Resenha - Black Country - Black Country Communion

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Resenha - Black Country - Black Country Communion


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Quando falei sobre o relançamento do disco "Come Taste The Band", do DEEP PURPLE, cheguei a comentar sobre esta nova banda que Kevin Shirley produzia - BLACK COUNTRY COMMUNION. Vamos falar um pouco mais sobre este supergrupo e seu disco de estreia, "Black Country".

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Pra começar, a formação da banda:

Glenn Hughes, baixo e vocal - é o "coroa" da banda, o mais experiente. Começou lá atrás, nos anos 70, com seu grupo TRAPEZE, ao lado de Mel Galley (também tocou no WHITESNAKE, gravando "Slide It In" com a banda) e Dave Holland (também tocou no JUDAS PRIEST por um longo tempo, gravando diversos clássicos com a banda). Depois de gravar três discos com o TRAPEZE, Hughes saiu da banda para entrar no DEEP PURPLE, fazendo parte das formações Mk3 e Mk4, e gravando três discos com a banda: "Burn", "Stormbringer" e "Come Taste The Band". Após atravessar um período nebuloso, com problemas relacionados ao consumo excessivo de drogas, Hughes se recuperou e conseguiu se consolidar com uma bela carreira solo. Antes, chegou a gravar um disco com o BLACK SABBATH, "Seventh Star", em 1986.

Joe Bonamassa, guitarra e backing vocals - o "garoto" da banda, com 33 anos. Joe é um prodígio que surgiu no final dos anos 90, e sua bem sucedida carreira solo aposta numa combinação de blues e rock recheados com solos lindos e afiados, repletos de técnica apurada. Destaque para os discos "New Day Yesterday" e "The Ballad Of John Henry".

Derek Sherinian, teclados - Derek talvez seja o menos conhecido dos integrantes deste supergrupo. Mas ele tem um currículo impressionante: já tocou com Alice Cooper, KISS (no Alive III), Billy Idol e Yngwie Malmsteen. Sua passagem mais marcante talvez tenha sido como membro do DREAM THEATER, de 1994 a 1999. Com o DREAM THEATER, ele gravou dois discos de estúdio, "A Change Of Seasons" e "Falling Into Infinity", além do excelente ao vivo "Once In A Livetime".

Jason Bonham, bateria - OK, todos conhecem Jason. É o filho do semideus John Bonham, baterista do LED ZEPPELIN. Mas o "moleque" já tocou com muita gente fera, já teve banda dele, já fez de tudo um pouco nesse mundo do rock. E ele sempre toca com a turma do ZEPPELIN, quando estes resolvem dar o ar da graça (foi assim no último show, em Londres, 2007). Só pra dar uma panorâmica, Jason já tocou com Jimmy Page, Paul Rodgers, Slash, UFO, participou de um filme (Rock Star, aquele filme que conta a história do vocalista que substitui seu ídolo - a história de Tim Owens ao entrar no JUDAS PRIEST para substituir Rob Halford) e também de um reality show (com Evan Seinfeld, Scott Ian e Sebastian Bach - eles montaram um supergrupo na TV e tinham que criar músicas para este supergrupo).

Segundo o que consta na Wikipedia, a banda surgiu de um encontro entre Glenn Hughes e Joe Bonamassa, em novembro de 2009, num evento chamado "King Of The Blues", patrocinado pela Guitar Center. Eles resolveram trabalhar juntos e chamaram Kevin Shirley para produzir. Kevin já tinha produzido diversos discos da carreira solo de Joe Bonamassa e sugeriu que eles trabalhassem com Jason Bonham. Inicialmente a banda seria um trio, mas Bonamassa não gostou da ideia e então Kevin Shirley sugeriu mais um nome para a banda, o tecladista Derek Sherinian, com quem Kevin já havia trabalhado, quando produziu "Falling Into Infinity", do DREAM THEATER. No começo de 2010, a banda começou a gravar o disco, e levou por volta de quatro meses para terminá-lo (janeiro a abril). O disco foi gravado no Shangri-la Studios, em Malibu, California. É um estúdio clássico, que aparece no filme "The Last Waltz", de Martin Scorsese (filme sobre o último concerto do grupo THE BAND, banda que acompanhava Bob Dylan e depois gravou excelentes discos - destaco o primeiro, "Music From Big Pink"). O último disco do METALLICA, "Death Magnetic", também foi gravado nele.

Em junho de 2010, a banda liberou a lista de faixas do disco; em julho, divulgaram a arte da capa; em agosto, saiu o primeiro single, a segunda faixa do disco, "One Last Soul". Finalmente, o disco foi lançado em setembro de 2010, chegando à posição 21 na parada europeia e à posição 54 na parada americana (fonte: Wikipedia).

O disco tem uma bela pegada, com canções vigorosas e performances excelentes. Era de se esperar também, já que os integrantes tem um currículo invejável. A maioria das composições reside na parceria entre Glenn Hughes e Joe Bonamassa. As letras estão praticamente a cargo de Hughes. Aliás, é muito legal ver que Glenn Hughes se livrou completamente de seu vício e está a pleno vapor, tanto com sua carreira solo, quanto com este belíssimo projeto que ele está tocando. The voice of rock !

Eis minha opinião faixa a faixa sobre o disco:

1 - "Black Country" - a faixa-título abre fantasticamente o disco com um incrível riff de baixo. Com uma levada zeppeliana, o riff acelera o ritmo para repentinamente silenciar e aguardar Glenn Hughes cantar os versos: "I am a messenger, this is my prophecy". Nosso profeta e mensageiro exibe seus vocais e prova que está em excelente forma. Grande abertura!!

