"Waiting for the Punchline" é o quarto disco de estúdio do Extreme, banda que retornou aos estúdios e aos palcos em 2008 com o excelente “Saudades do Rock”, disco quase menosprezado por boa parte da crítica musical.
Nota: 7 






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IIISTES não aconteceu porque era um disco que não teve singles tais quais "Pornograffitti", que explodiu para o mundo com a balada "More Than Words". Era um disco conceitual que tratava entre outras coisas de igreja, mídia, racismo e outros temas que fazem o pau quebrar em uma mesa de bar, onde cada um opina com impostação de dono de verdade.
"Waiting for The Punchline" era mais direto como "Pornograffiti" e menos elaborado do que IIISTES, o som era bastante cru e trazia pela primeira vez Mike Mangini como baterista. O disco ainda traz o virtuosismo do guitarrista português mas não aconteceu. Curioso que a sonoridade tem ABSOLUTA relação com "Saudades do Rock" (2008), que é cru, mas também adocicado em diversos momentos. A banda estava em outro clima. Menos vocais trabalhados, nada de duas guitarras (uma base e outra solo) e nenhum teclado. Por aí você tira como a banda passou a soar.
1 – There Is No God – É a faixa que apresenta o disco quase uma antítese das faixas de IIISTES que poderia figurar em qualquer disco gospel tal seu teor panfletário e ao mesmo tempo contestador. Um gospel consciente, diga-se de passagem, se compararmos com as tosquices que escutamos por aqui.
2 – Cynical – Traz a guitarra suja de Bittencourt com uma pegada funkeada, mas sem brilho e deley. Tudo muito cru. Muito groove. O Extreme optou por fazer uma faixa pseudo-funk, embora estejam lá os vocais e a aguda voz de Cherone. Os riffs de Bittencourt são matadores e o slaps (todos) bem medidos.
3 – Tell Me Something I Dont Know – Tem uma introdução disfarçada por frases de guitarra. Ritmo 4/4 em uma atmosfera Alice In Chains/Stone Temple Pilots. Tudo muito pra baixo. Não sei se o movimento grunge influenciou a música do Extreme mas a banda saiu das firulices hard/heavy para um rock mais lento e pesadão.
4 – Hip Today – Traz aquela camada de guitarras que apresentaram Nuno e sua versatilidade nas seis cordas (ora sete), muitos riffs intensos e vocais a la Queen (não resisti, mas não gosto da comparação com a banda inglesa). Hip Today é um pouco de tudo aquilo que o Extreme sempre foi: boa pegada, excelentes levadas de contra-baixo e uma bateria em tempos ingleses. A mixagem deste disco é mais jogadona. Se você escutar os discos anteriores irá entender.
5 – Naked – Um clima bluseiro mas nada do compasso ternário. Climão Black Crowes, tudo muito sombrio e escuro nos arranjos da banda. Imagine aqueles levadas a la Zeppelin, loucas e insanas, sem guitarra base nenhuma, só muito gana e vontade. O Extreme parece totalmente à vontade com um som mais durão, longe dos arranjos adocicados de Pornograffitti e IIISTES.
6 – Midnight Express – é uma instrumental com as paletadas ora abafadas, dando um efeito sempre muito grave. A opção em usar regiões que simulam uma certa confusão e indefinição das notas (ao menos nos primeiros minutos) é muito interessante. Frases que lembram guarania e flamingo. Bittencourt não fosse português teria mais atenção da parte do mundo. A impressão que tenho é que todos o tratam como “mais um” guitarrista. E isso não é verdade. Mesmo! Excelente percussão!
7 – Leave Me Alone – Talvez a canção mais intragável do disco. O início com seu efeito phaser no vocal não é nada atraente. Durante a canção todas as fases do Extreme: hard, bluesy, pitadas de metal e muita sonzeira em volta da voz de Cherone. O baixo com suas frases independentes. Uma loucura sonora.
8 – No Respect – O som sujo cheio de efeitos que muito lembraria o disco seguinte, Saudades do Rock (2008). Impressionante como a banda não se preocupa em parecer doce em nenhuma canção, pelo contrário, a sonzeira é visceral e de fato se explica o anti-sucesso (só pra abusar do eufemismo) de um disco que dispensou hits. Preferiu ser bem punk, filosoficamente falando.
9 – Evilangelist – O trocadilho é maravilho (Evil é mal ou maldade em inglês) e a sua junção com “gelist” dão uma ideia do que a letra diz. Uma das mais pesadas do disco o verso “You name in on my list / i´m your evilangelist” é simples e precioso. O paradoxo das boas novas. Mais rock and roll impossível. A canção segue: ” In a wath god you trust / close your eyes while I hypnotize”. Sinistro… :)
10 – Shadow Boxing – Mantido o clima descontraído agora com um refrão mais poderoso e pegajoso. Bateria sequinha e vocais (segunda voz) em uma atmosfera mais amena do que em todo o disco. Cherone é um dos meus vocalistas preferidos. O riff final, abafadinho e setentão.
11 – Unconditionally – Ah eu sei… Você estava esperando uma canção que lembrasse o bom e velho Extreme. Uma levada folk, os agudinhos afetados de Cherone e os duetos com Bittencourt. Bem, chegou a canção. Unconditionally é uma canção de amor com todos os requintes de romantismo que sempre fizeram parte do cancioneiro extreme-de-ser no entanto sumidaço neste disco. Engraçado que quem já ouviu falar do Extreme toma pelas baladas o som da banda e isso não é bem verdade…
12 – Fair-Weather Faith – Toda banda tem seu “Faroeste Cabloco” que se preze. Esta canção tem 11:15 é cheia de pegadinhas e “acaba” com 4:55. Era muito comum, principalmente nos grandes albuns você após o silêncio da agulha escutar vozes, riffs indefiníveis, músicas ao contrário e etc. No caso desta faixa temos a sujeira (habitual a todo disco) e alguma gritaria e esforço além do alcance do boníssimo Cherone.
O disco é bem diferente. Não há porque criar expectativas no disco que podemos chamar de anti-comercial tal sua disposição em ser impopular e pouco “hiteiro”. Mas eu apostaria em bons momentos de diversão com “Waiting For The Punchline”.
1.”There Is No God” – 6:07
2.”Cynical” – 4:41
3.”Tell Me Something I Don’t Know” – 6:25
4.”Hip Today” – 4:42
5.”Naked” – 5:46
6.”Midnight Express” – 3:58
7.”Leave Me Alone” – 4:47
8.”No Respect” – 3:51
9.”Evilangelist” – 4:49
10.”Shadow Boxing” – 4:34
11.”Unconditionally” – 5:01
12.”Fair-Weather Faith” – 4:49*
* Alguns dizem que esta faixa é dividida em duas canções, a segunda seria o título homônimo, porém no título original não há menção alguma ao nome da canção.
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Daniel Junior é administrador do site Aliterasom e do site sobre futebol Pensando Futebol. Estudante de Língua Portuguesa, embora já tenha estudado Jornalismo e História. Tem 36 anos é músico e líder operacional em uma multinacional americana; fascinado por tecnologia, comunicação e séries de TV. Acredita que Lost foi a melhor criação do homem depois do Youtube e até hoje não acredita que 24 horas acabou.
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