios “The Warrior’s Code” (2005) e “The Meanest of Times” (2007). Nessa nova empreitada, Al Barr (vocal), James Lynch (guitarra), Tin Brennan (guitarra), Ken Casey (baixo), Jeff DaRosa (teclado), Josh Wallece (bagpipe e outros instrumentos irlandeses) e Matt Kelly (bateria) construíram – pela primeira vez – músicas diversificadas que conseguem explorar diferentes tendências melódicas. Como não poderia ser diferente, a música folk irlandesa contorna as faixas de “Going Out in Style” de modo único e incomparável. Os norte-americanos certamente deixam o rótulo de underground para se firmarem como um dos nomes mais imponentes do rock pós-moderno.

De modo oposto ao que mostraram em seus primeiros discos, os músicos do DROPKICK MURPHYS atingiram aqui a maturidade da mistura do folk com o rock – sobretudo de características mais. Em praticamente cada um dos quarenta e cinco minutos de “Going Out in Style” o que se sobressai são melodias empolgantes e uma performance irreparável do cantor Al Barr. O hardcore do grupo – que às vezes chega a soar cru e extremo – não direcionada a sonoridade do DROPKICK MURPHYS a caminhos impopulares. De modo muito claro, o resultado da criatividade da banda de Massachusetts atingiu aqui o seu ápice. As faixas de “Going Out in Style” falam por si só.

Em um primeiro momento, os coros de “Hang ‘Em High” podem passar a impressão de que a banda norte-americana mais faz barulho do que uma música de qualidade. No entanto, os riffs iniciais e os instrumentos irlandeses (leia-se o famigerado bagpipe) destoam a faixa do que poderia ser rotulado como ineficiente. De certo modo, a abertura de “Going Out in Style” só não pode ser apontada como um dos melhores momentos do álbum porque precede coisas ainda mais interessantes. Com um pouco mais de velocidade se comparada com a anterior, “Going Out in Style” desponta entre aquelas músicas que os fãs provavelmente um dia irão citar como suas favoritas do DROPKICK MURPHYS. Da mesma forma, “The Hardest Mile” é outra que deve agradar de imediato. As melodias empolgantes e o alto astral do rock n’ roll são evidentes do início ao fim dessa faixa.

Para quebrar a intensidade quase que extrema que contornou o início do disco, a cadenciada “Cruel” é a prova da diversidade sonora (e qualificada) de “Going Out in Style”. As referências da música folk irlandesa – que o DROPKICK MURPHYS não abandona em um momento sequer – funcionam satisfatoriamente bem com composições que seguem por um caminho mais técnico. De volta ao rock enérgico e vibrante do começo, “Memorial Day” assume uma terceira faceta possível dentro do repertório da banda. Na ausência do mesmo peso e da mesma agressividade das suas antecessoras, essa música se desdobra em características mais íntimas do indie rock.

Outra balada – intitulada “Broken Hymns” – se sobressai ao que o disco possui de mais comum, como a faixa “Climbing a Chair to Bed”, um pouco quadrada (se comparada às demais). Do mesmo modo, “Deeds Not Words” não é capaz de se aproximar a “Take ‘Em Down”, provavelmente outro hit do álbum. O rock/hardcore do DROPKICK MURPHYS, que pode parecer um pouco controverso aos desacostumados com propostas mais agressivas e alternativas, não decepciona com as faixas mais folk de Al Barr & Cia. Da mesma forma, “1953” (que estranhamente possui uma áurea gospel) vai atender a expectativa dos fãs sedentos por mais músicas mais cadenciadas e – consequentemente – menos agressivas. Por fim, “The Irish Rover” retoma a maioria das referências da primeira metade de “Going Out to Style”. No entanto, a música não aposta na agressividade característica de “Hang ‘Em High” (por exemplo) como referência.

Não há dúvidas de que o DROPKICK MURPHYS vai conquistar um espaço ainda mais privilegiado no mundo da música após a (provável) repercussão internacional e positiva de “Going Out in Style”. A banda, que já pode ser considerada um dos nomes mais competentes e imprevisíveis (no bom sentido da palavra) do rock atual, mostrou ainda muito fôlego para seguir adiante – e na crista do gênero. O repertório denso e dinâmico de “Going Out in Style” claramente deixa uma boa ideia no ar. Para muitos, está na hora do DROPKICK MURPHYS desembarcar no nosso país para uma turnê. O grupo comprovou aqui que fãs e background – que possui um novo disco para isso.

Track-list:

01. Hang ‘Em High
02. Going Out in Style
03. The Hardest Mile
04. Cruel
05. Memorial Day
06. Climbing a Chair to Bed
07. Broken Hymns
08. Deeds Not Words
09. Take ‘Em Down
10. Sunday Hardcore Matinee
11. 1953
12. Peg O’ My Heart
13. The Irish Rover

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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