2 - "One Last Soul" - esta canção, belíssima, primeiro single do disco, já traz uma composição mais serena da parceria Hughes/Bonamassa. Com uma melodia gostosa e uma bela levada, a canção traz um solo delicioso de Joe, provando seu talento inegável.

3 - "The Great Divide" - a introdução de guitarra já indica que esta é outra bela canção deste disco. Com um pouco mais de peso que a anterior, esta carrega um pouco mais de feeling na levada de guitarra que Joe imprime. Os teclados de Sherinian preenchem muito bem a música e o solo complementa mais uma grande canção deste disco.

4 - "Down Again" - esta música é um grande blues rock, clara contribuição de Bonamassa, que já declarou sua influência no blues rock britânico dos anos 70 (CREAM, FREE, JEFF BECK GROUP). O vocal de Hughes duela com a levada rocky de Joe, num dueto cheio de talento. Mais um ponto positivo deste registro.

5 - "Beggarman" - esta começa com um pequeno improviso de Joe, mas a canção em si é composta por Hughes. Com uma levada mais funky, como Glenn gosta e se declara influenciado, a canção tem seu valor, apesar de estar um pouco abaixo das anteriores.

6 - "Song Of Yesterday" - esta é a "lentinha" do disco, e é uma das que Joe Bonamassa canta. Seu vocal, mais para o blues, cai perfeitamente nesta canção, com começo moderado e até um pouco orquestrado, mas que a seguir engrena para uma pegada rock vigorosa. O solo, suave como a canção exige, é gostoso de escutar e transbordando emoção. Grande candidata a melhor canção do disco!

7 - "No Time" - outra composição de Hughes, mais ou menos na mesma levada de "Beggarman". Talvez a mais fraca do disco...

8 - "Medusa" - esta canção é uma regravação de um clássico do Trapeze, onde Glenn Hughes começou a fazer sucesso. Esta canção, do disco de mesmo nome, é um clássico, e regravações de clássicos são arriscadas. A banda resolveu apenas atualizá-la, sem grandes mudanças, então os fãs mais antigos podem se tranquilizar que não escutarão nada estranho aqui, apenas a versão clássica com um som atualizado. Joe Bonamassa gravou esta música utilizando a mesma guitarra que Mel Galley utilizou na gravação original, uma Black Les Paul '68.

9 - "The Revolution In Me" - outra com vocal de Bonamassa. Uma levada rock tradicional, nada demais. Mas aí a canção cresce bastante com um belo solo...

10 - "Stand (At The Burning Tree)" - outra levada rock de qualidade, com o vocal caprichado de Hughes se destacando numa excelente base de guitarra de Joe. Derek Sherinian também contribui muito aqui, com seu Hammond B3, dando um clima vintage a esta canção. Outro ponto alto do disco!

11 - "Sista Jane" - um começo mostrando a levada principal da canção, então começa uma levada diferente, onde o vocal de Joe duela e contrasta com o de Hughes. E a levada principal retorna, junto com o refrão forte e com gancho. Mais uma música de qualidade, a esta altura o disco já disse ao que veio e provou ser um grande registro desta nova superbanda.

12 - "Too Late For The Sun" - a última canção deste disco é uma composição de Hughes que todos os outros integrantes da banda contribuíram, gerando uma canção-jam, a mais longa do disco, com mais de 11 minutos. É o encerramento com uma espécie de showcase do talento dos membros, talento mais do que comprovado durante as outras 11 faixas, mas reforçado nesta 12ª e mais longa das faixas.

A versão que eu comprei ainda veio com um DVD trazendo algumas filmagens da banda. O DVD começa com uma espécie de making of da gravação do disco, seguindo para um vídeo com cenas da banda em estúdio para a canção "The Great Divide". Depois temos algumas entrevistas com os membros da banda e duas canções ao vivo: "One Last Soul" e "Mistreated". O DVD finaliza com uma entrevista com Kevin Shirley falando sobre o início da banda, o processo de gravação e coisa e tal. Tudo isso totalizando 40 minutos de filmagens.

A banda parece estar animada, pois tem diversos shows marcados para o meio do ano, e está atualmente gravando seu segundo disco, com o mesmo produtor. Glenn Hughes anunciou que este segundo disco deverá ser lançado no meio do ano, provavelmente em junho, para coincidir com as datas da turnê já marcada.

Vamos torcer que a banda apareça aqui pelo Brasil !!

Links importantes:
Site do Black Country Communion
http://www.bccommunion.com/
Site de Glenn Hughes
http://www.glennhughes.com/
Site de Joe Bonamassa
http://www.jbonamassa.com/
Site de Derek Sherinian
http://www.dereksherinian.com/news.htm
Site de Jason Bonham
http://www.jasonbonham.net/
Site do Sangri-la Studios
http://shangrilamalibu.com/
Site do blog Ripando a História do Rock, com esta e outras matérias:
http://ripandohistoriarock.blogspot.com/

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Sobre João Paulo Linhares Gonçalves

Roqueiro convicto, de carteirinha, desde os treze anos de idade. Já tive diversas bandas preferidas: de Iron Maiden, Metallica e Black Sabbath a The Who, Pink Floyd e Rolling Stones. O heavy metal sempre me atraiu muito, mas o rock praticado nos anos 60 e 70 é fascinante e estou sempre escutando. De vez em quando, dou chance ao punk, rock alternativo, blues, até ao jazz e MPB, pra variar.

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