Cangaço: Em busca da identidade do heavy metal nordestino

Resenha - Positivo - Cangaço

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Por Thiago Pimentel, Fonte: Hangover Music
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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"SIVUCA, MORBID ANGEL, ZÉ RAMALHO e DEATH". Para uma mente mais fechada - ou pouco criativa - tais nomes não poderiam andar lado a lado, porém essas são algumas das influências do trio de heavy metal pernambucano "CANGAÇO".
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No EP intitulado "Positivo", o primeiro lançamento oficial - levando em consideração que o anteriores haviam sido demos -, quem acompanha o trabalho da banda irá se surpreender: apenas uma composição desse trabalho possui seu conteúdo lírico em inglês ("The Second Hour") - idioma que havia sido usado em todas as outras letras do "CANGAÇO".

É sábido que o grupo - formado por Magno Lima (baixo e vocais), Rafael Cadena (guitarras e vocais) e, estreiando, André Lira (bateria) - já havia quebrado algumas barreiras em suas duas primeiros demos. Sim, refiro-me a incrível e inesperada fusão entre a música regional nordestina e o death metal que, além da competência técnica, certamente contribuiu para o trio, cujo tempo de estrada não chega aos dois anos, já ter participado de festivais como o "Wacken" e, mais recentemente, o "Abril Pro Rock".

A faixa-título abre o EP exibindo os riffs (experimente contá-los) já característicos do grupo, ou seja, com influência de melodias regionais e uma pegada bem pesada característica. Os caras conseguiram aqui, em menos de três minutos, uma ótima síntese do trabalho da banda.

"Positivo" é uma faixa bem orgânica, que mesmo com tantas variações pode soar simples (para os desavisados) pela naturalidade em que flui. O que é um bom sinal: o virtuosismo dos três não soa forçado. A letra é bem interessante: difere do comum por parecer, de fato, um poema (repente talvez? Haha). Desde que a presenciei em um show essa composição me mostrou o quanto os caras estão amadurecendo e desenvolvendo bem o próprio estilo. Ótimo cartão de visitas.

Na sequência vem a já citada composição em inglês ("The Second Hour") que, inicialmente, exibe uma veia mais tradicional, pesada e técnica. Porém segue com contornos mais "regionais" - ouça o interlúdio acústico. O violão duetado com a guitarra distorcida na introdução é um recurso bem interessante e que pode tornar-se marca da banda. Aliás o trabalho de guitarra de Rafael amadureceu muito - incorporar acordes mais abertos, na guitarra ainda distorcida, sem necessariamente usá-la limpa ou com o uso violões deixou seus riffs ainda mais característicos. Aliás, seu solo aqui é bem insano, caótico. Arrisco dizer que deixaria Trey Azagthoth (MORBID ANGEL) orgulhoso.

A terceira composição (de acordo com o encarte: "Sete Orelhas") inicia com uma linha de baixo que me fez achá-la prima - irmã, talvez - de "Ghost of Blood" (da primeira demo). O baixo domina bastante essa faixa, preenchendo (bem) várias lacunas. Já André Lira exibe umas ótimas linhas na bateria: soam mais percussivas, regionais - algo que senti falta até então. A música também chama bastante atenção pelas linhas vocais empolgantes, duetadas agressivamente por Rafael e Magno. Talvez fossem as melhores linhas vocais do EP se a última faixa ("Deserto do Real") não existisse.

"Al-Rasif" já mostra as referências desde seu título: significa - mais ou menos - o nome da capital pernambucana (Recife) em árabe. As letras são ácidas, críticas e bem feitas. Chamo atenção para as sessões instrumentais: são as mais insanas, jazzísticas e progressivas do EP. Tal canção mostra, de vez, a dedicação dos caras em criar arte e honrar a proposta do grupo.

A última faixa de "Positivo" é justamente a melhor: "Deserto do Real" tem ótimas linhas vocais duetadas e possui uma excelente letra como apoio. Filosófica e regional ao mesmo tempo. Algo com a qualidade que um "Zé Ramalho" escreveria, arrisco. Sua conclusão é uma das parte mais empolgantes do disco soando totalmente death metal. Essa faixa merece estar presente no setlist dos caras, com toda certeza!

Enfim, o fato das letras de "Positivo" serem, em sua maioria, em português é apenas mais uma barreira quebrada pelo grupo. Não sei se "Positivo" foi um experimento isolado, mas acredito que mesclar os idiomas entre as composições, tal como as bandas de folk européias fazem em seus discos, seja uma excelente opção para os caras. As composições em si estão ótimas, a execução excelente e as letras possuem uma qualidade rara. Todavia, senti falta de refrões mais grudentos, como o de "Devices of Astral" ou "Corpus Alienum", por exemplo. A produção está ótima e limpa. O cuidado na confecção da arte do EP também deve ser mencionado: tudo bem pensado para te transportar para o clima. Parafraseando Magno: "sempre em busca da identidade do heavy metal nordestino". Parabéns a banda por mais um (grande) passo.

Dica: experimente ouvir lendo as letras (o arquivo possui scans dos encartes, e pode ser baixado em Hangover Music.

Formação:

Magno Lima (baixo e vocal)
Rafael Cadena (guitarra e vocal)
André Lira (bateria)

Tracklist (de acordo com o encarte):

01 - Positivo
02 - The Second Hour
03 - Sete Orelhas
04 - Al Rasif
05 - Deserto do Real

Mais informações (e demos para download):
http://www.myspace.com/cangacometal

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Sobre Thiago Pimentel

Tenta, desde meados de 2010, escrever textos que abordem as vertentes da mais peculiar - em seu ponto de vista - manifestação artística do ser humano, a música. Para tal, criou o blog Hangover-Music e contribui no Whiplash.Net. Além disso, é estudante de jornalismo, guitarrista e acredita que se algum dia o Deus metal existira, ele morreu em 13/12/2001.

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