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Destruction: Um disco rápido e intensamente pesado

Resenha - Day Of Reckoning - Destruction

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Embora tenha abandonado muitas das referências encontradas em “D.E.V.O.L.U.T.I.O.N.” (2008), o novo álbum do DESTRUCTION mostra uma banda ainda preocupada em resgatar sonoridades do passado. O thrash metal assinado pelo grupo em “Day of Reckoning” se distancia da complexidade de outrora para um enfoque muito mais direto. Por mais que o novo disco dos germânicos mostre muita qualidade, o seu repertório está longe de ser apontado como o melhor desde o retorno com “All Hell Breaks Loose” (2000) após anos de ostracismo na década de noventa.
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Em atividade desde o início dos anos oitenta, os alemães do DESTRUCTION podem ser apontados como o maior (ou um dos maiores) ícones do thrash metal europeu. A sonoridade da banda, que sempre investiu em particularidades que a distanciam de outros nomes do gênero – como SODOM e KREATOR – se mantém intacta em “Day of Reckoning”. O disco antecessor até conquistou certo prestígio com um repertório mais bem elaborado e recheado por quebradas rítmicas e próximas ao metal tradicional. No entanto, Schmier (vocal e baixo), Mike (guitarra) e o novato Vaaver (bateria e ex-UNSUN) recuperaram muito daquilo que escreveu a história da música pesada quase três décadas atrás. O contorno raivoso dado ao thrash metal dos germânicos abominou de vez as marcas melódicas de outrora. O resultado é um disco rápido e intensamente pesado – claramente indicado para os fãs saudosistas da banda (e consequentemente avessos às modernidades que poluem atualmente o gênero).

O décimo disco da carreira do power-trio germânico – que inicia o contrato do grupo com a gravadora Nuclear Blast – contou com a produção mais do que eficiente de Jacob Hansen (HEAVEN SHALL BURN). A preocupação em soar como os clássicos “Infernal Overkill” (1985) e “Eternal Devastation” (1986) é evidente desde a abertura com a qualificada “The Price”. Entretanto, Schmier & Cia. não se prenderam em influências datadas. Por trás de “Day of Reckoning” existe um quê de atualidade que não passa despercebido. Embora não possua um repertório verdadeiramente consistente – como o excelente “D.E.V.O.L.U.T.I.O.N.” (2008) apresentava – o novo álbum do DESTRUCTION é um prato cheio, sobretudo para os fãs mais antigos que acompanham o grupo. Não há nenhuma crítica negativa que possa ser feita a respeito da performance dos alemães. O andamento de “Day of Reckoning” é impecável.

Entre os maiores destaques do álbum, “Hate is My Fuel” certamente desponta na dianteira. A música – que foi merecidamente escolhida como o primeiro single – apresenta os riffs mais matadores de “Day of Reckoning”. De certo modo, existe uma uniformidade que contorna as onze faixas do disco. Não há muitos recursos melódicos (e variados) em músicas como “Devil’s Advocate” e “The Demon is God”. Porém, por mais que o repertório se desdobre em composições extremamente diretas, nada pode ser apontado como cansativo ou repetitivo dentro da obra. Com um quê daquilo que marcou a história (pelas mãos do DESTRUCTION), “Destroyer or Creator” e “Sheep of the Regime” encerram o álbum com as mesmas características que marcaram o seu início: agressividade e velocidade.

Não há dúvidas de que “Day of Reckoning” é mais um interessante álbum e que apenas vem para agregar qualidade à carreira do DESTRUCTION. Porém, a ausência de músicas de maior impacto (a exceção é “Hate is My Fuel”) é nitidamente sentida, sobretudo para os fãs que viram em “D.E.V.O.L.U.T.I.O.N.” (2008) um dos principais discos do thrash metal da era pós-modernidade. De qualquer forma, os cinquenta minutos do repertório – que ainda conta com uma ótima versão para “Stand Up and Shout” (outra homenagem póstuma a RONNIE JAMES DIO) – não comete nenhum pecado capital. A publicidade que gira ao redor do álbum (recheada de adjetivos e promessas de destaque) que é pretensiosa demais. O disco é bom, mas falta muito para ser um dos melhores do ano.

Track-list:

01. The Price
02. Hate is My Fuel
03. Armageddonizer
04. Devil’s Advocate
05. Day of Reckoning
06. Sorcerer of Black Magic
07. Misfit
08. The Demon is God
09. Church of Disgust
10. Destroyer or Creator
11. Sheep of the Regime
12. Stand Up and Shout

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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